Zoológicos: Conservação ou Exploração?

Zoológicos podem ajudar na preservação de espécies


leão na cela
Sentindo um leão na cela (Foto: Philippe Semanaz)

Os zoológicos surgiram como forma de demonstrar poder e status de quem os possuíam. No Egito, há registros de jardim zoológicos feito por grandes faraós. Porém, não se tinha a ideia de bem estar dos animais e assim, eles eram presos em espaços pequenos que não atendiam suas necessidades.

Com o passar do tempo, os zoológicos foram se modificando e, consequentemente, os papéis que eles desempenhavam com os animais mudaram. A partir do Século XVIII, as relações dos zôos com os animais foram passando de poder e diversão para conhecimento e preservação.

Atualmente, os zoológicos são responsáveis por garantir a conservação das espécies e conscientizar a população sobre a preservação dos animais, levando em conta suas necessidades físicas e psicológicas.

Visão negativa sobre os Zoos


Há milhares de anos, os animais eram tratados como objetos de poder pelos humanos. Essa visão se manteve até aproximadamente 1800, quando o avanço científico possibilitou que eles fossem objetos de estudos. Entretanto, apenas no século XX houve uma tomada de consciência sobre a importância não só física, mas também mental dos bichos.

Papagaio moleiro
Papagaio Moleiro em sua gaiola (Foto: Giovana Moraes/Impacto Ambiental)

Podemos perceber que a importância dos animais é algo recente e que, por esse motivo, possui uma grande relevância. Atualmente, muitos dos zoológicos existentes devem-se ao fato de que os animais foram retirados da sua natureza há muito tempo e passaram a se reproduzir fora dela.

Dessa forma, foi-se criando animais de cativeiro que perderam a capacidade de sobreviver na natureza. O trabalho de reinserção dos bichos em cativeiros na natureza demanda grandes investimentos e locais específicos para que o animal sobreviva.

Zoológico de Bauru
Zoológico de Bauru (Foto: Giovana Moraes/Impacto Ambiental)

Em entrevista à revista UAI, Jader Soares, professor do Departamento de Zoologia da UNB e doutor em ecologia, disse que “é uma postura bastante equivocada achar que os zoológicos devam ser extinto [..] Existem mecanismos e linhas de pesquisa justamente sobre o bem-estar animal”.

Ao final da entrevista, Soares complementa que os zoológicos servem para estudos e para que o público crie laços e vínculos que tragam respeito à fauna e à natureza de um modo geral. “Os bons zoológicos são uma grande fonte de informação e, ao contrário do que se possa imaginar, muitos aspectos da fauna brasileira são pobremente conhecidos”, afirma o professor.

Exemplo de Conservação

Fomos ao Zoológico de Bauru, que tem como grande objetivo a conservação das espécies, sua reinserção no habitat natural e a conscientização sobre a fauna local.

Conversamos com dois funcionários do Zoo, a Geovana Pinhata e o Lindolfo Miranda, ambos estudantes do último ano de Biologia da Unesp. Eles nos explicaram sobre o funcionamento e objetivo do Zoológico de Bauru.

Zoológico de Bauru
Geovana Pinhata e Lindolfo Miranda, funcionários do Zoológico de Bauru (Foto: Giovana Moraes/Impacto Ambiental)

Impacto: Como o Zoológico de Bauru funciona?

Geovana: O zoológico é aberto todos os dias das 8h da manhã às 4h da tarde. Em relação ao funcionamento interno, temos os setor dos tratadores, da veterinária, o nosso que é da educação e entre outros. O diretor é o zootecnista Luís Pires.

Impacto: Qual o objetivo do Zoológico de Bauru?

Lindolfo: A gente aqui no Zoológico trabalha com a conservação, são animais que geralmente estão em extinção e, para que eles não desapareçam totalmente, nós trazemos eles para cá. Quando a natureza estiver em condições de receber esses animais, nós o reproduzimos e os reintroduzimos em seu habitat natural.

Geovana: Não é que a gente vai até a natureza e retiramos o animal para colocar aqui, como “picles em conserva”. São animais que já estavam em cativeiro ou foram resgatados, vítimas de tráfico. Quando um animal nasce em cativeiro ou fica por muito tempo nesses espaços eles desaprendem a viver em natureza. Como exemplo temos o Sagui de Coleira, típico da floresta amazônica de Manaus, ele está com um risco enorme de extinção e aqui no nosso zoológico eles fazem parte do projeto de conservação. Eles se reproduzem muito bem aqui e quando tivermos uma área não sendo desmatada ou com influências do ser humano em Manaus, nós iremos levá-los pra lá e reintroduzi-los.

Impacto: Qual o motivo da visão negativa que as pessoas têm sobre o zoo?

Geovana: Isso acontece por uma questão histórica, desde a época de reis e faraós as pessoas começaram a tirar animais da natureza, porque isso demonstrava poder e riqueza. A partir desse ponto os animais foram se reproduzindo e por esse motivo temos um grande número de animais presentes nos zoológicos.

Criança no Zoológico
Filha de bióloga que passeava pelo zoo, se interessa pelos Macacos Aranha de testa branca (Foto: Giovana Moraes/Impacto Ambiental)

Além dos funcionários nós conversamos com alguns visitantes sobre a importância do Zoológico. A bióloga Renata Moreira, que estava passeando por lá, acredita que “os animais que estão aqui foram retirados do cativeiro e não tem condições de voltar para a natureza, é aceitável que eles estejam aqui, mas não é o ideal”.

Visitante no Zoológico de Bauru
Visitante do Zoológico de Bauru, Vanessa Aparecida. (Foto: Giovana Moraes/Impacto Ambiental)

Já a caseira Vanessa Aparecida Soares, diz que “no meu modo de pensar é melhor eles estarem aqui do que em uma gaiola, se não tivesse o zoológico as pessoas poderiam até matar esses animais”.

A dona de casa Célia Silva Goto, falou sobre a existência dos zoológicos. “Eu acho importante, desde que seja para manter a espécie e levar conhecimento às crianças, também é necessário que o animal não sofra nenhum tipo de estresse e seja tratado com muito carinho e respeito no seu próprio espaço”.


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