Fala polêmica na reunião ministerial pode tirar o ministro da pasta


Entenda os ciclos e as formas de prevenção das zoonoses mais comuns no Brasil


Foto: lejournalinternational.info


Zoonoses são doenças compartilhadas entre animais e seres humanos. Esta classificação, proposta pela Organização Mundial da Saúde (OMS), engloba mais de 200 patologias, sendo causadas por bactérias, fungos, vírus, protozoários e alguns tipos de parasita.

As doenças zoonóticas possuem ciclos complexos de transmissão, que tem início de forma direta, pelo contato com secreções infectadas, ou indireta, pela ação de vetores ou pela ingestão de água e de alimentos contaminados.

O novo coronavírus, Sars-CoV-2, também pertence à classe de zoonoses, tendo o morcego como o seu hospedeiro originário. Os cientistas acreditam que o vírus sofreu diversas alterações até chegar na forma capaz de infectar o ser humano.

Mutações genéticas ocorrem de forma espontânea e natural, mas, no caso das zoonoses, a transmissão entre diferentes espécies potencializa a ocorrência dessas mutações. Elas tornam os agentes patológicos cada vez mais resistentes e adaptáveis.

Por conta disso, as doenças zoonóticas são uma questão de saúde pública. No Brasil, elas são cuidadosamente estudadas pelas Unidades de Vigilância de Zoonoses, cujas responsabilidades envolvem mapear casos e estimular medidas preventivas, como vacinas.

De acordo com os professores Helio Langoni e Cassiano Victória, especialistas em Zoonoses e Saúde Pública, as alterações antrópicas feitas nos habitats naturais de hospedeiros e vetores zoonóticos, assim como a agricultura intensiva e a monocultura, promovem a inclusão do ser humano em novos ciclos de zoonoses. Por exemplo, a mudança de hábitos de roedores e de morcegos não-hematófagos é responsável por inserir a leptospirose e a raiva nos grandes centros urbanos.

Alguns exemplos de zoonoses comuns no Brasil são:

Raiva

Com nível de mortalidade próximo de 100%, a raiva é uma das zoonoses mais graves. A infecção viral é causada por patógenos da família Rhabdoviridae, que provoca febre, dor de cabeça, salivação excessiva, espasmos musculares e, em casos avançados, inflamações no cérebro, confusão mental, agitação excessiva e morte.

O contágio se dá pelo contato com a saliva de cães e morcegos doentes. Assim, no ambiente doméstico, a vacina é o melhor meio de prevenção.

Leishmaniose



Esquema gráfico do ciclo da leishmaniose visceral canina. Foto: noticiasimais.com.br


A leishmaniose é um tipo de zoonose que atinge tanto seres humanos como animais, sendo considerada uma anfixenose. Transmitida através da picada de mosquitos do gênero Lutzomyia, o “mosquito-palha”, os agentes infecciosos da leishmaniose são protozoários do gênero Leishmania. A zoonose pode manifestar-se de três formas:

  • Leishmaniose cutânea: tipo mais comum de leishmaniose. Ocorre pela infecção causada pela picada do mosquito-palha, que promove o aparecimento de lesões indolores.
  • Leishmaniose mucocutânea: mais agressiva que a manifestação anterior, provocando a abertura de grandes feridas e o comprometimento de mucosas nasais e bucais.
  • Leishmaniose visceral: responsável por afetar o baço, fígado e medula óssea, esse tipo de leishmaniose, por se apresentar assintomática, pode ser fatal em casos graves.

Leptospirose

A leptospirose é uma doença causada por bactérias do gênero Leptospira, encontradas, predominantemente, em roedores. O contágio ocorre com a exposição de mucosas ou feridas na pele a fezes, urina ou água contaminadas. Os principais sintomas são dores musculares, dor de cabeça, náuseas e alterações urinárias e hepáticas.

Ancilostomíase

A ancilostomíase, conhecida popularmente como “bicho geográfico”, é caracterizada por marcas deixadas pelas larvas dos tipos Ancylostoma braziliense e Ancylostoma caninum na pele da pessoa infectada. A transmissão ocorre por meio do contato direto com fezes contaminadas de gatos e cães. É chamada de dermatozoonose, devido à sua manifestação na pele. Além das marcas, a ancilostomíase também gera coceira, lesões e irritação.

Doença de Chagas

Esquema gráfico do ciclo da doença de Chagas. Foto: www.oestadonet.com.br

A doença de Chagas é classificada como uma metazoonose, pois seu ciclo requer a presença de um hospedeiro invertebrado — o percevejo “Barbeiro”. A transmissão do protozoário Trypanosoma cruzi ocorre através das fezes do percevejo, causando uma coceira que auxilia na penetração dos dejetos na pele.

O contágio pode ocorrer de mãe para filho, por transfusão de sangue ou pela ingestão de águas e alimentos contaminados. Os principais sintomas da doença de Chagas são febre, dores nos músculos e abdômen, “palpitações” no coração e inchaço nos gânglios.


