Saiba como é possível se divertir e ainda ajudar o meio ambiente

Campanha de camisinhas Sustain | Reprodução: VICE
Na geração dos nossos avós, falar sobre sexo era um tabu e não havia discussão em relação ao tema. Porém, no decorrer das décadas, ocorreram mudanças sociológicas e culturais que desmistificaram o que é a prática sexual, como também as formas de prevenção às doenças sexualmente transmissíveis.

Nos últimos anos, uma crescente preocupação com a preservação ambiental envolveu parte da consciência mundial. Assim, uma parcela da indústria dos sex shops têm se adaptado na produção de acessórios e preservativos “eco friendly”, os amigos ecologicamente corretos.

Camisinhas veganas e orgânicas


A camisinha ecológica é uma das alternativas sustentáveis desse novo mercado. Em 2014, Jeffrey Hollender e sua filha Meika desenvolveram uma camisinha vegana feita com látex orgânico, chamada Sustain. Jeffrey é colaborador do Greenpeace e co-fundador da Seventh Generation, empresa que distribui produtos ecológicos em supermercados nos Estados Unidos. E Meika, apaixonada pela saúde sexual e reprodutiva das mulheres, criou a primeira marca de produtos naturais relacionados à vagina.

Um dos motivos que levaram os dois a criar a camisinha eco friendly foram as substâncias cancerígenas presentes nas camisinhas tradicionais. Em 2014, um estudo feito pelo Reproductive Health Technologies Project, Projeto de Tecnologias de Saúde Reprodutiva, e pelo Center for Environmental Health, Centro pela Saúde Ambiental, mostrou que 16 de 23 camisinhas analisadas continham nitrosaminas, que são compostos cancerígenos produzidos a partir de nitritos e aminas.

Outra preocupação das camisinhas Sustain é a cadeia de distribuição dos produtos. A produção das camisinhas de látex é feita em larga escala, e na indústria tradicional, poucas empresas se preocupam com os impactos que isso causa. Ao invés de utilizar o composto orgânico final da produção para a adubação e recomposição dos solos, no meio tradicional, a madeira das seringueiras é vendida ou até mesmo queimada, o que emite gás carbônico e colabora com o aquecimento global.

Campanha de camisinhas Sustain | Reprodução: VICE
Em 2008, o governo brasileiro instalou a primeira fábrica do mundo que produz látex de seringueira nativa, chamada Natex, localizada em Xapuri, no Acre. Além de não utilizar matéria prima importada, a fábrica gera emprego para mais de quinhentas famílias da Reserva Extrativista Chico Mendes.

Durante 10 anos, a Natex correspondia a 20% da produção de preservativos distribuídos gratuitamente no Brasil. O Ministério da Saúde comprometeu-se a comprar cerca de 100 milhões de camisinhas produzidas pela fábrica, o que ocorreu no período de 2015 a 2016. Porém, em 2017, houve uma redução para 41 milhões de unidades, devido ao aumento no custo dos preservativos. Já em 2018, a fábrica estatal encerrou suas atividades e não há previsão de retorno para os próximos anos.

Vibradores, Chicotes e Lubrificantes ecológicos


A preocupação sustentável e o interesse pela educação sexual fizeram com que Sara Rodenhizer fundasse o primeiro sex shop ecológico do mundo. Localizado em Berlim, na Alemanha, o Other Nature fornece os mais variados produtos desse nicho com uma coisa em comum: a sustentabilidade.

Em entrevista à Agência Efe, Anne Bonnie Schindler, sócia e gerente da loja explica como surgiu essa ideia: “A princípio, o objetivo da loja era facilitar a prática do sexo exclusivamente através de produtos ecológicos, e depois decidimos fazer um ‘sex shop’ puramente vegano”.

Todos os produtos encontrados no sex shop sustentável não contém material de origem animal e não faz testes em animais. Além disso, o cuidado com a saúde dos consumidores é um valor importante na Other Nature, que não fabrica lubrificantes que contenham glicerina, alérgenos e parabenos, compostos potencialmente tóxicos e alérgicos para o organismo humano.

