Cabo Daciolo não cita meio ambiente em seu plano de governo

Com 1% das intenções de voto, o candidato encontra-se recluso rezando pela nação 

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Candidato do Patriota sustenta ideias conservadoras mirando no eleitorado antissistema e descrente da política tradicional. Foto: Reprodução / Acervo Câmara dos Deputados


Benevenuto Daciolo Fonseca dos Santos, conhecido popularmente como Cabo Daciolo, tem 42 anos e é candidato à presidência pelo Patriota/RJ, antigo Partido Ecológico Nacional (PEN/RJ). Sua vice, também do Patriota, é a pedagoga Suelene Balduino. Daciolo é evangélico e ficou conhecido pelo discurso extremado e por citar passagens da Bíblia em suas falas na Câmara e nas mídias.

O candidato, nascido em Florianópolis, é sargento inativo do Corpo de Bombeiros e político brasileiro. Foi líder de uma greve de bombeiros na cidade do Rio de Janeiro, em 2011, motivo pelo qual foi convidado a se filiar ao Partido Socialismo e Liberdade (PSOL). Em 2014, inicia sua carreira política sendo eleito deputado federal do Rio pelo partido, mas foi expulso do partido no ano seguinte, por defender posições que contrariavam seu estatuto.

Cabo Daciolo integrou também o PTdoB em 2016, hoje chamado de Avante. Em 2018, filiou-se ao Patriota buscando a candidatura à presidência, antes negociada com Jair Bolsonaro. O partido apresentou Daciolo como candidato em março deste ano.


Propostas para o meio ambiente




Em seu plano de governo, Daciolo não atribui tópicos ao meio ambiente e à cultura. Dessa forma, o Impacto vasculhou o site da Câmara dos Deputados, conferindo as emendas de todas as proposições do candidato Cabo Daciolo desde o início de sua trajetória política. Nenhuma delas sequer se referia ao meio ambiente. No entanto, a Indicação 2195/2016 chamou nossa atenção ao sugerir apoio institucional às obras de criação da Zona de Processamento de Exportação (ZPE) do Porto de Açu, em São João da Barra, estado do Rio de Janeiro.

 

As ZPEs são distritos industriais onde as empresas instaladas operam sob isenção de impostos, liberdade cambial (não precisam converter as divisas das exportações para reais) e procedimentos administrativos simplificados. A proposta das ZPEs foi aprovada e sancionada pelo presidente Michel Temer em janeiro de 2018 e contava com o apoio do deputado Daciolo.

Porto do Açu

A ZPE, com uma área de 2 km², deve começar a operar em 2019. (Prumo Logística/Divulgação)

Ao longo das dezessete páginas que compõem o documento, não se encontra uma única menção ao meio ambiente ou aos recursos naturais, no sentido de promoção de políticas públicas para proteção e expansão dos mesmos. Há somente afirmações sobre como os recursos brasileiros, sobretudo o petróleo e os minérios, devem ser explorados ao máximo de sua capacidade em benefício da economia.


Durante seu mandato de deputado federal, Daciolo integrou a Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara e propôs 56 projetos de lei, sendo apenas um aprovado pelo plenário. A maioria das propostas se refere à defesa dos militares (policiais, bombeiros, etc) e à difusão da religião cristã.






Editora: Ingrid Watanabe


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