Edição: Anna Araia

Limpeza de embalagens e alimentos se torna ainda mais essencial em época de pandemia


Está no ar o 8° episódio do podcast do Impacto Ambiental! 

Arte: Vitória Menezes

Confira algumas obras que reafirmam a importância da natureza para a humanidade em tempos tão complexos


Arte: Mateo Andres


Uma das consequências da pandemia de COVID-19 é muitas pessoas estarem em casa buscando entretenimento. Ver filmes é uma ótima opção, já que a sétima arte possibilita o contato com grandes histórias. Caso você queira recomendações, aqui vai uma lista de seis filmes sobre meio ambiente para assistir na quarentena.

1. Oceanos de Plástico (2016)

Foto: Craig Leeson.


O documentário mostra o impacto do descarte irresponsável de plástico em oceanos, na vida marinha e em diferentes cidades do mundo. Aborda algumas alternativas para reduzir esse problema alarmante. Apesar de ter sido produzido por estadunidenses, o trabalho fantástico de conscientização do filme preocupa-se em mostrar outras perspectivas além da ocidental.

Disponível na Netflix.

2. O Homem Urso (2005)

Foto: Reprodução


O documentário analisa a vida e a morte do controverso ambientalista Timothy Treadwell, defensor dos ursos pardos na região do Alasca. A história intrigante questiona o protagonista como sendo irresponsável ou protetor do ecossistema. As filmagens foram feitas pelo próprio Treadwell.

Disponível para aluguel no Google Play e no Youtube.

3. Virunga (2014)

Cuidador brinca com um dos gorilas habitantes do parque. Foto: Associated Press/Netflix


O documentário mostra a luta dos guardas do Parque Nacional de Virunga, no Congo, para proteger os gorilas nativos e a região, em meio à crise política e invasão de uma empresa petrolífera interessada em explorar o local.

O filme traz uma visão diferente do Congo ao focar nos sonhos, nas esperanças e na coragem das pessoas em arriscar suas próprias vidas para proteger os animais.

Disponível na Netflix.

4. Uma Mulher em Guerra (2018)

Halla em um dos melhores momentos do filme. Foto: Reprodução/Jour2Fête


O filme conta a história de Halla, uma ativista ambiental envolvida na guerra contra a indústria de alumínio, para proteger o ambiente. Suas ações são ousadas, mas tudo muda com uma carta inesperada.

O relato é corajoso ao abordar o perigo do aquecimento global e a maneira que a atividade industrial influencia nisso. Outra pauta relevante que é abordada durante o filme é a importância do ativismo para barrar ações prejudiciais ao meio ambiente.

5. Nausicaä do Vale do Vento (1984)

Nausicaä em seu planador. Foto: Studio Ghibli


Em um futuro alternativo da Terra, a princesa Nausicaä mobiliza o seu povo contra o exército de uma rainha má. Os recursos naturais da Terra esgotaram e há a necessidade do uso de máscaras, por conta da alta poluição. A obra mostra que a natureza e os animais são essenciais para a vida humana e merecem ser tratados com amor e respeito, não crueldade.

Disponível na Netflix.

6. Princesa Mononoke (1997)

Mononoke montada em Moro, deusa dos lobos. Foto: Studio Ghibli


Em Princesa Mononoke, acompanhamos Ashitaka, um príncipe em busca da cura para sua maldição. Durante a sua jornada, ele conhece Mononoke, uma humana que vive junto de deuses-lobo protegendo a floresta de uma colônia mineradora. O povoado da colônia prática ações predatórias contra o meio ambiente.

A aventura possui uma mensagem ecológica muito forte. Aponta como a ganância cega o ser humano de forma que ele só percebe o estrago causado à natureza quando é tarde demais.

Disponível na Netflix.

Gostou das sugestões? Se quiser mais, o site do Impacto Ambiental oferece várias opções de filmes e documentários para a quarentena.


Edição: Anna Araia

Os calçados têm ajudado a criar impacto devido à sua sustentabilidade

Arte: Mateo Andres

Entenda como o desaparecimento do buraco no Hemisfério Norte foi causado por um vórtice polar


Representação da passagem de raios ultravioleta na região do buraco na camada de ozônio. Arte: Vitória Menezes


De acordo com o Serviço de Monitoramento de Atmosfera Copernicus (CAMS), da União Europeia, no final de março surgiu um grande buraco na camada de ozônio, na região ártica. O buraco correspondia ao tamanho de três Groenlândias, o maior registrado nos últimos nove anos. O fenômeno foi decorrente de um vórtice, ou vórtex, polar, acontecimento atípico no Hemisfério Norte.

O vórtice polar consiste em um redemoinho de ventos frios, sendo formado na área da estratosfera, que condensa cerca de 90% do ozônio atmosférico. A combinação harmônica  e rara  de correntes de ventos com temperaturas mais baixas do que o normal foram responsáveis pela criação de um ambiente ideal para a ocorrência do efeito.