Os vibradores fornecidos pela loja são feitos de silicone biodegradável, ao invés de plástico, PVC e borracha. Já os lubrificantes atóxicos são à base d’água, livres de fragrâncias sintéticas, conservantes e produzidos a partir de extratos botânicos orgânicos e veganos.

Para os praticantes de BDSM, os chicotes e algemas são feitos no conceito upcycling, que visa reaproveitar a matéria inicial para recompor um novo produto, nesse caso, feitos com pneus de bicicleta. Assim, o consumidor não precisa se preocupar com o uso de couro, que colabora para a crueldade e exploração animal.

Outra marca que investiu no sustentável foi a Swan Vibes, com vibradores em formato de folhas e plantas. O diferencial da linha chamada Leaf é que esses vibradores são feitos 100% de silicone sem emendas e possuem bateria recarregável de lítio, o que evita o descarte acentuado de pilhas comuns. Além disso, esses produtos são totalmente impermeáveis, ou seja, têm uma maior durabilidade.

O desenvolvimento de produtos eróticos na linha eco friendly é uma nova tendência nos sex shops do exterior. Afinal, unir a ideia do ecologicamente correto junto ao sexo é o mesmo que sentir prazer de consciência limpa.


Edição: Bruna Tastelli

Sem um plano de governo claro e priorização da agricultura, meio ambiente sofre desmonte

Jair Messias Bolsonaro, 38º presidente do Brasil
Jair Messias Bolsonaro, 38º presidente do Brasil (Foto Amazônia: iStock/ThinkStock. Foto Bolsonaro: AFP/Arquivos)
Desde sua campanha, o atual presidente Jair Bolsonaro não possui propostas concretas para o meio ambiente e vem priorizando a agricultura. Com alguns meses de governo, isso provou ser uma realidade de sua gestão. Antes mesmo de ser eleito, uma de suas medidas era submeter o Ministério do Meio Ambiente ao da Agricultura. Por pressão de ambientalistas e, até mesmo de agricultores, Bolsonaro recuou. Marca de seu mandato, recuos são recorrentes em diversos âmbitos.
Discursos ao longo dos seus 27 anos de mandato como deputado federal raramente abrangiam a área ambiental. Constantemente priorizava o setor da agricultura e ações negativas para o meio ambiente. Como presidente, toma uma postura de revisionismo e negação, seguindo o perfil de Donald Trump, atual governante dos Estados Unidos.
Seu escolhido para o Ministério do Meio Ambiente foi o advogado Ricardo de Aquino Salles. Ex-secretário do meio ambiente de São Paulo no governo de Geraldo Alckmin. Acusado pelo Ministério Público de fraudar o Plano de Manejo da Área de Proteção Ambiental da Várzea do Rio Tietê, em 2016, quando era secretário estadual, foi condenado no final de 2018 pela Justiça de SP por improbidade administrativa.
Esvaziamento do Ministério do Meio Ambiente

Ricardo Salles, ministro do meio ambiente no governo de Jair Bolsonaro (Foto: Nacho Doce/REUTERS)
Uma das primeiras ações tomadas por Jair Bolsonaro ao ser eleito foi alterar a configuração ministerial por meio de medidas provisórias. As mudanças realizadas enfraqueceram fortemente o Ministério do Meio Ambiente, assim como o setor ambiental por inteiro. Além disso, 22,8% dos recursos do Ministério foi congelado. Eram previstos 821 milhões reais para a pasta. Foram disponibilizados pouco mais de 634 milhões.
Serviço Florestal Brasileiro e Cadastro Ambiental Rural
O Cadastro Ambiental Rural (CAR) é um registro eletrônico obrigatório para imóveis rurais com o objetivo de formar uma “base de dados estratégica para o controle, monitoramento e combate ao desmatamento das florestas e demais formas de vegetação nativa do Brasil, bem como para planejamento ambiental e econômico dos imóveis rurais”.
A gestão do CAR é feita pelo Sistema Florestal Brasileiro, órgão responsável pelas reservas naturais brasileiras, que são essenciais para frear ações de desmatamento e crimes ambientais, ambos foram transferidos para o Ministério da Agricultura. Ação contraditória que pode beneficiar agricultores e facilitar infrações ambientais.
Agência Nacional de Águas (ANA)
Transferida para o Ministério do Desenvolvimento Regional, a ANA assegura a lei da Política Nacional de Recursos Hídricos, que tem como principal objetivo a regulamentação do uso das águas da União, garantido a qualidade e evitando a poluição e desperdício. 
Demarcação de terras indígenas e quilombolas
Anteriormente responsabilidade da Funai e do Incra - os dois órgãos nunca fizeram parte do Ministério do Meio Ambiente, mas são de grande importância para o setor -, as demarcações foram incorporadas ao Ministério da Agricultura. Em vista das diversas ocorrências por conta de terras demarcadas - na maioria dos casos, crimes contra indígenas cometidos por agricultores - e interesses dos agricultores, é uma mudança incoerente. 
Dados atestam a falta de coerência: segundo o relatório do PPCDAM - Plano de Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia, do período entre 2012 e 2015, o desmatamento em terras indígenas “em relação ao total desmatado na Amazônia, em geral, não ultrapassa 3%”.
Metas de 100 dias de governo
O Ministério do Meio Ambiente possuía duas metas para alcançar nos primeiros 100 dias de governo:

