Trinta e dois anos depois da criação do projeto, transposição do Velho Chico tem previsão de conclusão ainda este ano


Obras custaram cerca de 10 bilhões de reais



O rio São Francisco passa por cinco estados e 521 municípios brasileiros (Foto:Reprodução/Wikipédia)


O Rio São Francisco, conhecido também por Velho Chico, tem quase três mil quilômetros de extensão e passa por cinco Estados brasileiros, abrangendo grande diversidade de climas e vegetações. Com 96,9% das obras finalizadas, segundo o governo brasileiro, a transposição do Rio está prevista para inaugurar no segundo semestre deste ano.

Das três obras que ainda não foram concluídas, duas estão em fase final. A última, que consiste na construção do trecho entre o Pernambuco e o Ceará, ainda não saiu do papel, já que é necessário que o governo escolha uma nova construtora para assumir o projeto.


Projeto de integração do rio São Francisco-Eixo Norte (Foto:Reprodução/PAC)

A transposição das águas

O projeto de transposição visa solucionar um dos problemas que mais afetam a região do semiárido brasileiro: a seca. Para isso, as águas do rio em questão serão transpostas para os açudes e rios menores no nordeste. De acordo com os responsáveis do projeto, serão retirados 26,4m³/s de água do São Francisco para o consumo da população de 390 cidades do Pernambuco, Ceará, Rio Grande do Norte e da Paraíba.

Criado em 1985 pelo extinto Departamento Nacional de Obras e Saneamento, teve seu comando transferido para o Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco.

A transferência das águas é dividida em eixos. O norte terá 260 quilômetros de extensão e beneficiará 7,5 milhões de pessoas em 222 cidades, começando no Pernambuco, na cidade de Cabrobó, passando pelo Ceará até chegar a Cajazeiras, na Paraíba. O eixo leste, que deve chegar às regiões do agreste da Paraíba e do Pernambuco, além das bacias de Moxotó e de Pajeú, tem 217 quilômetros de extensão e pretende suprir 4,5 milhões de pessoas em 168 municípios. Uma parte foi inaugurada em março pelo presidente Michel Temer. Apesar disso, houve alguns problemas em relação a este eixo, já que a barragem de Sertânia, por exemplo, se rompeu após uma semana da sua inauguração, mas logo teve seus vazamentos contidos.

O projeto é divido em dois eixos:o norte e o leste (Foto:Reprodução/O cafézinho)

Pontos positivos e negativos

Visando o beneficio de 12 milhões de brasileiros, a transposição do Velho Chico tem sido tema de muitos debates entre a população brasileira, já que apresenta pontos positivos e negativos.

Dentre as vantagens oferecidas pelo desvio do Rio, são apontados a geração de cerca de cinco mil empregos durante a construção do projeto, além do aumento da disponibilidade da água e da diminuição da perda por causa dos reservatórios. Há ainda a amenização dos problemas gerados pela seca, como por exemplo, a falta de alimentos e o desemprego rural. De acordo com os defensores da transposição, há também a redução de doenças e mortes provenientes do consumo de água contaminada, assim como a possibilidade de irrigação das áreas abandonas.

Com 477 km de extensão, o projeto visa atender 12 milhões de pessoas no nordeste(Foto: Reprodução/ Construtora Queiroz Galvão)
Já os críticos do projeto alegam que além de cara, a transposição não atenderia as necessidades da população, tendo em vista que 70% da água é destinada a irrigação. Além disso, existe também a questão da alteração ambiental durante a construção, haja visto que a interferência da obra modifica as populações de plantas e animais aquáticos, desregulando  então a cadeia alimentar do local. Outro ponto contrário à transposição é o desmatamento de cerca de 430 hectares de terra. De acordo com os biólogos, tal devastação pode originar o desaparecimento do habitat de animais terrestres e também a extinção de muitas espécies da flora da caatinga.                                                               

Com aproximadamente 5,6 mil trabalhadores contratados e mais de 2,3 mil máquinas utilizadas, foram construídos subestações de energia elétrica, além de reservatórios e aquedutos para a retirada de 1,4% da água do São Francisco. O projeto, iniciado em 2008 pelo governo do ex-presidente Lula, foi avaliado na época em 4,5 bilhões, mas hoje alcança a casa dos 10 bilhões.

O empreendimento abrange a construção de 13 aquedutos, 9 estações de bombeamento, 27 reservatórios, 270 quilômetros de linhas de transmissão em alta tensão e 4 túneis.(Foto:Reprodução/Construtora Queiroz Galvão)








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