A reação do vórtice polar com as moléculas de bromo e clorofluorcarbonos (CFCs), presentes na atmosfera, devido à queima de combustíveis fósseis e à atividade industrial, propiciaram a abertura e manutenção do buraco por quase um mês.


Efeitos de diferentes raios UV. Foto: blog.uvline.com.br


A camada de ozônio é responsável por barrar a passagem de raios ultravioleta do tipo B (UV-B). Quando em excesso, os raios podem desencadear câncer de pele, danos à visão humana e, até mesmo, o desequilíbrio de ecossistemas animais.

Segundo o pesquisador especialista em radiações UV e na camada de ozônio, do Instituto de Pesquisas Espaciais (INPE), Plínio Alvalá, uma consequência da formação do vórtice seria o “aprisionamento de ventos ricos em bromo e CFCs”, resultando no consumo contínuo do ozônio presente na atmosfera.

O vórtice cria um ciclo de ventos fechado, que não permite a entrada de novas correntes de ventos ricas em ozônio. A partir do bromo e dos CFCs, a reação de consumo das moléculas de ozônio é catalisada, com velocidade maior do que o tempo necessário para a reposição do ozônio natural da região. Seria necessária a ocorrência de uma reação paralela para retirar os catalisadores.

“Como o vórtice impede a entrada de ar rico em ozônio e de outros compostos, a reação fica confinada, podendo zerar o ozônio em algumas altitudes”, explica Alvalá.


Esquema gráfico da dinâmica de ventos do vórtice polar. À esquerda, o ar contido em um vórtice em sua dinâmica mais forte. À direita, a representação da divisão do vórtice e seu enfraquecimento. Arte: Vitória Menezes


Para a professora de Engenharia Química e Meteorologia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Damaris Kirsch, o buraco permanece aberto por conta do vórtice polar, sendo fechado somente com a quebra dele. Ou seja, o rompimento possibilitaria a circulação de novos ventos ricos em ozônio na região.

Protocolo de Montreal

Criado em 1987, o Protocolo de Montreal é o único tratado ambiental assinado por todos os países. As ações deste protocolo foram responsáveis por promover a proteção da camada de ozônio de forma efetiva.

A partir dele, foi possível estabelecer prazos visando o fim das emissões de gases destruidores de ozônio em escala mundial, substituindo eles por uma espécie menos agressiva que não dura mais do que 12 anos na atmosfera.

Os gases que contêm moléculas de cloro e bromo, proibidos pelo protocolo, duram um período de 60 a 120 anos na região da troposfera, de acordo com Plínio Alvalá. Por isso, apesar das medidas propostas pelo acordo, a camada de ozônio precisará de um grande período de recuperação.

Em relação ao Brasil, o país destacou-se por suas ações de proteção e investimento em pesquisa em relação à camada de ozônio, recebendo homenagens na reunião geral dos países de 2014.


Edição: Anna Araia

Startup criada em Bauru ajuda o meio ambiente e ensina sobre o tipo de lixo mais desvalorizado, o orgânico.

Logo da empresa BioSinergia. Imagem: BioSinergia
De acordo com relatório da ONU divulgado em junho de 2019, o Brasil é o sexto país mais populoso do mundo. Com cerca de 211 milhões de habitantes, os números referentes a produção de lixo da população são alarmantes.Segundo dados da Associação Brasileira das Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), em 2018 o país produziu 37 milhões de toneladas de lixo orgânico.

Aterro sanitário em São Paulo. Foto: Divulgação
Mesmo podendo ser reutilizado se tratado, apenas 1% desse lixo foi reaproveitado. Todo o resto foi encaminhado para aterros, nos quais o material orgânico se decompõe, gera gás metano e prejudica nossa atmosfera.

Entre as diversas maneiras de mudar essa situação, o professor de Geografia do ensino médio do Colégio Alfa Sciens em Bauru, Thiago Ramires, resolveu adotar uma delas. Em 2019 fundou uma startup com o objetivo de incentivar a população da cidade a depositar seus resíduos orgânicos em local adequado.

A empresa recebeu o nome de BioSinergia e teve como inspiração um negócio social do Rio de Janeiro chamado, Ciclo Orgânico, responsável por coletar o lixo da capital carioca, passando-o pelo processo de compostagem.

A BioSinergia opera através de um sistema de baldes de coleta. Ao assinar os serviços a pessoa recebe um balde e uma sacola feita de amido de mandioca, onde deverá depositar restos de alimentos. Por ser uma iniciativa nova e que se limita a Bauru, é Thiago quem coleta todo o lixo e o leva para ser tratado e transformado em fertilizante.

A primeira coleta foi feita em janeiro deste ano e o tratamento era feito através de um biodigestor que Thiago possui. No entanto, com o aumento da procura pelo serviço, Thiago diz que adotaria o sistema de compostagem em local separado, mesmo que perdendo a primeira remessa de fertilizantes que segundo ele demoraria cerca de seis meses para produzir quantidades significativas.


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Gráfico: Caio Alasmar

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