Trecho das metas nacionais prioritárias para os 100 primeiros dias de governo (Fonte: Casa Civil)
O começo do ano de 2019 foi marcado por diversas tragédias e crimes ambientais. As diversas chuvas que assolaram as mais variadas regiões do Brasil causaram enormes estragos. Enquanto isso, nada se discute sobre a situação do clima e não há a definição de uma política nacional de mudanças climáticas. Atualmente, a agenda climática é inexistente. A secretaria dedicada ao clima foi extinta - Secretaria de Mudanças do Clima e Florestas - e passou a se chamar Secretaria de Florestas e Desenvolvimento Sustentável. Dos 10 cargos da secretaria, apenas 3 estão ocupados.
Outro marco do ano até o momento é o rompimento da barragem da Vale em Brumadinho. Maior crime ambiental dos últimos tempos no Brasil teve poucas consequências para os responsáveis. A perda para o meio ambiente foi gigantesca com a contaminação da bacia do Rio Paraopeba e matou uma quantidade enorme de pessoas. 
A pressão do governo federal em relação a esse acontecimento foi mínima. Ocorreu apenas um sobrevoo de helicóptero pela área afetada e mensagens de solidariedade. Nenhuma medida concreta realizada. Sequer houve o endurecimento da fiscalização e controle de barragens.


Edição: Bruna Tastelli
Está no ar mais um: Ambientalidades!
Um ponto de encontro dos estudos com a informação e meio ambiente.




Essenciais na produção de frutos, legumes e desenvolvimento da maior parte das plantações, as abelhas que todos conhecemos, estão morrendo. Albert Einstein já havia alertado: sem elas a humanidade sobreviveria por apenas mais quatro anos e um efeito em cadeia geraria a extinção das plantas, dos alimentos, dos animais e de toda a vida no planeta Terra.



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Participaram desta edição:
Reportagem: Giovana Matos Moraes, Giovanna Romagnoli e Rebeca Almeida
Produção: Mariana David, Milena Almeida, Letícia Alves e Rafael Rodrigues
Edição: Milena Almeida e Letícia Alves
Trabalhos técnicos: Jair de Oliveira

Governo municipal de Bauru pretende flexibilizar a lei para implantação de prédios públicos

Foto: Repórter Unesp


Bauru é um município cuja área total é de 667.684km², e, desse território, somente 1% é ocupado pelo bioma Cerrado, o que dá cerca de 6.700km² ou 938 mil campos de futebol - uma área humanamente grande, mas naturalmente pequena, se comparada à grandeza de origem do ecossistema. 

De acordo com o Plano Municipal de Conservação e Manejo da Mata Atlântica e do Cerrado, protocolo realizado numa parceria entre a prefeitura e a SOS Mata Atlântica para promover a conservação municipal, os remanescentes da vegetação são encontrados no sudeste da cidade em áreas protegidas e abrigam a maior diversidade da fauna. Além disso, a Conservation Internacional já incluiu o Cerrado na lista de “hotspots”, o que significa que, embora seja uma região rica em biodiversidade, ele está ameaçado.
A Lei do Cerrado
Para proteger a savana regulamentou-se a lei n° 13.550 em junho de 2009, conhecida hoje como Lei do Cerrado. A norma trata, num aspecto geral, sobre “A conservação, a proteção, a regeneração e a utilização do Bioma Cerrado no Estado [de São Paulo]”, conforme descrito no artigo 1° da própria lei. Nela, disserta-se sobre as fisionomias que o Cerrado apresenta, dividindo-as em quatro: cerradão, cerrado “stricto sensu”, campo cerrado e campo, no entanto, a regulamentação trata apenas das duas primeiras. 

