Juntos em nuvens gigantescas, esses insetos vêm acabando com colheitas pelo mundo todo

Fogo se alastrou rapidamente por conta do tempo seco


Situação provocada pela Covid-19 evidencia dificuldade do país em lidar com o seu próprio lixo


A imagem mostra um corredor branco, com paredes brancas, com o fundo desfocado. Em primeiro plano, vemos um homem branco segurando uma bolsa térmica vermelha com tiras pretas. Aparece a cintura, os braços e a mão do homem. Ele veste uma camiseta verde. O homem toca a campainha para entregar comida.

Com postagem mensal, Editoria de Design inaugura o seu espaço no projeto

Estima- se que a região já perdeu mais de 300 mil hectares de vegetação, 10% da vegetação natural


Bombeiros tentam amenizar as chamas. Foto: CBMS/ divulgação

 Com curso de férias à distância e visitas virtuais ministradas para instituições escolares, Zoológico de Bauru adapta seu atendimento ao público

A imagem mostra a fachada do Zoológico Municipal de Bauru. No canto esquerdo, tem um ipê amarelo desfocado. Na fachada está desenhado na madeira a imagem de três lobos-guará.

Diversas espécies, inclusive de animais ameaçados de extinção, já se reproduziram no Zoológico de Bauru, contribuindo para a preservação genética. Entre esses animais está o lobo-guará, símbolo oficial do parque. Foto: Vanessa Pinto Moraes



Por Ana Beatriz Rocha de Nóbrega e Vanessa Pinto Moraes

No dia 24 de Agosto, o Zoológico Municipal de Bauru completou 40 anos de existência. E, diferente dos demais aniversários, passou este último fechado. Não podendo receber visitantes de maneira presencial devido à pandemia do novo coronavírus, o parque tem investido em cursos e visitas feitas pela internet. Agora, com a reabertura seguindo as regras do município, o zoo permanecerá oferecendo essas visitas para as escolas.

Buscar alternativas para lidar com essa pandemia que afeta o mundo há mais de sete meses se tornou um desafio para toda empresa e instituição que trabalha diretamente com pessoas. Com a nova realidade, o Zoo de Bauru também precisou se adaptar: teve desde o tradicional curso de férias no mês de julho até visitas guiadas para escolas de todo o estado, tudo pelo meio virtual. 

De acordo com a professora de Língua Inglesa do colégio SESI de Presidente Prudente, Stefanie Gomes dos Santos, os alunos amaram a experiência. “Se envolveram na contextualização e adoraram conhecer um pouco mais sobre o zoo e os animais. Com toda certeza, foi uma aula significativa e prazerosa”, expôs a professora.

Durante o passeio, a bióloga do zoológico, Samantha Bittencourt, grava um vídeo passando por todos os recintos de animais, convidando os alunos a explorarem o ambiente de forma lúdica, como se estivessem em uma visita presencial. “Coloquem seus bonés, peguem a garrafinha de água e passem o filtro solar, porque o passeio vai começar!”. É uma das falas da bióloga, segundo o Diretor Pedagógico do Colégio São José de Bauru, Valter Xavier, que também fará uma das visitas guiadas oferecidas pelo Zoo.


A imagem mostra os dizeres: Atenção o zoológico está fechado por tempo indeterminado.
Ao todo, o Zoo ficou 171 dias fechado por causa da pandemia. Foto: Vanessa Pinto Moraes


Além das visitas destinadas à escolas, o trabalho informativo do zoológico também ocorre nas redes sociais da instituição, que passaram a ser atualizadas em maior frequência, com vídeos educativos. Os vídeos podem ser encontrados no Instagram e no Facebook do zoo e são gravados pelos funcionários do local, que explicam sobre os animais e seus habitats naturais.

Por outro lado, assim como nenhum visitante era permitido no local, o parque também adotou algumas medidas de proteção, como o afastamento de funcionários no grupo de risco. 
“Os funcionários estão trabalhando 6 horas, fazem uso de máscara e álcool em gel, antes de iniciarem o trabalho têm as temperaturas aferidas e respondem a um questionário autodeclaratório, sobre se teve contato nos últimos 14 dias com alguma pessoa confirmada com Covid-19 e se apresenta algum sintoma da doença”, explica Samantha.
Já que as visitas cessaram por alguns meses, é comum que uma dúvida surja: “mas de onde veio o dinheiro que fez o zoológico se manter?”. Como se trata de uma Instituição Municipal, é responsabilidade da Prefeitura. O valor pago nos ingressos quando as visitas presenciais são realizadas é direcionado à manutenção do espaço e fica guardado no fundo do zoológico.

