Como fazer No e Low-Poo e ter cabelos saudáveis

No e Low Poo prometem saúde aos cabelos e agridem menos o meio ambiente


Como fazer no e low poo
Muitas mulheres com cabelo cacheado têm aderido à técnica (Foto: Pixabay)

As técnicas no-poo e low-poo para lavagem de cabelos, têm ganhado muitos simpatizantes nos últimos anos. Nas páginas do facebook e no youtube, por exemplo, o assunto marca presença e reúne pessoas que compartilham entre si as experiências com as técnicas.

Inicialmente pensadas pela inglesa Lorraine Massey, para ajudar na melhora do ressecamento dos cabelos cacheados e crespos, as técnicas ganharam espaço até mesmo entre os cabelos lisos e ondulados.

O no-poo e low-poo são uma alternativa ao uso de shampoos tradicionais que contém agentes químicos que agridem a saúde humana e o meio ambiente.

Produtos de no e low poo
Com a variedade de cosméticos no mercado é possível escolher o melhor se encaixa às suas necessidades
(Foto: Julia P/Flickr)

Como fazer No-poo e Low-poo?

No-poo e Low-poo são maneiras alternativas de higienizar os cabelos para dar mais saúde aos fios, evitando a utilização de shampoos com agentes químicos que agridam o couro cabeludo e a estrutura dos cabelos.

O No-poo consiste na lavagem dos cabelos sem a utilização de nenhum tipo de shampoo; a técnica pode ser aliada ao Co-wash, que prescreve o uso somente de condicionador livre de petrolatos e silicones.

Já o Low-poo é mais flexível e permite o uso de shampoos mais leves. Entretanto, quem deseja aderir à técnica precisa estar atento aos rótulos dos produtos. São permitidos somente shampoos livres de sulfatos, isto porque o agente químico faz uma limpeza muito profunda na hora da lavagem, retirando toda a oleosidade natural dos cabelos.

Alguns produtos permitos no Low Poo (Créditos: Bia Jiacomine)

Segundo o cabeleireiro Cristiano Alves, “causa o ressecamento e intoxicação dos fios”, já que se forma “uma barreira [de produtos que se depositam nos fios], impedindo a hidratação e nutrição necessárias”. O cabeleireiro aconselha ainda que quem queira ingressar nas técnicas no e low poo, faça parte dos grupos no Facebook que falam sobre o assunto.

Nesses grupos, como o No e Low Poo Iniciantes, é possível encontrar pessoas que dividem as informações e suas experiências com as técnicas, além das famosas receitas caseiras.

A estudante Camila Renzi diz que já utilizou, por exemplo, o método de “fazer hidratação e enxaguar o cabelo com água e bicarbonato para abrir as cutículas dos fios. E enxaguar com vinagre no final para fechar as cutículas”. 

Para iniciar qualquer uma das técnicas, é preciso realizar uma última lavagem dos cabelos com um shampoo que contenha sulfato, mas que seja livre de petrolatos. O sulfato fará a limpeza dos petrolatos presentes nos fios, retirando então, resíduos de óleos minerais, parafinas líquidas, silicones e vaselinas, que são derivados do petróleo.

Shampoos tradicionais na saúde humana e no meio ambiente 

Ao contrário do que se pensa, a espuma que se forma durante a lavagem dos cabelos não é sinal de limpeza e saúde para os fios. Na realidade, quanto menos espuma, melhor.

A jornalista, cabeleireira e dona do Blog Cachos e Fatos, Sabrinah Giampá diz que “Os shampoos tradicionais possuem um agente de limpeza agressivo, na sua maioria é o mesmo do detergente que lavamos louça”.

Os shampoos tradicionais utilizam componentes químicos como os tensoativos (conferem a textura característica dos shampoos), Lauril Sulfato de Sódio e a dietanolamina (DEA), responsáveis por retirar toda a oleosidade natural dos cabelos e produzir a espuma que se vê ao esfregar o couro cabeludo.