Cobertura Vegetal em Bauru e seu Entorno - Cerrado |Fonte: Biota/Fapesp, Centro de Referência em Informação Ambiental, 2001.]






[Cobertura Vegetal em Bauru e seu entorno - Cerradão |Fonte: Biota/Fapesp, Centro de Referência em Informação Ambiental, 2001.]

No artigo 3°, o qual está atualmente em processo de modificação, especificam-se as atividades que podem ser manejadas na área, sendo que elas podem ser de utilidade pública ou interesse social. Na aba da utilidade pública, são autorizadas, principalmente, obras de infraestrutura e segurança, além de se inserir a pesquisa arqueológica e a proteção sanitária no ramo do interesse social, por sua vez, roga-se pela integridade da plantação nativa e o manejo agroflorestal, permitem-se instalações para a captação e condução de água e são autorizadas a pesquisa e a extração de recursos minerais. Agora, também no aspecto de interesse social, pretende-se abrir a lei para a implantação de instituições do regime público no ramo educacional e no ramo administrativo da justiça.
Ademais, a Lei do Cerrado regimenta a supressão de vegetação, limitando-a, a fim de evitar o desmatamento do bioma. Nesse sentido, não é permitido modificar locais que comportem espécies da flora e da fauna ameaçadas de extinção, exerçam o papel de proteger aquíferos e mananciais e constituem corredores entre remanescentes de vegetação primária ou secundária. Proíbe-se, inclusive, de mudar aqueles lugares que estão em zonas ao redor de unidades de conservação, que possuam valor paisagístico ou estejam situados em territórios cuja finalidade é de conservar, preservar ou realizar pesquisa científica, de acordo com o artigo 4°.
A revisão
Em processo desde 2016, a partir do Projeto de Lei n° 932, a revisão já foi iniciada, a partir da demanda da Câmara Municipal de Bauru, e interrompida em 2018. Agora, o mesmo andamento está sendo retomado, dessa vez sob a solicitação do prefeito Clodoaldo Gazzetta (PSD) e do deputado estadual Celso Nascimento (PSC). 
Vale lembrar que a lei já passou por outros processos de revisão, também relacionados ao artigo 3°, que liberaram a extração e pesquisa de recursos minerais e autorizaram as instalações relacionadas com a administração das águas do bioma. Agora, o foco está relacionado com a implementação de prédios públicos para desenvolvimento social.
Na ata de justificativa para a autenticação da lei admite-se que “a proposta não objetiva afastar a degradação do cerrado, mas, inserir nas hipóteses excepcionais de utilidade pública e de interesse social”, conforme inscrito na PL 932/2016. Diante disso, a ONG SOS Cerrado Bauru, que desde 2008 age com fins de proteção ambiental do Cerrado na região bauruense, posiciona-se contrariamente: “Somos contrários a qualquer modificação no bioma, pois, de acordo com um estudo de 2013 do Instituto Florestal, que é vinculado à Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo, inicialmente havia cerca de 14% do território coberto por vegetação do Cerrado e hoje, resta apenas menos de 1% de toda a área original. Existem pessoas que julgam a posição dos ambientalistas como radical, entretanto, nós concordamos que radical é ter menos 1% do bioma e querer desmatá-lo.”, disse Erik Mulado, integrante da organização.
O deputado estadual Celso Nascimento, autor da alteração argumenta favoravelmente à intervenção registrando que “em tais casos há um interesse da coletividade em relativizar a proteção abrindo mão desta em benefício do desenvolvimento social e econômico de todos. Por último, também, excepcionalmente, admite-se a utilização dessas áreas em casos de intervenções de baixo impacto ambiental”, de acordo com o decreto de dezembro de 2016. O site da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo informa que o documento está atualmente arquivado desde o último andamento, feito em 15 de maio de 2019.

