A arte e a natureza de mãos dadas

O artista Felipe Leite fala sobre a importância do meio ambiente na pintura contemporânea

diversas imagens pintadas pelo artista Felipe Leite
Imagem: Felipe Leite / arquivo pessoal

A ecologia é um tema inspirador para muitos artistas. Na pintura, na fotografia e em tantas outras manifestações artísticas é possível encontrar a natureza como elemento primordial.

Felipe Leite, um artista nascido no Vale do Paraíba, interior do estado de São Paulo, tem uma relação profunda e íntima com a natureza desde a sua infância.  Confira o bate papo com o pintor, em que ele revela sobre como retrata o meio ambiente em suas obras.


Impacto: Grande parte de suas pinturas traz referências à natureza. Essa relação é espontânea ou você escolhe esses elementos propositalmente, como uma marca, para compor sua obra?

Felipe Leite: Essencialmente, esses elementos surgiram como algo espontâneo, pois estava comigo desde criança, quando rabiscava flores e animais com giz de cera. Eu nasci e passei toda a minha infância no interior de São Paulo, dentro da Serra da Mantiqueira. Meu mundo e minha fonte de inspiração sempre estiveram ali, então eu não poderia partir de outra visão. Após adquirir uma linha mais madura, passei a pintar elementos da botânica em tudo, propositalmente.

Impacto: O feminino também está muito presente quando você retrata a natureza.

Felipe Leite: Como eu disse, eu cresci no meio do mato e, ainda por cima, rodeado por mulheres. Isso, sem dúvida, me deixou mais sensível para pincelar elementos típicos do universo feminino. Gosto de pintar mulheres, flores e deixar tudo muito colorido. Para mim, a natureza visivelmente é mais materna, feminina e colorida.




Impacto: Hoje, você mora na capital paulista, um ambiente bem diferente do local onde nasceu e cresceu. O que você pensa sobre a abordagem dessa temática na arte contemporânea, de modo especial nas grandes cidades, onde é mais fácil o acesso às tendências de arte e cultura? 

Felipe Leite: É muito importante, sem dúvida! Hoje, principalmente nas grandes cidades, tudo é muito urbano, seco e sem vida. O concreto tomou conta de tudo e, por isso, nos esquecemos da nossa mãe terra. As pessoas precisam de mais verde. Pinto a natureza por amor e luta. Comigo, existem milhares de pessoas que lutam por um mundo mais consciente sobre a importância do meio ambiente, e a arte é fundamental para isso.

Impacto: Há algum ecossistema específico ou referência que utiliza na composição de suas obras? Muitas de suas pinturas também retratam aves. Quais os elementos que mais lhe inspiram e como você escolhe o que pintar?

Felipe Leite: Amo florestas tropicais, grandes folhagens e flores de modo geral. Esses elementos me lembram frescor, alegria e vida, que é o que desejo transmitir para as pessoas. E, de fato, eu amo aves! Sempre me interessei por elas e passo horas a observá-las. Às vezes, quando pego uma tela para criar algo espontâneo, acaba saindo uma ave. Já é um amor inconsciente!




Impacto: Explique pra gente um pouco sobre sua pintura. Quais técnicas você costuma utilizar e que marcam o seu trabalho? 

Felipe Leite: Costumo pintar acrílica e aquarela. Em questão de estética, não gosto muito de me definir, pois transito entre vários estilos. Gosto de me sentir livre nesse aspecto, para simplesmente pintar.

Impacto: Recentemente, suas pinturas estiveram em uma exposição na cidade de São Paulo. Como é, para você, compartilhar com a sociedade algo tão pessoal como são suas pinturas?

Felipe Leite: Durante o mês de agosto de 2018, a exposição Coração Verde foi um sonho que se tornou realidade! Desde que cheguei em São Paulo, desejava expor minhas pinturas de uma forma intensa e, ao mesmo tempo, leve. Então, a convite de um amigo, levei o Coração Verde - uma coleção de pinturas que abordam a natureza como elemento principal - para as paredes de uma brigaderia e cafeteria na Vila Madalena. Acho muito bonito ver jovens, idosos e crianças se deslumbrarem com simples artes botânicas e rostos híbridos com flores e plantas. Me dá esperança observar tantas pessoas “de coração verde”, interessadas nesse tema e envolvidas com a exposição.




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