Conheça as vantagens do sexo Eco Friendly

Saiba como é possível se divertir e ainda ajudar o meio ambiente

Campanha de camisinhas Sustain | Reprodução: VICE
Na geração dos nossos avós, falar sobre sexo era um tabu e não havia discussão em relação ao tema. Porém, no decorrer das décadas, ocorreram mudanças sociológicas e culturais que desmistificaram o que é a prática sexual, como também as formas de prevenção às doenças sexualmente transmissíveis.

Nos últimos anos, uma crescente preocupação com a preservação ambiental envolveu parte da consciência mundial. Assim, uma parcela da indústria dos sex shops têm se adaptado na produção de acessórios e preservativos “eco friendly”, os amigos ecologicamente corretos.

Camisinhas veganas e orgânicas


A camisinha ecológica é uma das alternativas sustentáveis desse novo mercado. Em 2014, Jeffrey Hollender e sua filha Meika desenvolveram uma camisinha vegana feita com látex orgânico, chamada Sustain. Jeffrey é colaborador do Greenpeace e co-fundador da Seventh Generation, empresa que distribui produtos ecológicos em supermercados nos Estados Unidos. E Meika, apaixonada pela saúde sexual e reprodutiva das mulheres, criou a primeira marca de produtos naturais relacionados à vagina.

Um dos motivos que levaram os dois a criar a camisinha eco friendly foram as substâncias cancerígenas presentes nas camisinhas tradicionais. Em 2014, um estudo feito pelo Reproductive Health Technologies Project, Projeto de Tecnologias de Saúde Reprodutiva, e pelo Center for Environmental Health, Centro pela Saúde Ambiental, mostrou que 16 de 23 camisinhas analisadas continham nitrosaminas, que são compostos cancerígenos produzidos a partir de nitritos e aminas.

Outra preocupação das camisinhas Sustain é a cadeia de distribuição dos produtos. A produção das camisinhas de látex é feita em larga escala, e na indústria tradicional, poucas empresas se preocupam com os impactos que isso causa. Ao invés de utilizar o composto orgânico final da produção para a adubação e recomposição dos solos, no meio tradicional, a madeira das seringueiras é vendida ou até mesmo queimada, o que emite gás carbônico e colabora com o aquecimento global.

Campanha de camisinhas Sustain | Reprodução: VICE
Em 2008, o governo brasileiro instalou a primeira fábrica do mundo que produz látex de seringueira nativa, chamada Natex, localizada em Xapuri, no Acre. Além de não utilizar matéria prima importada, a fábrica gera emprego para mais de quinhentas famílias da Reserva Extrativista Chico Mendes.

Durante 10 anos, a Natex correspondia a 20% da produção de preservativos distribuídos gratuitamente no Brasil. O Ministério da Saúde comprometeu-se a comprar cerca de 100 milhões de camisinhas produzidas pela fábrica, o que ocorreu no período de 2015 a 2016. Porém, em 2017, houve uma redução para 41 milhões de unidades, devido ao aumento no custo dos preservativos. Já em 2018, a fábrica estatal encerrou suas atividades e não há previsão de retorno para os próximos anos.

Vibradores, Chicotes e Lubrificantes ecológicos


A preocupação sustentável e o interesse pela educação sexual fizeram com que Sara Rodenhizer fundasse o primeiro sex shop ecológico do mundo. Localizado em Berlim, na Alemanha, o Other Nature fornece os mais variados produtos desse nicho com uma coisa em comum: a sustentabilidade.

Em entrevista à Agência Efe, Anne Bonnie Schindler, sócia e gerente da loja explica como surgiu essa ideia: “A princípio, o objetivo da loja era facilitar a prática do sexo exclusivamente através de produtos ecológicos, e depois decidimos fazer um ‘sex shop’ puramente vegano”.

Todos os produtos encontrados no sex shop sustentável não contém material de origem animal e não faz testes em animais. Além disso, o cuidado com a saúde dos consumidores é um valor importante na Other Nature, que não fabrica lubrificantes que contenham glicerina, alérgenos e parabenos, compostos potencialmente tóxicos e alérgicos para o organismo humano.

Os vibradores fornecidos pela loja são feitos de silicone biodegradável, ao invés de plástico, PVC e borracha. Já os lubrificantes atóxicos são à base d’água, livres de fragrâncias sintéticas, conservantes e produzidos a partir de extratos botânicos orgânicos e veganos.

Para os praticantes de BDSM, os chicotes e algemas são feitos no conceito upcycling, que visa reaproveitar a matéria inicial para recompor um novo produto, nesse caso, feitos com pneus de bicicleta. Assim, o consumidor não precisa se preocupar com o uso de couro, que colabora para a crueldade e exploração animal.

Outra marca que investiu no sustentável foi a Swan Vibes, com vibradores em formato de folhas e plantas. O diferencial da linha chamada Leaf é que esses vibradores são feitos 100% de silicone sem emendas e possuem bateria recarregável de lítio, o que evita o descarte acentuado de pilhas comuns. Além disso, esses produtos são totalmente impermeáveis, ou seja, têm uma maior durabilidade.

O desenvolvimento de produtos eróticos na linha eco friendly é uma nova tendência nos sex shops do exterior. Afinal, unir a ideia do ecologicamente correto junto ao sexo é o mesmo que sentir prazer de consciência limpa.


Edição: Bruna Tastelli

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