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Edição: Bruna Tastelli

Entenda mais sobre a medida tomada pelo governo brasileiro

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(Imagem: Reprodução/Portal T5)


No início do mês de abril foi anunciado, através do porta-voz da presidência da república, que o horário de verão seria suspenso esse ano. Otávio Rêgo Barros, o porta-voz, afirmou de primeira que essa decisão é apenas para o ano de 2019 e que os próximos anos ainda estariam sujeitos a avaliação sobre manter ou não o horário, porém, no fim de abril, ao contrário do que fora dito inicialmente, o governo declarou fim indefinido do horário de verão.

Para que serve o horário de verão e quando ele surgiu.

Implantado no Brasil pela primeira vez no ano de 1931 pelo então presidente Getúlio Vargas, tinha uma duração de cinco meses e ocorreu durante nove anos até 1967 sem nenhum critério científico certo, dezoito anos após o fim do horário ele voltou a ser implantado em 1985/1986 em uma ação do governo tomada devido ao racionamento que ocorria pelo baixo nível nas hidrelétricas. Desde então ele vinha sendo adotado anualmente em regiões específicas do país, como Sul, Sudeste e Centro- Oeste.

O porquê do seu fim.

Depois de trinta e quatro anos de funcionamento o horário foi revogado, pois, de acordo com uma pesquisa do Ministério de Minas e Energia (MME) ele não atingia sua principal motivação: a economia de energia. Entre 2010 e 2014 a economia para os consumidores foi de R$ 838 milhões, mas nos últimos anos a rotina de consumo de luz mudou e a economia diminuiu fazendo com que os números apenas se mantivessem estáveis, sem alteração. Devido a isso o MME recomendou ao presidente que o horário fosse revogado já que para o setor elétrico ele havia perdido sua razão de ser aplicado.
Segundo o deputado João Campos (PRB-GO), que apresentou a proposta no senado, a economia de energia era menor do que os danos que a mudança de horário causava. Não é comprovado nenhum benefício ocasionado pela mudança, pelo contrário, a nossa temperatura corporal se modifica durante o dia e vários hormônios sobem para que possamos acordar, com o horário de verão há uma quebra desse acontecimento.

O que diz a população.

Em entrevista com trabalhadores e estudantes procuramos saber qual o efeito do horário de verão sobre seus corpos, se eles se sentem incomodados e se essa mudança acarretará em algo na sua rotina. Alguns trabalhadores comentam que a mudança não aparenta causar nenhum efeito maléfico em seu corpo ou em sua saúde e que normalmente não atrapalha a jornada de trabalho. No entanto, a analista técnica Rozenilda Alves afirma que afeta na parte da iluminação: “as cinco e meia da manhã costuma ficar mais escuro no horário de verão. Já fui assaltada nesse período”, ela acredita que o fim do horário apenas a proporcionará algumas horas a mais de sono.
Vanessa Moraes, estudante de jornalismo da Unesp de Bauru, relatou ao Impacto que mesmo que o horário de verão cause cansaço, principalmente para aqueles que têm uma rotina matutina, a decisão afetará na economia de energia e no dia a dia de pessoas como ela que usavam esse horário para caminhar ou aproveitar o restante da luz do dia. “Eu acredito que a importância do horário se dá devido a utilização da luz solar de diversas maneiras’’, comenta a estudante.
(Vanessa Moraes/Foto: Ana Beatriz Nóbrega)
O ano de 2019 será o primeiro em 38 anos em que o horário não será aplicado, e apesar da mudança é preciso saber que a medida por mais que seja indefinida pode ser alterada se uma nova proposta mostre que trará benefícios ao setor elétrico. Existe a possibilidade de que em um futuro próximo o horário de verão, usado de maneira correta e com a colaboração de todos os consumidores, volte a ajudar na economia de energia de modo que beneficie tanto o bolso da população como também o meio ambiente através das usinas hidrelétricas e as diversas fontes de energias que possuímos.  

