Estudo da Unicamp descobre fungo capaz de produzir enzima inovadora

O estudo dos biocombustíveis pode descobrir alternativas sustentáveis

Usina Vertente, produtora de etanol em Guaraci, São Paulo (Foto: Sermatec)

Uma pesquisa da Unicamp tem mostrado avanços na área de biocombustíveis, que são fontes de energia consideradas renováveis e com baixa emissão de poluentes. O trabalho representa uma ruptura na atividade de produção de glicose que será fermentada, gerando álcool que pode ser utilizado como combustível. A diferença nesse estudo é que o aproveitamento dos materiais é superior aos métodos clássicos, passando a ser chamado de combustível de segunda geração.

O pesquisador Mario Tyago Murakami, do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas, explicou para o portal de notícias G1, que uma enzima descoberta a partir de micro-organismos encontrados na Amazônia é capaz de liberar açúcares fermentáveis por possuir propriedades funcionais que aumentam o aproveitamento na produção do chamado etanol de segunda geração.

As enzima são substâncias que aumentam a velocidade das reações químicas. A  enzima da pesquisa foi encontrada no lago Poraquê, na Amazônia, num fungo da espécie Trichoderma harzianum. Essa enzima produzida tem potencial de se tornar um conjunto de enzimas hidrolíticas, isto é, um aglomerado de proteínas que reconhecem regiões de determinadas moléculas e se dividem em outras menores na presença de água. 

Os estudos realizados em laboratório analisam a estrutura atômica das moléculas. Fazendo isso, os pesquisadores, por meio dos instrumentos apropriados, conseguem selecionar com mais precisão as enzimas de maior probabilidade de “acerto”, isto é, as que poderão gerar, da melhor forma, os biocombustíveis.

Segundo Clelton Aparecido dos Santos, outro pesquisador do projeto, a atividade ótima (ideal) de catálise da proteína ocorria a 40 graus. Isso seria um problema na produção em escala, industrial, pois requer uma temperatura específica para a produção.

Os Biocombustíveis no Brasil 


Nos infográficos abaixo, vê-se, respectivamente, a produção brasileira dos biocombustíveis etanol e biodiesel nos últimos anos. (Dados:  Agência Nacional de Petróleo (ANP))






O Impacto conversou com a Bruna Escaramboni, que é bióloga e pesquisadora da UNESP para saber mais sobre o assunto. Segundo ela, o etanol é o principal biocombustível produzido no Brasil. O Brasil é o segundo maior produtor de etanol do mundo, fica atrás dos Estados Unidos. Um outro biocombustível que também está em escala crescente é o biodiesel.

A região Sudeste é a principal produtora de etanol no país, embora haja produção em todas as regiões. O biodiesel é produzido principalmente nas regiões Sul e Centro-Oeste, conforme dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis).

Segundo Bruna, a utilização de biocombustíveis é estrategicamente importante, tendo em vista que são combustíveis sustentáveis e, portanto, uma fonte de energia mais favorável ao meio ambiente. Além disso, eles surgiram como uma alternativa para atender às novas demandas energéticas globais.
Mas, para melhor entendermos a importância dos biocombustíveis, é necessário que antes tenhamos uma ideia quais são os principais e como são produzidos. Confira abaixo:

O biodiesel é um combustível obtido a partir da reação química de lipídeos e óleos, provenientes de vegetais ou animais, esse óleo extraído é misturado com metanol e depois de catalisada e purificada, a reação gera o biodiesel.

Já o biogás, por sua vez, é originado por meio da decomposição de matéria orgânica sem oxigênio. Essa energia renovável provém de aterros sanitários, pântanos, intestinos de animais, etc. Outro importante combustível é o bioetanol, o qual se produz pela biomassa (milho, celulose ou cana-de-açúcar).

Usina de biogás em Minas do Leão, Rio Grande do Sul (Foto: Divulgação)

A importância da produção dos biocombustíveis se dá em função da rentabilidade aliada à sustentabilidade. Ao mesmo tempo em que um resíduo que seria descartado acaba sendo aproveitado, explora-se a mesma área equivalente à produção de combustíveis na maneira tradicional, portanto é uma atividade interessante em diversos aspectos.

Edição: Rebeca Almeida

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