Sem a presença das pessoas, fica a curiosidade sobre como os animais reagiram. A bióloga Samantha relata que eles não apresentaram nenhuma mudança em seus comportamentos e que não há como saber se a falta dos visitantes realmente afetou de forma positiva ou negativa esses animais.

Atualmente, Bauru está na fase amarela do Plano São Paulo para retomada da economia das cidades do estado, em que é permitido o funcionamento de comércio, bares, salões de beleza, academias, restaurantes e parques. Sendo assim, em reunião que ocorreu na semana do dia 29 de agosto entre as direções do Horto Florestal, do Zoológico, do Jardim Botânico, e dos bosques e os comitês de Crise e Saúde, foi decidido que esses locais poderiam ser reabertos para o público a partir do dia 08 de setembro. 


A imagem mostra uma mão de uma pessoa branca segurando o cartão de entrada do parque. No cartão está desenhado um tigre e escrito Zoo Bauru.
Para evitar aglomerações, serão permitidas apenas visitas individuais. Foto: Social Bauru 


O zoo já reabriu neste mesmo dia, porém com algumas restrições para os frequentadores do parque. Entre elas, estão o uso obrigatório de máscara, distanciamento social de 1,5 metro, temperatura aferida no começo do passeio, álcool em gel oferecido no local e preferência por uso de garrafas de água individuais. E apenas 40% da capacidade de visitantes é permitida.

Quando perguntado se as visitas escolares virtuais pararam, o parque afirmou que excursões e entrada de grupos escolares presenciais continuam proibidas, portanto os trabalhos no meio digital continuam.

Edição: Maria Eduarda Vieira

O carvão vegetal tem se destacado por diminuir emissão de metano e os efeitos da agricultura extensiva


Ministério do Meio Ambiente é criticado internacionalmente por medidas que não ajudam na prevenção ao desmatamento

A imagem mostra o presidente Jair Bolsonaro e o Ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles. Ricardo está falando alguma coisa no ouvido de Bolsonaro. O presidente está com um sorriso de canto. Os dois homens usam terno e gravata.
O presidente Bolsonaro e o ministro Salles se envolvem em mais uma polêmica. Foto: Nelson Almeida/Getty Images

Por Laís David de Souza

O Ministério do Meio Ambiente (MMA) do governo de Jair Bolsonaro, liderado pelo advogado Ricardo Salles, se envolveu em dezenas de escândalos com a comunidade ambiental nos últimos meses. Na semana de 4 de agosto de 2020, Salles foi extremamente criticado ao tentar interferir nas metas ambientais do Plano Plurianual de 2020.

O Plano Plurianual (PPA), regulamentado na Constituição de 1988, é um aparato legislativo de planejamento governamental. Nele, as principais prioridades, metas e diretrizes orçamentárias de um governo são definidas, e assim, o Estado pode executar suas funções corretamente.

A causa ambiental também possui seu espaço: o Plano Plurianual do governo de Jair Bolsonaro reserva dois artigos visando a melhoria da qualidade ambiental, e traça como meta para até o ano de 2023 ‘reduzir o desmatamento e os incêndios ilegais nos biomas em 90%’.

Entretanto, no dia 3 de agosto, o jornal O Estado de São Paulo divulgou que Salles propôs a descontinuação da meta de prevenção de desmatamento original. Numa tentativa de driblar o plano estabelecido, Salles defendeu a preservação de uma cota específica de vegetação: apenas 390 mil hectares da Amazônia seriam salvos até 2023.


A imagem mostra o ministro do meio ambiente Ricardo Salles com uma cara que aparenta preocupação. O fundo está com o símbolo da República desfocado.
A proposta foi rapidamente rejeitada. Foto: Agência O Globo/Jorge William


O valor defendido pelo ministro do Meio Ambiente não é nada expressivo, considerando que 390 mil hectares é uma fração mínima do território do bioma. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) afirma que o desmatamento no ano de 2019 chegou a atingir 1 milhão de hectares.