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Acompanhe tudo que rolou nesta edição da Semana Integrada do Meio Ambiente de Bauru


As crianças se divertiram conhecendo o Jornal durante a SIMAB. Foto: Maria Eduarda Vieira


A cerimônia de abertura da Semana Integrada do Meio Ambiente de Bauru (SIMAB) ocorreu na segunda-feira (03/06), na sala 1 da Unesp. O evento teve a presença do prefeito Clodoaldo Gazzeta, dos secretários do Meio Ambiente e de Planejamento Urbano, junto a organizadores e parceiros.

Para dar o pontapé inicial, o coral infantil da Casa de Criança “Madre Maria Teodora Voiron”, coordenado pela ABDA (Associação Bauruense de Desportes Aquáticos), cantou músicas sobre o meio ambiente, promovendo assim a causa sustentável de forma artística. As crianças vieram do Jardim Eugênia justamente para cantar na abertura da SIMAB. A coordenadora da Casa da Criança, Erica Albierre destaca que isso é um marco para o grupo “Sempre tivemos esse sonho, pro desenvolvimento das crianças isso é muito importante”.

A Secretária de planejamento, Letícia Rocco Kirchner atua na área de planejamento urbano e preparou uma palestra sobre cidades sustentáveis para o público. Esse tema é a discussão central da SIMAB deste ano, o que significa a adoção de políticas públicas para a cidade, levando em consideração o planejamento sustentável.

Durante a palestra, Letícia abordou aspectos que dizem respeito às medidas públicas para que Bauru seja mais sustentável. Para ela, a implementação de normativas conduz e incentiva a cidade nesse caminho. Mas para que isso seja feito, é preciso que haja políticas de adaptação das ruas. Como por exemplo, a adequação de vias acessíveis e sustentáveis, com drenagem para contenção de água e em meio a áreas verdes, para que todas as pessoas possam transitar com tranquilidade.

O Secretário do Meio Ambiente, Sidnei Rodrigues também esteve presente no evento. Para ele, a SIMAB é importante pois tem um caráter educacional. “Percebo que havia um momento que a SIMAB acontecia apenas no meio acadêmico. Quando abriu para as instituições e empresas participarem a gente chegou numa reflexão maior: “O que fazer com os problemas que temos?” Isso porque não tem como travar o desenvolvimento. A partir daí as pessoas foram se conscientizando, foram aparecendo normas legais que buscam preservação do meio ambiente, e com isso aumentou o engajamento das pessoas”.

A Secretária do Meio Ambiente de Bauru foi responsável pela organização da SIMAB. (Foto: Giovana Moraes)


O segundo dia da SIMAB foi agitado. Logo pela manhã, na terça-feira, estivemos na Universidade de São Paulo (USP), para acompanhar a campanha contra o desperdício de alimentos no Restaurante Universitário do campus de Bauru. 

O evento foi realizado em parceria com o programa USP Recicla, que organiza a Semana do Meio Ambiente (SMA) da faculdade, que ocorre na mesma data da SIMAB. Assim que os alunos terminavam suas refeições, passavam por uma pesagem da bandeja, a fim de fazer um levantamento da quantidade de alimentos desperdiçados. Para promover a conscientização acerca desse tema, a equipe distribuiu arranjos florais com mensagens sobre sustentabilidade por todo restaurante.
Segundo a professora de bioquímica e coordenadora do programa, Ana Carolina Magalhães, as atividades desenvolvidas com os alunos da graduação  são, “momentos oportunos para reflexão, não só para questões ambientais mas também aquelas que envolvem a sociedade.”

Também no segundo dia da SIMAB, ocorreu a palestra “Os crimes ambientais do cotidiano e a atuação da Polícia Militar Ambiental” ministrada pelo Cabo PM Leandro Marcomini. A atividade foi sediada pelo SESI Bauru e teve como público os alunos do ensino médio SESI 358 do período da manhã.

Os crimes ambientais são irregularidades em carvoarias, madeireiras ilegais, tráfico de animais, desmatamento ilegal, caça por esporte, manter animais silvestres em cativeiro ou sem autorização, descarte incorreto do lixo em rios, mares ou terrenos e maus tratos a animais domésticos, entre outros. Além disso, a Polícia Ambiental também também trabalha na conscientização e educação da população, por meio de palestras e compartilhamento de informações.

