Redução de lixo orgânico através da compostagem

A prática evita a produção de chorume nos lixões e a possível contaminação do solo





De acordo com o Fundo Mundial para a Natureza (WWF) o Brasil é o 4° país que mais produz lixo no mundo. São mais de onze milhões de toneladas descartadas e aproximadamente 7,7 milhões vão para aterros sanitários. Considerando esses dados preocupantes, é essencial ficar atento ao consumo desenfreado e a maneiras alternativas de transformar o lixo orgânico em material reaproveitável.


Mas afinal, o que é a compostagem?

A compostagem é um processo biológico no qual micro-organismos como fungos e bactérias são responsáveis por transformar a matéria orgânica industrial, florestal, agrícola ou doméstica em adubo

Camila Victorino é bióloga, mestra formada pela USP, doutora em neurociências pela University of Surrey na Inglaterra e fundadora do projeto “Pensando ao contrário”. Em resposta ao Jornal Impacto Ambiental ela diz que a compostagem nada mais é do que o processo controlado da compostagem natural do lixo orgânico biodegradável. 

Segundo Camila, minhocas são muito importantes na compostagem já que auxiliam na mistura do composto, oxigenando o material, comendo parte dele e diminuindo a superfície de contato para acelerar o processo. 

Por que fazer?

De acordo com dados divulgados pela Associação Brasileira das Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe) 37 milhões de toneladas de lixo orgânico são produzidos no Brasil, mas apenas 1% é reutilizado. 

A compostagem é uma alternativa simples e eficaz para reduzir esses números e colaborar com a diminuição da produção de lixo. Camila explica que naturalmente, este "lixo" se transforma em adubo num processo de compostagem natural. No entanto, infelizmente, muito se é perdido, pois ele é misturado com materiais recicláveis e não recebe o destino adequado. 

Esse material orgânico poderia ter sido transformado em adubo de ótima qualidade. A solução para este problema é o tratamento e manejo deste "lixo orgânico" pelas próprias pessoas produtoras deste material e realizando a compostagem doméstica.

A compostagem caseira permite que até mesmo você que mora em apartamento possa colaborar com o meio ambiente, contribuindo para um país com menos produção de lixo. Camila afirma que as composteiras cabem na lavanderia ou em um canto da cozinha, ocupando pouco espaço.

Ela complementa que para a maioria das pessoas que trabalham fora, uma composteira pequena é suficiente e é possível encontrar modelos prontos para a venda, sendo possível até mesmo construir a sua versão caseira.

Alguns dos materiais que podem ou não ser depositados em uma composteira / Infográfico: Nayara Delle Dono

De acordo com Camila, carnes e papel higiênico, por exemplo, não são compostáveis por conta do mau cheiro e a possibilidade de contaminação do adubo com fezes humanas. Ela também ressalta a preocupação que devemos direcionar para os impactos causados pela produção de derivados de animais, responsáveis por desmatamento e poluição ambiental.

Ou seja, restos de alimentos que geralmente descartamos são matérias-primas naturais na produção de adubo úmido ou líquido, por isso, além de auxiliar na redução do lixo, a prática da compostagem pode fornecer a força que faltava para sua hortinha caseira.

A Abrelpe revelou que o despejo inadequado do lixo aumentou em 3% de 2016 para 2017, assim como a produção de lixo no país nesse mesmo período. Esses fatores contribuem para a contaminação de aquíferos e reservatórios, prejudicando a qualidade de vida da população e do solo. 

E como mudar essa realidade?


Para Camila, a falta da prática de compostagem na rotina dos brasileiros se dá pela carência de educação ambiental e pouca vontade política para desenvolver projetos nessa área. Muitas pessoas não sabem como o processo funciona e não o fazem por medo de insetos e odor, entretanto, a bióloga realiza a compostagem e garante que nunca teve problema com mau cheiro.

É nossa responsabilidade buscar a redução do lixo através do controle do consumo e de práticas como a compostagem, que utilizam o reaproveitamento como principal combustível para a preservação do meio ambiente. 

Camila recomenda a prática da compostagem para todos, principalmente aqueles que têm filhos e netos, pois o processo é um ato de amor ao planeta e para com as futuras gerações.  Assim é possível sermos mais responsáveis e politicamente conscientes, através da gestão do nosso próprio lixo.

A bióloga alerta que é nossa responsabilidade trilhar caminhos para novas ações ecológicas e que a compostagem é a porta de entrada para uma maior consciência ambiental, que levará para hábitos mais sustentáveis como se vestir e consumir de maneira mais consciente.

Aprenda a fazer a sua própria composteira com garrafa pet ou então participe da oficina de composteira doméstica no Sesc Bauru!



Editora: Rafaela Thimoteo

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