Na mesma semana da mudança, foi divulgado que o Ministério da Economia (ME) discordou da pauta e influenciou a desistência de Salles. Em nota, o ministério dirigido por Paulo Guedes afirmou que "a proposta inicial de alteração da meta apresentada pelo Ministério do Meio Ambiente precisou ser ajustada para se adequar aos critérios legais, o que foi feito pelo MMA ao propor uma nova redação para análise do Ministério da Economia".

As políticas ambientais do governo de Jair Bolsonaro são amplamente criticadas por pesquisadores da área e ambientalistas. Em menos de dois anos de governo, a gestão bolsonarista tece a desestruturação de órgãos, como o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) e o próprio INPE, além da flexibilização das leis ambientais e de agrotóxicos.

Dados confirmam o aumento considerável de desmatamento dentro dos biomas brasileiros - o desmatamento dentro da Amazônia Legal, região que engloba os seguintes estados Amazonas, Roraima, Rondônia, Pará, Amapá, Acre, Tocantins, Mato Grosso e Maranhão, aumentou cerca de 51% no período de um ano, e as queimadas chegaram a um aumento de 82% em seis meses, segundo o INPE. 


A imagem mostra um gráfico que exibe o índice de desmatamento na Amazônia Legal nos últimos onze anos. Em 2008, foi desmatado 13.300 km². Em 2009 e 2010 foi desmatado 6.300 km². Em 2011 desmatado 5.700 km². Em 2012, foi desmatado 4.400 km². Em 2013, foi desmatado 5.400 km². Em 2014 foi desmatado 5.100 km². Em 2015, foi desmatado 6.100 km². Em 2016, foi desmatado 7.200 km². Em 2017, foi desmatado 7.000 km². Em 2018, foi desmatado 7.200 km². E em 2019, foi desmatado 10.900 km².
Número em quilômetros quadrados das áreas desmatadas na Amazônia Legal. Imagem: Terra Brasilis/INPE


Em entrevista ao Impacto Ambiental, Ricardo Galvão, ex-diretor do INPE e professor da Universidade de São Paulo (USP), aponta que o governo atual não está fazendo o necessário para a preservação da Amazônia. “Aqui se trata não apenas de incompetência, mas principalmente de uma disposição inicial do Governo de não atuar para coibir não somente o desmatamento, mas outras ações de preservação do meio ambiente em geral’’, diz o professor.

Os escândalos em torno da Amazônia viraram assunto fora do Brasil . Em 1995, o então presidente do Brasil Fernando Henrique Cardoso criou o Conselho da Amazônia, com o objetivo de coordenar ações de política nacional no bioma com a integração dos ministérios do governo. Apesar dele ter sido formulado, nunca foi realmente utilizado, até que em 2020 o presidente Bolsonaro reativou o Conselho.


A imagem mostra um print do twitter do presidente Jair Bolsonaro. O tweet diz o seguinte Determinei a criação do Conselho da Amazônia, a ser coordenado pelo Vice Presidente @GeneralMourão, utilizando sua própria estrutura, e que terá por objetivo coordenar as diversas ações em cada ministério voltadas para a proteção, defesa e desenvolvimento sustentável da Amazônia.
Conselho da Amazônia restituído. Imagem: Twitter oficial de Jair Bolsonaro


O Conselho é uma das tentativas estatais de um discurso mais verde. A política ambiental de Bolsonaro é criticada não apenas por opositores, mas também por investidores internacionais, que, segundo o vice-presidente Hamilton Mourão em coletiva, “querem ver resultados” das medidas de preservação. 

Ricardo Galvão complementa:

a reação nacional e internacional à política do Governo têm forçado a mudar seu discurso e apresentar algumas medidas de controle do desmatamento e queimadas na Amazônia.

