Coleta seletiva: prédios residenciais de Bauru ainda não separam seu lixo

Grande parte dos edifícios bauruenses ignoram as leis que estabelecem a separação de resíduos para reciclagem e continuam a contribuir com a poluição do meio ambiente


Condomínios residenciais além se não separarem o lixo, ainda acumulam o descarte
nas calçadas, onde permanece até a coleta da EMDURB / Foto: Milena Almeida

Contrariando a lei estadual paulista 12.528 e a lei municipal bauruense 6854/2016, grande parte dos 177 prédios residenciais da cidade de Bauru ainda não faz coleta seletiva.

Além de passível multa aos condomínios verticais que não cumprem a norma, num valor que pode variar entre R$ 1.000,00 e R$ 12.500,00, a falta da separação dos resíduos tem efeito prejudicial sobre o meio ambiente, já que o lixo que poderia ser reciclado pelas cooperativas, acaba sendo acumulado em aterros e lixões.


Segundo o presidente da Empresa de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (EMDURB) Elizeu Eclair,em entrevista ao Jornal da Cidade, diariamente são coletadas em média 300 toneladas de lixo orgânico e apenas 10t de recicláveis. Destas 300 toneladas de detritos, cerca de 34% (100t) poderiam ser recicladas, ou seja, a quantia descartada de forma inadequada supera, em 10 vezes, o que é corretamente destinado à reciclagem.
Fachada do prédio Cidade Universitária em dias de coleta geral da EMDURB / Foto: Milena Almeida
A prefeitura de Bauru afirma não possuir registro de quantos edifícios residenciais realizam a coleta seletiva, devido aos acordos que os mantenedores destes fazem com pessoas que recolhem recicláveis e retiram diretamente no local. Deste modo, não há fiscalização rigorosa por meio dos órgãos estatais sobre a efetividade das leis promulgadas, contribuindo, assim, para que o descarte indiferenciado se prolongue e a quantidade de lixo nos aterros continue a aumentar.


Em prédios que não realizam a separação, o acúmulo de resíduos acaba sendo deixado nas calçadas para posterior recolhimento geral da EMDURB. A estudante Isabela Lugli, 19, residente do prédio Cidade Universitária, o qual não realiza coleta seletiva, comenta “Quando os sacos de lixo são recolhidos de cada andar, eles são depositados na porta da garagem, não me sinto prejudicada dentro do prédio, mas na calçada acho que isso é uma forma de poluição”.
O lixo na calçada também é um problema estético
Por outro lado, a maioria dos prédios cujos mantenedores são adeptos à ideia de coleta seletiva realizam apenas uma separação primária, entre resíduos orgânicos e recicláveis, o que apesar de não ser o ideal, pode ser considerado como o primeiro passo para efetivação do processo de reciclagem e conscientização dos próprios moradores do condomínio.
A universitária Letícia Marin Romero, 19, mora no prédio Plaza España, que realiza a coleta por meio de dois recipiente distintos para descarte diferenciado entre o que é orgânico e o que pode ser reciclado, e afirma “A maioria, senão todos os moradores são adeptos, porque sempre que eu estou passando pelo hall, ou mesmo quando eu estou descendo com lixo, eu sempre vejo o pessoal usando as duas lixeiras”. Além disso, a universitária demonstra entendimento sobre a importância do processo realizado em seu condomínio, ao enfatizar:
 “Eu acho a reciclagem muito importante porque os nossos recursos são finitos e o planeta não tem capacidade de decompor tudo o que produzimos na velocidade que a gente precisa”.


A adesão de todos os condomínios à disponibilização de lixeiras sinalizadas para o descarte orgânico separado do reciclável e posterior separação do acumulado para a recolhida por parte de empresas especializadas, já seria uma iniciativa para transformar a situação a favor do meio ambiente. A partir desta atitude, a possibilidade de desenvolvimento para seleção completa entre os resíduos de acordo com o material de sua composição, torna-se mais próxima.
Mas, enquanto isso não é uma realidade, os moradores de Bauru que querem contribuir para a causa descartando seu lixo de forma adequada, podem recorrer aos Ecopontos, locais oferecidos pela Prefeitura para que os detritos sejam depositados de acordo com os princípios da coleta seletiva.


Editora: Beatriz Bethlem




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