O cabo Marcomini pontua que o desenvolvimento sustentável é baseado em um tripé: o social, o econômico e o ambiental. Quando este tripé está em equilíbrio, todos saem ganhando. Junto a isso, ele oferece algumas dicas sobre levar o conceito sustentável na prática, como reuso da água, piso ecológico, captação de água da chuva, teto solar, plantio de árvores na calçada e o descarte correto do lixo, utilizando por exemplo, os ecopontos, onde várias famílias tiram seu sustento.

Cabo PM Marcomini relata a importância de ações em prol da conscientização. Foto: Vanessa Pinto Moraes

A punição para os crimes ambientais vão desde de multas até prisões, lembrando que qualquer um pode ser infrator ambiental. As denúncias podem ser feitas no número 3103-0150, essa é a central da Polícia Militar Ambiental segunda companhia.

O terceiro dia (05/06), aconteceu uma palestra sobre o uso dos plásticos, no anfiteatro de educação da Unesp de Bauru. A palestra foi ministrada por uma professora que abordou a problemática do uso de plásticos no mundo, considerando que seu consumo aumentou ao longo dos anos.

Um ponto importante da palestra foi quando a discussão entrou na questão de sensibilização da população. Para ela, a temática ambiental e sustentável demorou para ter relevância na sociedade e isso gerou um atraso na educação ambiental.

Porém, para algumas pessoas isso faz parte do cotidiano. É o caso de Maria Madalena, que veio Cerquilho, cidade de cerca de 40 mil habitantes, para participar da Simab. Maria recicla o lixo que coleta nos condomínios de Cerquilho e, com isso, consegue juntar uma renda mensal, “A gente coleta o lixo e leva diretamente para uma cooperativa da cidade. Também recolho óleo usado para reutilizar na fabricação de ração de cachorro e papelão. Com esse trabalho consigo uma renda mensal. Por meio disso eu vivo muito bem. Por meio da reciclagem há muita coisa que dá pra aproveitar”.


O Impacto Ambiental esteve presente em diversos eventos da SIMAB. (Foto: Giovana Moraes)
Na última sexta-feira, dia 7, a SIMAB promoveu uma feira de projetos a fim de apresentar para as escolas de Bauru todas as instituições parceiras da prefeitura. O evento foi realizado no espaço de exposição do Poupatempo, começou às 8:00 e encerrou às 16:00.

Quando o assunto é meio ambiente, Bauru está repleta de projetos que promovem a sustentabilidade. Estavam presentes o “Bio na Rua”, o pessoal do Jardim Botânico e do Zoológico Municipais, o DAE (Departamento de Água e Esgoto). Também estiveram presentes o SESI Bauru e o Seicho-no-ie. A reunião dos projetos, em um mesmo local, proporcionou o intercâmbio de conhecimentos e vivências entre seus membros.

No período da tarde, a Feira Ambiental de encerramento da SIMAB prosseguiu com as visitas das escolas de ensino fundamental e médio e da população presente no Poupatempo.

USP Recicla compareceu trazendo informações sobre o projeto da Universidade de São Paulo, que promove ações de reciclagem e de consumo responsável dentro do campus. Eles levaram exemplos do adubo desenvolvido a partir de resíduos orgânicos.

O projeto Impacto Ambiental interagiu com as crianças e os adolescentes com suas plaquinhas de tirar fotos e com os jornais e os saquinhos de girassóis que foram distribuídos como brindes. Além de se divertirem com os brindes, o público conheceu um trabalho realizado na Unesp de Bauru, por consequência dos saguis dentro do campus.


Estudantes tiram fotos temáticas do Impacto. (Foto: Fernanda Pereira)
O Jardim Botânico promoveu a campanha “Eu curto sagui: ele lá, eu aqui”, na qual aborda a importância de não alimentar esses animais. Saguis possuem uma alimentação restrita e não necessitam de alimentos industrializados dos humanos, pois estes podem causar diabetes e aumento no colesterol deles. A troca não é benéfica, já que os saguis transmitem raiva e os humanos herpes, sendo um risco um para o outro.

Seguindo a proposta educativa, o Zoológico Municipal trouxe o cardápio de alguns animais que se encontram lá. Desenvolveram um jogo em que o público precisava acertar a alimentação do tamanduá, tucano, lobo-guará, mico-leão-dourado e da onça.

Após a explicação do tipo de alimentação, as pessoas que passavam por lá puderam apreciar ossos dos crânios dos animais comentados e uma figura representativa de um tamanduá de verdade.
As crianças tiveram momentos de brincadeiras com o SESI, em uma brincadeira intuitiva e dinâmica chamada “Aventuras do Ieté em busca do tesouro”. O jogo tinha como objetivo fazer com que elas entendessem melhor o percurso da água antes de chegar em suas residências, por meio da personagem Ieté.

Os estudantes jogavam um dado e andavam pelo mapa no chão, ajudando Ieté a achar o tesouro. A partir disso, eles aprenderiam a importância da preservação da água no planeta e quais os problemas enfrentados pelos rios até chegar em nossas torneiras.

O público pôde ainda aprender um pouco mais com a Secretaria do Meio Ambiente (SEMMA) sobre o Telhado Ecológico. Foi realizada uma exposição da maneira que é feito o telhado com solos e jardins e o porquê deles serem importantes para a coleta de água da chuva. Podendo, inclusive, melhorar a situação de enchentes na cidade de Bauru e em todo o mundo.

Stand de Microbiologia. Foto: Eduardo Moreira


Ao longo da feira, o Impacto conversou com os estudantes de Biologia do projeto “Bio na Rua”. Iniciativa de divulgação científica, que tem por objetivo levar informações sobre as ciências biológicas para população. Desde 2012 a Comissão Organizadora do Bio na Rua, em parceria com o Centro Acadêmico de Biologia da Unesp de Bauru (CABIO), aproxima a ciência das pessoas. 

Durante um dos stands, aprendemos sobre a permacultura e como ela é capaz de reduzir os impactos ambientais causados pelo homem. Esta é um sistema que planeja para que o design seja uma simulação ou um espelho diretamente ligado aos padrões e características observados na natureza.
O método foca em pensamentos e ações de princípios ecológicos, que podem ser utilizados para criar e gerir a vida de maneira mais sustentável.

Foto do “Bio na Rua” sobre educação sexual. Foto: Rafaela Thimoteo

A estudante do curso de Biologia, Fernanda Borges, participou da bancada de Educação Sexual que abordou várias questões como: prevenção a gravidez, DSTs, abuso sexual de crianças e adolescentes, machismo, homofobia, transfobia e racismo. 

A bancada também abordou a relevância da camisinha, desconstruindo mitos sobre resistência e sensibilidade do preservativo. Além disso, falou do consentimento e da violência sexual. “Infelizmente vivemos numa sociedade que não respeita as mulheres, LGBTs e negros, então a gente tem que sempre estar reforçando o respeito e a igualdade”, diz Fernanda.

De acordo com a estudante, é essencial trazer o conhecimento científico produzido nas universidades para a população. É uma devolutiva dos estudantes para a sociedade. Segundo Fernanda, “o Bio na Rua é muito importante por estar atrelado à SIMAB e vincular a questão do meio ambiente com a biologia, trazendo temas tão diversos”. Isso facilita o acesso das pessoas a esse tipo de informação.

Todos os anos a SIMAB ocorre na primeira semana de Junho. Este ano já acabou mas em 2010 tem mais.

Edição: Giovana Fotopoulos, Giovana Moraes e Anna Paola
Repórteres: Ana Nóbrega, Maria Eduarda Vieira, Giovana Moraes, Receba Almeida, Rafaela Fernanda, Mariana David, Rafael de Almeida, Fernanda Fernandes, Eduardo Moreira e Gabriel Delgado




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Na segunda edição do nosso podcast, discutimos as questões e o contexto dos Rompimentos das barragens e seu impacto social e ao meio ambiente. Aqui você encontra um pouco de História, Geografia e Política. 



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Participaram desta edição:
Reportagem: Gabriel Delgado, Giovanna Fotopoulos, João Macruz e Letícia Alves e Mariana David
Produção: Mariana David, Milena Almeida e Rafael Rodrigues
Edição: Milena Almeida e Letícia Alves
Trabalhos técnicos: Jair de Oliveira
Entrevistados: Aloísio Costa Sampaio e Osmar Cavassam