A informação aberta e a tecnologia a serviço do meio ambiente

Como o movimento Maker e os laboratórios abertos de cocriação podem diminuir o consumo excessivo de eletrônicos

A produção em série tem como objetivo o lucro das empresas, e não saciar nossas necessidades. (Foto: Wikimedia)
Já parou para pensar de onde vêm as peças que compõem o aparelho eletrônico pelo o qual você acessa o site do Impacto Ambiental? Qual foi a última vez que você trocou seu aparelho devido uma nova função disponível no mercado? E se ele quebrar, você saberia consertá-lo?

Perguntas como essas são necessárias quando o número de celulares no Brasil é maior do que a própria população. De acordo com dados levantados pela Teleco, grupo de profissionais da área de Telecomunicações, o número de telefones celulares era de 256,4 milhões em abril de 2016.

Engana-se quem pensa que um número tão grande é devido ao barateamento da tecnologia ou ao aumento do poder aquisitivo das pessoas. Trata-se da sociedade de consumo.

A sociedade do consumo é marcada pela cultura de aquisição de produtos supérfluos aguçados pelo marketing, pela mídia e pela propaganda. Assim, não importa se um produto funciona perfeitamente. Somos frequentemente tentados a comprar um produto “melhor”.

Compre mais, destrua mais

Há uma forte demanda por recursos naturais para que muitos produtos tecnológicos sejam fabricados. Os aparelhos eletrônicos são compostos de metais pesados, tais como mercúrio, cádmio, berílio e chumbo.

A extração destes metais esgotam os recursos naturais e provocam sérios impactos ao meio ambiente, tanto em sua modificação fisiológica quanto na degradação da paisagem.

Vale lembrar que o desastre na cidade de Mariana/MG, em outubro de 2015, foi causado por um rompimento da barragem de resíduos provenientes da exploração de minérios da empresa Samarco. Estes resíduos, quando liberados no rio Doce, causaram morte de animais e contaminação do solo e da água.
A cidade de Mariana ficou destruída e contaminada devido a toxidade presente em alguns minérios. (Foto: Rogério Alves/TV Senado)

Consertar é melhor que reciclar

Consertar salva o planeta.
A terra tem recursos limitados e não podemos seguir comum processo de fabricação linear para sempre.
A melhor maneira de ser eficiente é reaproveitar o que já temos!
Este é um trecho do manifesto Maker, que pode ser lido aqui

O movimento Maker resgata a prática de que a maioria das coisas que precisamos podem ser fabricadas ou reparadas por nós mesmos.

Para o movimento, a criação e reparação de produtos devem ser divulgadas abertamente (open source). Esses dados não devem possuir restrições de cópia, reprodução nem direitos autorais.

“Se as informações estão disponíveis, você consegue mais facilmente consertar os seus produtos, e isso é um grande ponto para a redução do impacto no meio ambiente”, afirma Víctor Macul, engenheiro, palestrante e cofundador de um laboratório aberto de cocriação que conta com impressoras 3D, em São Carlos/SP.

Víctor também é entusiasta do movimento Maker e do design colaborativo, também conhecido como Open Source Design (OSD). Víctor conta que o OSD é o desenvolvimento de produtos físicos por meio de uma plataforma compartilhável, em que uma comunidade produz soluções inovadoras.
Protótipos construídos em um laboratório aberto de cocriação em São Carlos Foto: Keite Alina Marques/beBeta House

Novas perspectivas para o consumidor

Para Dorival Rossi, professor do Departamento de Design da Unesp de Bauru, o OSD proporciona que as pessoas saiam de sua condição de consumidoras e passem a serem prossumidoras. “O prossumidor é o usuário que sai da sua condição passiva de consumidor e começa a produzir”, explica o professor Dorival.

Makers, prossumidores e designers que adotam o OSD contribuem também para a produção local. Esse tipo de produção diminui o impacto gerado pela mobilização logística de produtos importados que trazem graves consequências para o meio ambiente, como o aquecimento global, chuva ácida e deformação da camada de ozônio.

“As partes do produto que forem possíveis de serem produzidas por meio da fabricação digital (impressoras 3D, cortadoras a laser, etc), poderão ser feitas localmente, em um espaço que possua essas tecnologias, como por exemplo, os laboratório aberto de cocriação”, conta Víctor.
Cadeira fabricada em projeto Open Source Design. (Foto: Open Source Ecology)

Movimento Maker possui caráter experimental

Levado em consideração o desenvolvimento de projetos de grande porte, como casas e máquinas, o OSD conta com os mesmos problemas do modelo clássico de produção em série. “Quando pessoas que não conhecem boas práticas de produção mais limpa trabalham com projetos OSD, pode haver desperdício”, conta Víctor.

A designer Lúcia Nobuyazu comenta que toda tecnologia em seus primórdios possui algum tipo de desperdício. “Querer julgar o período de experimentação que a OSD encontra-se agora é ignorar a história da tecnologia”, finaliza Lúcia.

Serviço

O laboratórios abertos de cocriação da UNESP de Bauru se chama-se Sagui Lab. Para mais informações, acesse o site, entre em contato pelo Facebook ou pelo e-mail sagui.unesp@gmail.com

O laboratório aberto de cocriação de São Carlos, a beBeta House, presta serviço a comunidade através da impressão de protótipos e objetos 3D com valores acessíveis. Para mais informações, acesse o site ou o Facebook.

Acesse o site Instructables e iFixit para envolver-se com Open Source Design e o Movimento Maker.


Comente com o Facebook: