O belo pôr do Sol de Bauru pode indicar poluição no ar

Em tons rosados o pôr do sol de Bauru faz sucesso nas redes sociais, entretanto, essa coloração diferente pode indicar que o nosso ar está poluído


Entardecer em Bauru (Imagem: Fernanda Cotez Redivo)

Em Bauru, encontramos no entardecer muitas vezes um pôr do sol numa tonalidade rosa que, inclusive, é muito fotografada e romantizada por seus moradores e visitantes. Alguns fatores podem alterar a cor do nascer ou pôr do sol, como tempo seco e as queimadas; na cidade, contamos com a presença do bioma cerrado, de modo que queimadas naturais são comuns na região. Segundo uma reportagem do Jornal da Cidade, os focos de queimada triplicam durante o inverno, estação do ano tipicamente fria e seca.

O que poucos sabem é que, na realidade, a mudança na coloração do crepúsculo também pode indicar índices elevados de poluição: quanto mais rosa, avermelhado ou alaranjado - ou seja, quanto mais diferente do comum for a cor do entardecer ou amanhecer - maior pode vir a ser a poluição no ar daquela região. Segundo o Climatempo, todas as cores das nuvens, do Sol e do céu são definidas pelo comprimento de onda e o tamanho de uma determinada composição de partículas que constituem uma camada de ar.

Então, quando o Sol começa a se aproximar do horizonte, seja para nascer, seja para se pôr, os raios de luz solar percorrem uma distância maior para chegar até nós. Nesse momento do seu trajeto, os raios atravessam as camadas mais baixas da atmosfera do nosso planeta, onde está a poluição. Os elementos dos gases e da poeira, que constituem a poluição, dispersam a luz vermelha, fazendo com que o Sol assuma a cor avermelhada que vemos com mais intensidade no inverno.
Tons de rosa no crepúsculo bauruense (Imagem: Gabryella Ferrari)

Entrevista

Nós entrevistamos o professor doutor em físico-química formado pela USP (Universidade de São Paulo), Sergio Pereira de Souza Júnior, para entendermos melhor todo esse processo e seus desdobramentos.

Impacto: Qual a influência da poluição na cor do pôr do sol?
Sergio: A luz solar é branca, porém, ao longo do dia enxergamos diversas tonalidades nos seus raios porque a atmosfera absorve alguns desses raios (em comprimentos de onda específicos), fazendo com que haja variação de coloração. Em certas circunstâncias, até comuns em cidades grandes, uma mudança de tonalidade dos raios solares pode significar presença de poluição.

Impacto: A estação do ano influencia a cor do sol de alguma maneira?
Sergio: Sim, pois a distância entre os pontos do horizonte do lugar em que o Sol nasce até o lugar em que se põe varia ao longo do ano. Além do mais, existe variação na altura máxima em que o Sol atinge, acima do horizonte, durante o dia. Com base na maior ou menor distância do Sol, os seus raios podem ser mais ou menos filtrados pela atmosfera, diversificando a tonalidade.

Impacto: Aqui em Bauru temos um clima geralmente bastante seco, inclusive há a presença da vegetação do cerrado na cidade. O pôr do Sol aqui é muito fotografado por ser bastante avermelhado ou rosado, e o início da noite já com o Sol mal aparecendo, às vezes, apresenta um céu rosado. Essas características da cidade influenciam nas cores que o crepúsculo exibe aqui?
Sergio: Possivelmente sim, pois o clima seco altera a composição da atmosfera já que a umidade relativa do ar é diminuída.

Impacto: Como as queimadas influenciam na alteração na cor do crepúsculo?
Sergio: As queimadas aumentam a porcentagem de gás carbônico na atmosfera, produzindo um tipo de filtro aos raios solares diferentes daquele que é habitual. Além do mais, fuligem (carbono) oriunda de queima incompleta pode influenciar devido à sua coloração mais escura.

Impacto: Além do tempo seco e das queimadas, tem algum outro fator que ajuda a alteração da cor do pôr do Sol?
Sergio: Na verdade, existem três! Inclusive repetindo dois que já foram mencionados por você, mas, de forma mais abrangente: poluição atmosférica, condições climáticas e posição do planeta em relação ao Sol.


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