Por trás do H1N1: a relação do vírus com a natureza

Desde seu surgimento, o Influenza A apresenta uma relação intensa com o meio ambiente



Foto: William Brawley / Flickr

O vírus Influenza A (gripe H1N1) é uma doença respiratória originada em porcos e que atinge humanos e aves. Os porcos são hospedeiros e podem receber diferentes tipos de vírus como o da gripe aviária e humana. Quando há esse encontro, ocorre a mutação genética que mistura o vírus da gripe do porco com os outros, criando as variações H1N1, H1N2, H3N2 e H3N1.

A capacidade de mutação do vírus é um fator preocupante. A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera a doença atual uma pandemia, por se estender dos hemisférios norte e sul (nos quais há relatos da origem do vírus). A sazonalidade do vírus contribui para a sua mutação e disseminação para outros continentes.

Alterações no meio ambiente são decisivas para o aumento da pandemia pelo mundo ao longo dos anos. Mudanças climáticas, poluição, destruição de habitats naturais e desmatamento, contribuem para que diferentes tipos de vírus se manifestem e permaneçam na atmosfera. Os microrganismos passam a ter mais condições de se reproduzirem e se adaptarem ao meio ambiente.

Soldados de Fort Riley, Kansas, doentes com a gripe espanhola em uma enfermaria de hospital em Camp Funston
(Foto: U.S. Army)

Muito se discute a respeito da origem do vírus que assusta cada vez mais a população mundial. Cientistas confirmam a primeira manifestação do vírus H1N1 em 1918, durante a Gripe Espanhola. Os registros de 1918 foram a base para a evolução do vírus suíno de 1931 e as demais variações, até a atualidade, que continuam mudando sua estrutura para sobreviver ao sistema imunológico dos hospedeiros.

Em 1957, durante a Gripe Asiática, sua base genética foi totalmente alterada, e recebeu o nome de H2N2. Este surto viria para aumentar as incertezas em relação à doença, e possíveis tratamentos. Em 1968, a Gripe de Hong Kong traz a mutação do vírus H3N2, os genes são alterados, porém ainda há traços do H1N1 em sua composição. O H1N1 volta a circular em 1977, com a Gripe Russa.

A transmissão de pessoa para pessoa em conjunto com as condições ambientais e o aumento da população mundial contribuíram para que a contaminação pelo H1N1 e o H3N2 se perpetuasse até os dias atuais. 

Vírus H1N1 (Foto: NIAID)


Tipos de Influenza

Existem diferenças entre os tipos de vírus Influenza A, B e C, de caráter sazonal. O vírus tipo A, responsável pelo maior índice de letalidade, apresenta os subtipos H1N1 e H3N2 e atinge animais e seres humanos, correspondendo a uma perspectiva de influência mundial.

O Influenza do tipo B também é responsável por epidemias do vírus, porém sua influência é menor, sendo mais regional e atinge somente seres humanos. Como o C, que além de afetar somente seres humanos, causa apenas infecções respiratórias leves e não possui caráter epidêmico.

Estudos feitos em 1960, pelo professor Roger Ravel, da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, relacionaram o aumento dos microrganismos ao nível de dióxido de carbono e o aumento da temperatura da Terra,  concluindo que, devido às mudanças climáticas sofridas durante a evolução do planeta, mais doenças surgiriam independente de ser típica de inverno ou verão. Os vetores do vírus se espalham pela atmosfera, chegando em todos os lugares. A gripe A H1N1 é um exemplo de doença típica de inverno com maior transmissão no verão.

É provável que a geração atual já tenha sofrido contato com o vírus da gripe de 1918, devido à mutação, expansão e permanência do vírus ao longo dos anos. O vírus pode levar à falência do ser humano.

O método mais eficiente para diminuir a repercussão da doença é a vacina. Sua composição muda a cada ano, devido à mutação do vírus da Influenza A, que a compõe e é responsável pela pandemia da doença.

Campanha de Vacinação em Bauru

No ano de 2016, na cidade de Bauru a campanha da vacinação contra a gripe A H1N1 aconteceu no mês de abril e maio. A Secretaria da Saúde do município afirma que “a meta para cumprir o quadro de vacinação é de pelo menos 80% de cada grupo prioritário e dos profissionais da saúde”. De acordo com o Departamento de Saúde Coletiva da Secretaria da Saúde de Bauru 73% da meta foi cumprida.

campanha de vacinação em Bauru atingiu 73% dos grupos de risco
(Cláudio Nascimento/ TV TEM)







Foram vacinados, exclusivamente, os grupos de risco pelo Sistema Público de Saúde. Para o Ministério da Saúde, entende-se grupos de riscos por: crianças de 6 meses a menores de 5 anos, gestantes, puérperas ( mulheres que tiveram filho recentemente), trabalhador de saúde, povos indígenas, indivíduos com 60 anos ou mais, população privada de liberdade, funcionários do sistema prisional, pessoas portadoras de doenças crônicas não transmissíveis, pessoas portadoras de outras condições clínicas especiais (doença respiratória crônica, doença cardíaca crônica, doença renal crônica, doença hepática crônica, doença neurológica crônica, diabetes, imunossupressão, obesos, transplantados e portadores de trissomias).

Além da vacina, outras medidas podem ser tomadas para auxiliar na prevenção da doença: evitar compartilhar objetos; lavar sempre as mãos; caso houver suspeita, evitar contato público e fazer o uso de máscaras; fazer o uso de álcool gel para higienização e evitar aglomerados. Estas precauções podem fazer a diferença.

Infográfico: Marcos Cardinalli


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