A imagem mostra uma foto aérea da floresta Amazônica e sua devastação. Na imagem é visível ver grande parte da floresta queimada e derrubada.
Destruição da Floresta Amazônica. Foto: Victor R. Caivano/Associated Press


O interesse do Estado em proteger a Floresta Amazônica é, majoritariamente, devido à pressão internacional. Outros biomas tão importantes e diversos quanto a Amazônia sofrem com queimadas e desmatamentos sem tanta atenção da mídia ou do governo, como é o caso do pantanal (a maior planície alagada do mundo) ou do cerrado. Ainda de acordo com o INPE, o pantanal sofreu 1684 focos de incêndio apenas no mês de julho - uma tragédia ambiental desamparada, segundo especialistas.

A crise ambiental dos últimos meses salienta a importância dos ecossistemas brasileiros. A Iniciativa de Finanças para a Biodiversidade (BIOFIN) categoriza o Brasil como o país mais biodiverso do planeta. Ameaçados pela ação antrópica, os biomas brasileiros, como a Floresta Amazônica e o Pantanal, são vitais para o equilíbrio ambiental da América Latina e do mundo.

Edição: Maria Eduarda Vieira
 

Através da rastreabilidade você pode escolher os alimentos mais saudáveis no momento da compra


Representação de plantação rastreada. Imagem: ACCeasa.


Por Gabriel Barbosa

A rastreabilidade segundo o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) “é a habilidade de se rastrear qualquer alimento por todas as etapas de produção, processo e distribuição até chegar ao consumidor final”.

O termo pode ser novo, mas em breve fará parte da rotina da população. A Associação Brasileira de Supermercados (Abras) pretende implantar até o final deste ano, em 30% dos supermercados, o Programa de Rastreabilidade e Monitoramento de Alimentos (RAMA), em frutas, legumes e verduras produzidas no país.

Evolução do programa de rastreabilidade e monitoramento de alimentos. Imagem: RAMA


Como é feita a rastreabilidade?

O rastreio das informações de produção, transporte e comercialização de alimentos tem seus padrões básicos definidos pela norma ISO 22005. A norma diz que todos os detalhes da cadeia produtiva devem ser informados.

Alguns exemplos de informações cobradas são:
  • definição do produto e de seu lote;
  • dados sobre fornecedores e clientes;
  • etapas da produção do alimento e materiais utilizados no processo;
  • detalhes sobre o transporte, como distância percorrida e protocolos de recuperação dessas informações.

Cadeia de rastreabilidade. Imagem: Divulgação

Iasnaia Tavares, pós doutoranda em engenharia de alimentos declara que alimentos diferentes passam por processos de produção diferentes e mostram informações distintas. Carnes possuem informações sobre os animais que as originaram, como a alimentação; já vegetais contêm detalhes sobre adubos e agrotóxicos utilizados.

O surgimento de leis que determinam especificações no rastreio de certos alimentos, também influencia nas diferenças do processo de rastreabilidade, como a Instrução Normativa Conjunta n°02 de 2018, que tem como objetivo melhorar o rastreio do uso de agrotóxicos em vegetais frescos no país.

Os resultados desses rastreios chegam até o consumidor através de QR Codes, códigos de barras ou caracteres alfanuméricos nos alimentos como regulamentado pelo órgão responsável, a Associação Brasileira de Automação (GS1 Brasil).


Melões rastreados. Foto: Divulgação


Qual o impacto da rastreabilidade na vida do consumidor?

As informações trazidas pela rastreabilidade podem ajudar os consumidores no momento de escolha entre marcas e lotes, priorizando os alimentos bons para a saúde e para o planeta, como explica Lasnaia:
Com a rastreabilidade implantada no país, as pessoas vão poder ver todas as informações disponíveis sobre o produto na hora de comprá-lo, desde onde ele foi produzido até coisas específicas como a quantidade de agrotóxicos usada durante o plantio de um legume. Outro benefício é a facilidade das empresas em recolher lotes de alimentos com qualquer tipo de problema.
Um exemplo ocorreu em 2011 quando a Europa sofreu com um surto da bactéria Escherichia coli. A Alemanha afirmou que a bactéria provinha de pepinos infectados da Espanha, o que gerou embargos comerciais ao país e milhões de Euros de prejuízo.

Com o maior controle da cadeia de produção que a rastreabilidade traz, problemas como esse podem ser evitados ou tratados de forma mais simples no futuro.

Edição: Nayara Delle Dono

Agressões ao meio ambiente aceleram processo semelhante ao que matou os dinossauros