O que pode usar no low e no poo


Ao retirar a oleosidade do cabelo, estes shampoos estimulam as glândulas do couro cabeludo a produzirem mais gorduras, o que eleva a oleosidade dos fios. Os shampoos formam um ciclo vicioso: quanto mais se faz o uso deles, mais rápido os cabelos necessitam de serem lavados, por conta da sensação de oleosidade.

A estudante Renata Carvalho, adepta do no e low poo, conheceu as técnicas no youtube, e afirma que virou moda.
As pessoas estão muitas vezes fazendo sem nem saberem o que é [...], sem saberem ler um rótulo de shampoo ou condicionador e avaliar se o que tem ali dentro é bom ou não [...]. Acho que o mercado soube se aproveitar bem disso, infelizmente.

O Lauril Sulfato de Sódio já foi apontado como cancerígeno, mas a Agencia Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), negou essa informação. Já a dietanolamina é considerada pela Agência Internacional de Pesquisa sobre Câncer (IARC) como, possivelmente, cancerígena para os seres humanos. 

Não são somente os humanos que correm riscos com a utilização de produtos que contém estes agentes químicos. Caso ocorra o descarte inadequado, os resíduos gerados pela fabricação de shampoos podem contaminar solos, lagos, rios e lençóis freáticos.

Além disso, ao serem despejados em um rio, os tensoativos mencionados, podem formar uma espuma branca sobre a superfície. Os petrolatos, por serem insolúveis em água, se depositam também na superfície e inibem a entrada de luz na água, inviabilizando a realização da fotossíntese. Isso reduz o nível de oxigênio disponível na água e pode causar a morte de espécies do ecossistema em questão.

A espuma branca na superfície da água pode dificultar a entrada de luz e, assim, inibe a fotossíntese e a quantidade de oxigênio na água (Foto: Eurico Zimbres/Wikimedia Commons)

Problema em dose dupla

Além dos componentes químicos na composição dos shampoos, as matérias-primas para fabricação das embalagens também afetam o meio ambiente.

Um dos principais constituintes das embalagens é o plástico, que é derivado do petróleo e sua fabricação lança no meio ambiente gases que corroboram com a intensificação do efeito estufa.

O problema aparece então em dose dupla: o meio ambiente é afetado com o produto shampoo em si, e com as embalagens que lhes são feitas. A gravidade do problema já foi observada por algumas marcas que produzem em solo brasileiro e, para compensarem os anos de poluição desregrada, passaram a investir em projetos que otimizassem a reutilização de matérias primas e resíduos em suas produções, na tentativa de diminuir a emissão de gases tóxicos.

No/Low-poo e o meio ambiente

Apesar de conterem, em relação aos shampoos tradicionais, menos componentes químicos agressivos ao meio ambiente, grande parcela das pessoas que aderem às técnicas no e low poo, não aderiram às técnicas pelo menor impacto causado no meio ambiente.

A estudante Fernanda Cotez, diz que passou a fazer parte do time dos “sem espuma” por ter o cabelo muito oleoso e que não sabia dos benefícios para o meio ambiente. Ela afirma que é “curioso que a gente tome essas decisões de se restringir de algo por conta dos nossos próprios interesses”.

Renata Carvalho defende a ideia de que “a questão ambiental deveria esbarrar mais no propósito inicial da técnica, que é você reduzir o excesso de produtos para cuidar do seu cabelo, e aí sim trazer um benefício real para o meio ambiente, mais por uma questão de consumo mesmo. Na minha cabeça, não faz tanto sentido você aderir à técnica e continuar usando a mesma quantidade de produtos ou até mais para tratar seu cabelo”.

Impacto de usar técnicas low poo e no poo
(Infográfico: Nayara Campos/Impacto Ambiental)

A utilização das técnicas no/low-poo conferem aos cabelos uma limpeza mais eficiente e duradoura, reduzindo a necessidade de repetição de lavagens dos fios e o tempo gasto no banho. Segundo dados da ONU, em um banho de 15 minutos são consumidos cerca de 135 litros de água, enquanto um banho de 5 minutos, consome 40 litros. A estudante Hanna Queiroz, após aderir às técnicas, afirma que “agora consigo ficar 2 dias sem lavar [os cabelos], enquanto antes eu lavava todos os dias”.

Edição: Maria Gabriela Zanotti


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