30 anos após o desastre de Chernobyl, usinas nucleares continuam gerando impactos

Apesar do medo de acidentes, muitos países continuam dependentes da energia nuclear


O Greenpeace realizou protestos em várias capitais brasileiras contra a energia nuclear (Foto: Greenpeace)

O acidente de Chernobyl ocorreu no dia 26 de abril de 1986, na usina nuclear localizada na cidade de Pripyat, Ucrânia. Nessa época, o território ainda compunha a União Soviética. O início de toda a tragédia se deve a um teste que consistia em reduzir a potência das turbinas. Como resultado, o sistema de resfriamento de um dos reatores parou, levando a uma grande explosão que culminou em um incêndio. 

Infográfico: Último Segundo/IG
As consequências foram a morte imediata de pelo menos uma centena de cidadãos. Além disso, segundo um relatório das Nações Unidas de 2005, nos anos seguintes ocorreram mais de 4 mil óbitos por doenças relacionadas ao acontecimento. Isso se deve aos efeitos associados a alta liberação de radiação iônica, que pode gerar mutações e matar células do corpo. 

A usina de Chernobyl abandonada (Foto: Bem Adlard/ Flickr)

Dois fatores são apontados como os causadores do desastre. O primeiro é a inexperiência e incapacidade dos próprios funcionários em controlar a usina, e o outro seria uma falha estrutural na construção da mesma.

Os impactos ambientais associados à energia nuclear 

Um dos principais aspectos que deve ser analisado em relação aos impactos causados pela energia nuclear é o ciclo do Urânio, material que será consumido no funcionamento dos reatores. Começando pela grande quantidade de minérios que necessitam ser extraídos para se conseguir esse elemento, visto que a porcentagem de Urânio nos minerais é de menos de 1%. 

Embarcações abandonadas em Pripyat (Foto: Sami Honkonen/ Flickr)
A mineração do Urânio exige diversos cuidados com o meio ambiente, como um planejamento para lidar com a geração de poeiras, utilização de rios e recuperação da área degradada. 

A forma com que o calor será dissipado de dentro dos reatores é um dos maiores problemas. Apesar da maneira mais comum ser o uso de chaminés que dissipam enormes quantidades de vapor d´água, algumas usinas utilizam o método de bombeamento de água do mar. Essa é a forma utilizada nas usinas Angra 1, 2 e 3, localizadas em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro.

O Brasil tem a 6ª maior reserva geológica de urânio no mundo (Infográfico:Revista Galileu)
Ali, a água do mar é bombeada a partir da praia de Itaorna, na qual estão os reatores, para serem descarregadas na Baía de Piraquara de Fora, após ocorrerem as trocas de calor. O aquecimento das águas causa um grande impacto ambiental, uma vez que atinge todo o ecossistema aquático da região. 

Outros inconvenientes relacionados à geração de energia nuclear são: a produção de lixo nuclear radioativo que deve ser armazenado em locais seguros e isolados e o risco de acidentes nucleares.

A busca por novas fontes de energia 

Desde a década de 80, novas fontes de energia renováveis são buscadas. Os grandes riscos ambientais trazidos pela energia nuclear e o agravamento do efeito estufa associado a queima de combustíveis fósseis contribuem para que técnicas como a captação de energia através do vento (eólica), dos raios solares, e do uso da biomassa sejam consideradas alternativas extremamente atraentes. 

Um sinal disso é que a União Europeia (UE) estabeleceu, em 2007, uma estratégia que visa alcançar uma meta obrigatória de 20% da geração de energia de consumo da UE a partir de fontes de energia renováveis.


Como os países têm lidado com a energia nuclear

Em abril de 2016 foi organizada pelos Estados Unidos uma cúpula que discutiu a segurança nuclear. Entretanto, os fatores ambientais foram deixados de lado. A reunião contou com a presença do presidente Barack Obama, assim como de muitos outros líderes mundiais e teve como enfoque a discussão bélica. Sobretudo com relação às usinas nucleares da Coréia do Norte, que tem feito experiências bem sucedidas com foguetes de longo alcance. A Rússia, país com o maior arsenal nuclear do mundo e totalmente dependente dessa fonte de energia, não participou da reunião.

Usinas nucleares ao redor do mundo (Infográfico:Revista Galileu)



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