Dia de Hiroshima

Hiroshima ainda carrega as consequências da radiação nuclear

Hiroshima
Cúpula Genbaku que está localizada a 150 metros do hipocentro da explosão (Foto: TGrande)

A data em si 

No dia 6 de agosto, o mundo relembrou a tragédia ocorrida em Hiroshima no ano de 1945, nos momentos finais da Segunda Guerra Mundial. A bomba atômica enviada pelo governo dos Estados Unidos atingiu a cidade japonesa e deixou mais de 140 mil mortos, milhares de feridos e pessoas que até hoje carregam em si as consequências de terem sido afetadas pela radiação nuclear.

A Guerra

A Segunda Guerra Mundial começou em 1939 e terminou em 1945. Ao longo desses 6 anos de conflito, a Guerra dividiu o mundo entre as nações do Eixo, formado principalmente pela Alemanha nazista, a Itália fascista e o Japão imperial; e as nações Aliadas, formada por Reino Unido, França, União Soviética e os Estados Unidos.

A Alemanha, liderada por Hitler, tinha o objetivo de expandir seu território e formar o Terceiro Reich, no entanto assim como a Itália, liderada por Benito Mussolini, enfrentava grave crise econômica, em grande parte gerada pelas consequências da Primeira Guerra Mundial, entre elas o Tratado de Versalhes. Já na Ásia, o Japão, liderado pelo Imperador Hirohito, pretendia conquistar os territórios vizinhos. Além do expansionismo, o conflito também foi motivado por ideais antissemitas, racistas, homofóbicos, xenofóbicos e anticomunistas.


Segunda Guerra Mundial

Entre 1939 e 1941, o Eixo obteve algumas vitórias: conquistou o Norte da França, Iugoslávia, Polônia, Ucrânia, Noruega e territórios no norte da África. O Japão dominou a Manchúria e a Itália conquistou a Albânia e partes do território da Líbia. Em 1941, quando os japoneses atacaram a base naval norte americana, Pearl Harbor, os Estados Unidos que antes atuava na guerra através dos investimentos feitos na Inglaterra e França, entraram oficialmente no combate, fortalecendo os exércitos Aliados.

A partir disso, o Eixo começou a sofrer grandes derrotas, como o fracasso dos alemães perante o rigoroso inverno russo e o Dia D, em 1944, momento decisivo no qual os aliados desembarcaram na Normandia, na França, e a libertaram do domínio nazista. Com o avanço dos Aliados, em 1945, Hitler comete suicídio e a Alemanha se rende, finalizando a guerra no território europeu.


Entretanto, o Japão continua no conflito e os Estados Unidos decidem então lançar sobre as cidades de Hiroshima, no dia 6 de agosto, e três dias depois em Nagasaki, bombas atômicas que devastaram essas regiões. O Japão se rende incondicionalmente, dando fim à Segunda Guerra Mundial.

Consequências da Little Boy

A primeira bomba atômica lançada atingiu o centro da cidade de Hiroshima exatamente às 8h15 da manhã do dia 6 de agosto de 1945. Chamada pelos norte-americanos de Little Boy, a bomba possuía 63kg de urânio 235 altamente enriquecido e explodiu a aproximadamente 500m do solo e causou a morte de mais de 140 mil pessoas.

Hiroshima


A detonação de uma bomba nuclear libera uma enorme carga de energia em um volume pequeno de ar e isso gera uma bola de fogo branca e mais quente do que a superfície de sol. Após a explosão, o fogo tomou conta da região atingida e o calor liberado pela bomba foi de 100 calorias/cm² no grau zero, 56 calorias/cm² a 500 metros e 23 calorias/cm² a mil metros do epicentro. Uma chuva ácida formou-se a partir da nuvem de poeira radioativa da explosão e contaminou os rios, plantações, poços de água e osolo de Hiroshima. Isso causou a perda de cabelo, falência de órgão, colapso do sistema imunológico e, a longo prazo, desenvolvimento de câncer àqueles que ingeriram desta água contaminada.

Hibakushas, os sobreviventes

Até hoje os Hibakushas, expressão japonesa que denomina os sobreviventes dos bombardeios atômicos, apresentam sequelas do ataque. Eles têm prioridade no sistema de saúde japonês e realizam exames constantemente, de forma gratuita, em hospitais que monitoram os efeitos da bomba. Além dos problemas de saúde físicos e psicológicos, os hibakushas também enfrentaram preconceito por parte da sociedade japonesa, pois muitas famílias tinham medo de que seus entes queridos se envolvessem com pessoas atingidas pela radiação e também fossem afetados.

Takashi Morita

Takashi Morita é um Hibakusha que atualmente vive em São Paulo e é presidente da Associação das Vítimas da Bomba Atômica no Brasil, composta por sobreviventes da tragédia e seus descendentes. Ele tinha 21 anos quando Hiroshima foi atingida e lembra até hoje dos terríveis momentos após o ataque. Morita foi diagnosticado com leucemia enquanto ainda morava no Japão, fez tratamentos e após melhorar mudou-se para o Brasil. Em abril de 2017, Takashi Morita lançou a autobiografia "A Última Mensagem de Hiroshima: O que Vi e Como Sobrevivi à Bomba Atômica", publicado pela editora Universo dos Livros.

Parque Memorial da Paz

Em 1954 foi inaugurado o Parque Memorial da Paz, projetado pelo japonês Kenzo Tange, na região onde antes localizava-se o distrito de Nakajima. A bomba destruiu essa região, que antes era um dos centros comerciais mais importantes de Hiroshima. Algumas construções permaneceram parcialmente de pé, como a Cúpula Genbaku (Cúpula da Bomba Atómica), e foram mantidas no projeto do parque, que possui 122.100m2 e um museu sobre a tragédia.

Hiroshima

Tanto Hiroshima quanto Nagasaki foram reconstruídas e não apresentam perigo de radiação no ambiente. Mesmo com as adversidades, Hiroshima se desenvolveu e tornou-se uma cidade como qualquer outra. No entanto, as lembranças do ocorrido permanecem dentro de cada um dos habitantese para honrar as vítimas do ataque, todo ano, no dia 6 de agosto, é realizada uma cerimônia no Memorial da Paz de Hiroshima em que milhares de pessoas, entre elas embaixadores e representantes de outros países, se reúnem no Memorial e rezam, pedem por paz e às 8h15 da manhã, hora exata em que a bomba atômica explodiu, sinos tocam nos templos e um minuto silêncio é feito em memória das vidas perdidas.

Hiroshima


Além disso, no mesmo dia ocorre também a Cerimônia das Lanternas, em que as pessoas podem escrever mensagens de paz em lanternas que são colocadas à margem do rio Motoyasu, em frente a Cúpula.
Edição: Mariane Borges


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