As propostas ambientais do candidato Jair Bolsonaro

Com o lema de "Liberdade e Fraternidade"o candidato Jair Bolsonaro lança seu plano de governo

Reprodução: www.bolsonaro.com.br

Com o julgamento do Tribunal Superior Eleitoral que decidiu pela rejeição da candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva à presidência, o candidato Jair Messias Bolsonaro (Partido Social Liberal), 63, assume o primeiro lugar entre as intenções de voto dos cidadãos brasileiros (22%) para o cargo de dirigente da República, de acordo com a pesquisa do Datafolha divulgada em agosto.


O candidato que larga na frente na corrida presidencial ingressou na política em 1991 como deputado federal pelo estado do Rio de Janeiro, após ser expulso  do posto de Capitão da Reserva do Exército brasileiro por transgredir normas do Regulamento Disciplinar da instituição militar, ao comandar greves por aumento salarial.

Depois de sequentes seis mandatos concluídos e um que terminará em 2019, o congressista se lança como presidenciável e se alia ao Partido Renovador Trabalhista Brasileiro, nomeando o General Antônio Hamilton Mourão como seu vice, o que o garante 8 segundos de espaço para sua propaganda eleitoral em canais televisivos de rede aberta durante o período eleitoral em 2018.


Bolsonaro e seu plano D de vice-presidente, o general da reserva Antônio Hamilton Mourão/Reprodução: Diário do Poder

A partir dos citados 27 anos como deputado e com o lançamento de seu atual plano de governo “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”, é possível delinear determinadas ações que Bolsonaro tomaria no caso de ser eleito para o cargo presidencial. Entre as atitudes do ex-militar que podem ser previstas, as relacionadas à questão ambiental merecem destaque, tendo em vista que o presidenciável não esconde sua postura favorável ao fortalecimento do agronegócio e da indústria extrativista em detrimento à preservação de recursos naturais brasileiros.


(...)o agronegócio, bem como quero dizer que não resta a menor dúvida de que esse setor é a locomotiva da economia do Brasil.Infelizmente, é uma palavra satanizada por parte daqueles que não conhecem o heroísmo desses que labutam no campo. Nós temos problemas sérios na agricultura: da porteira para fora, não há qualquer apoio governamental —essas pessoas precisam desse apoio!Por exemplo, o potássio: em grande parte, a agricultura precisa do potássio, e somos totalmente dependentes de qual país? Da Rússia! Temos uma enorme mina de potássio na região do Rio Madeira que não é explorada por vários motivos: licença ambiental — um Presidente com pulso resolveria o problema; questões de reserva indígena(...)- Discurso feito em 23/02/2016,  disponível no site oficial da Câmara dos Deputados.

Nesse sentido, a questão das reservas ambientais (áreas destinadas à preservação) é constante entre os discursos do candidato. Segundo Bolsonaro, as reservas são agentes limitantes para extração de recursos naturais e promovem o empobrecimento do país, preservando a natureza enquanto ela poderia ser utilizada para o crescimento  econômico.

A política ambiental é péssima em nosso país. Se quiser fazer uma hidrelétrica, em Roraima ou no Valdo Ribeiro, por exemplo, é impossível, tendo em vista a quantidade de terra indígenas, quilombolas, estação ecológica, parques nacionais. Tem que colocar um fim nessa política xiita que está sufocando o Brasil - Trecho extraído de cobertura do portal de G1 sobre a visita do candidato ao Mato Grosso.

Apesar de seu repúdio a reservas ambientais, o candidato reconheceu, de acordo com a cobertura da Folha de São Paulo à sua visita a Manaus em dezembro de 2017, que o aquecimento global e o desmatamento podem levar "ao fim da espécie humana”. Em seu discurso promulgado na época, Bolsonaro não considerou a instauração de políticas de preservação ambiental como recurso de combate a tais fenômenos, mas sim o controle populacional.


O presidenciável entrou com uma ação judicial  em 2013 para que pudesse pescar na Estação Ecológica de Tamoios (RJ), reserva ambiental onde a pescaria é estritamente proibida, após ser autuado pelo Ibama por praticar pesca amadora nas áreas de proteção/Reprodução: O Globo

Em seu plano de governo, Bolsonaro não apresenta um tópico específico para tratar de questões ambientais, mas integra alguns pontos deste tema na sessão nomeada “AGRICULTURA: UMA PROPOSTA DE MUDANÇAS” estabelecendo que seu governo atuaria nas seguintes frentes:

“Política e Economia Agrícola (Inclui Comércio)
Recursos Naturais e Meio Ambiente Rural
Defesa Agropecuária e Segurança Alimentar
Pesca e Piscicultura
Desenvolvimento Rural Sustentável (Atuação por Programas)
Inovação Tecnológica” (p. 68)

Tais propostas não são explicadas no decorrer do documento, mas na sequência é dado destaque à manutenção do ambiente rural em pró da viabilização do crescimento do setor agrícola para qual Bolsonaro prevê “Desburocratizar, simplificar, privatizar, pensar de forma estratégica e integrada; o setor pode deixar de ser um gargalo para se transformar em solução” (p.69).

Além disso, a causa ecológica é meramente mencionada novamente apenas no tópico “PETRÓLEO E GÁS: Fim do monopólio da Petrobras no Gás Natural” onde é dado destaque ao Gás Natural que “tem ganho destaque na matriz energética brasileira, contribuindo na transição para reduzir as emissões de CO2 e ajudar a integrar outras fontes renováveis intermitentes” (p. 75).

O candidato Jair Bolsonaro não apresenta propostas, nem em sua trajetória congressista nem em seu plano de governo, sobre a preservação do meio ambiente e, ao contrário, preza pelo desenvolvimento agrícola irrestrito em um cenário nacional onde em média 128 terrenos do tamanho de campos de futebol são desmatados por hora na Floresta Amazônica, de acordo com reportagem da revista EXAME, para extração vegetal e garantia de espaço para expansão da agropecuária.


O candidato conservador fez com que o Partido Ecológico Nacional abandonasse sua raiz ambientalista e se tornasse o Patriota para que o presidenciável se filiasse. Por fim, Bolsonaro se filiou ao PSL/Reprodução página 3.


Edição: Ingrid Watanabe