Produção de plásticos aumentou 200 vezes nos últimos 69 anos

Estudo divulgado pela WWF revela dados alarmantes sobre a produção de plástico no mundo

A produção de plástico virgem aumenta 4% ao ano desde 2000, segundo estudo da WWF

Estudo divulgado pelo Fundo Mundial para a Natureza (WWF) revela que a produção de plástico virgem aumentou em 200 vezes desde 1950 e se essa situação não mudar, 104 milhões de toneladas de plástico irão poluir os oceanos até 2030, o que equivale a 26 mil garrafas plásticas por km² de água. 

Esses índices deixaram um alerta vermelho sobre o descarte incorreto de produtos à base de plástico, uma vez que 80% da poluição plástica nos oceanos é produzida em terra. O professor e pesquisador da Unifesp, Luiz Felipe Gusmão, adverte: 
“se nós quisermos solucionar o problema dos plásticos temos que pensar não apenas no uso final, mas na cadeia de produção."

Segundo a WWF, atualmente o volume de plástico que vai parar nos oceanos equivale a 60 aviões Boeing-747 por dia (Infográfico: Anna Luiza de Melo Dias)

Gusmão tem pesquisado particularmente a presença de microplásticos em corpos d’água no Brasil. Os microplásticos são pequenas partículas plásticas que podem surgir de forma direta, através de cosméticos esfoliantes e fibras de roupas, ou indireta, pela fragmentação de pedaços de plásticos maiores. 

Seus estudos mostraram que pequenos anelídeos que vivem nos grãos de areia se alimentam do micro plástico acumulado nas praias brasileiras. No entanto, até hoje não se sabe quais são os impactos reais do microplástico para o organismo humano e dos animais, pois “as evidências que temos na literatura não são muito claras”.

O professor também destaca que não são só as embalagens plásticas que poluem o meio ambiente, mas que “existe o plastico que vem do polímero antes mesmo dele chegar a ser produto”.

A indústria de produção do plástico virgem, ou seja, aquele que nunca foi utilizado antes, produz pequenas bolinhas que depois são derretidas para fazer o produto final. As práticas da reutilização e reciclagem são importantes porque a diminuição na produção desse polímero evita que essas bolinhas atinjam o meio ambiente ao serem transportadas. 

A preocupação com a poluição por microplásticos se deve ao fato de ser uma material muito resistente: “a tendência é que esse plástico fique no ambiente por muito tempo”. 

Agenda proposta pelas Nações Unidas (ONU) prevê o consumo responsável [12] como medida para se atingir um desenvolvimento sustentável até 2030. Imagem: ONU

Algumas iniciativas pelo mundo já tem a produção e consumo sustentáveis como seus valores principais. Na Noruega os produtores e importadores de plástico devem pagar uma taxa ambiental de cerca de 40 centavos por garrafa plástica. Essa medida, adotada em 2014, busca incentivar a reciclagem e o consumo sustentável.
O projeto já mostrou resultados: 94% das garrafas plásticas da Noruega são recicladas. O país também atribui aos compradores a função de realizar o descarte correto de embalagens plásticas. Os clientes pagam uma espécie de hipoteca para cada produto engarrafado que compram. Após o uso, eles podem recuperar a quantia paga depositando suas garrafas em uma das 3.700 “máquinas hipotecárias” existentes.
O Reino Unido, por sua vez, implementou um sistema que recompensa os moradores que realizarem o descarte correto de seu lixo. A iniciativa “RecycleBank” analisa o volume de material reciclado e converte em pontos que podem ser resgatados na forma de cupons vale-compra para diversos produtos e serviços.

Para que uma mudança real ocorra no consumo e produção de itens plásticos é preciso que o preço do plástico virgem reflita seus efeitos negativos ao meio ambiente, de modo a incentivar a substituição desse plástico virgem por reciclados.

Segundo o estudo da WWF, o Brasil é o 4º maior produtor de plástico do mundo e menos de 2% do plástico aqui produzido é reciclado, índice muito inferior à média global de 9% de reciclagem.

Os projetos de lei brasileiros que proíbem a venda de canudos plásticos em vários estados, buscando substituí-los por outros biodegradáveis, são uma esperança de surgimento de uma cadeia produtiva mais sustentável. No entanto, apenas essa medida não é suficiente.

Responsabilizar os produtores e consumidores pela reutilização e reciclagem pode fazer do Brasil um país mais engajado no combate à poluição por plásticos.

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Edição: Rebeca Almeida


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