Greta Thunberg e a mobilização socioambiental jovem

A ativista sueca de apenas 16 anos luta pela solução da crise climática global

Greta mobilizou milhares de jovens no mundo todo a ir às ruas pelo clima em março deste ano. (Foto: DW Brasil)

Às sextas feiras estudantes do mundo todo faltam aula em nome do movimento “Fridays For Future”, a ideia é que esses jovens vão às ruas para protestar a favor da solução da crise climática. Toda essa mobilização foi inspirada pela sueca Greta Thunberg, 16 anos, que em agosto de 2018 decidiu não ir aula em uma sexta feira e seguiu para a frente do prédio onde fica o parlamento na Suécia, com um cartaz escrito “Greve Escolar pelo Clima” e panfletos com informações científicas sobre a mudança climática.
A intenção de Greta era chamar a atenção dos políticos de seu país para a gravidade da crise climática e como isso afetará as gerações futuras. Ela fala em como teme que seus filhos não tenham a mesma oportunidade de viver em um planeta sem alterações graves na natureza. Oito meses depois do seu primeiro ato, em março de 2019, mais de 1,5 milhão de pessoas foram às ruas para protestar em nome do movimento #SCHOOLSTRIKE4CLIMATE. Devido a sua posição ao assunto, Greta também foi convidada a discursar durante a cúpula do clima da ONU.

Enquanto isso na ONU

No dia 23 de setembro, durante o seu discurso na ONU, Greta fala que ela não deveria estar ali, que ela deveria estar na escola do outro lado do oceano. Thunberg cobra os líderes mundiais dizendo que eles roubaram sua infância com palavras vazias e por só pensarem em dinheiro enquanto o ecossistema entra em colapso e uma extinção em massa se inicia.
A jovem é a voz de milhares de outros que se preocupam com um futuro devastador em nosso planeta, que acreditam que sem uma mudança não haverá futuro para as próximas gerações. Afinal, de que adianta ir à escola para garantir um futuro que pode não acontecer, essa é uma das ideias mobilizadoras do movimento.
Atualmente o movimento Fridays For Future acontece em 130 países com jovens de diversas idades, contando até com o suporte acadêmico que criou os “Cientistas para o futuro” com aproximadamente 23 mil profissionais engajados. Os protestantes lutam a favor da meta de 1,5 grau do Acordo de Paris, onde os países se comprometem a manter o aumento da temperatura em apenas 1,5 grau celsius, no máximo 2°C.
O Movimento Fridays For Future se espalhou no mundo inteiro inclusive no Brasil. Rio de Janeiro. (Foto: Fridays For Future Brasil)

Mobilização em Bauru

O engajamento jovem acontece no mundo todo, inclusive no Brasil. Essa geração está muito preocupada com o futuro do planeta e em como seus filhos e netos vão aproveitar o meio ambiente. Em Bauru, por exemplo, existem diversos movimentos de iniciativas juvenis que discutem a mudança climática e buscam causar impacto ambiental positivo no planeta. A juventude bauruense se faz muito presente na batalha em prol da transformação na forma em que os seres humanos tratam o meio ambiente.
Um desses movimentos é o Comitê Bauru Pelo Clima que ainda está em sua fase de estruturação, mas que propõe ações diretas no âmbito socioambiental e luta pela transformação social. O coletivo promove ações educativas e atos de mobilização política, pois o objetivo é promover a mudança social coletiva na região de Bauru, democratizando a causa socioambiental ao levá-la aos públicos mais diversos, de centro ou periferia, homens ou mulheres, crianças ou adultos.
“A Greta é, sem dúvidas, uma figura importantíssima para a luta contra a Crise Climática. Ela inspirou diversos jovens pelo mundo todo e tem tido muita visibilidade, o que trouxe holofotes para o problema socioambiental”. Afirma Iana Uliana Perez, doutoranda da Unesp de Bauru, que foi uma das responsáveis pela organização do comitê. Ela e outras duas integrantes do coletivo, Fabiana Silva e Julia Kano, nos contam que além de Greta existem outras mulheres engajadas na luta socioambiental no Brasil e na América Latina.
Um dos exemplos é Paloma Costa da ONG Engajamundo, que também discursou na Cúpula do Clima da ONU. Na liderança indígena há nomes como Sonia Guajajara, além das mulheres agricultoras que compõem a Marcha das Margaridas e os agricultores do MST. Iana também declara que:
As mulheres estão na linha de frente da crise ecológica. No Sul Global, elas têm papel central na produção rural, na reprodução social e no cuidado, são protetoras da natureza há muito tempo.

Mobilização Estudantil

Além do Comitê pelo Clima, que tem como foco os problemas locais da cidade, a Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” – UNESP, possui projetos e mobilizações pelo clima que trabalham a anos na batalha da preservação da natureza e no socioambientalismo, um exemplo é o próprio Jornal Impacto Ambiental.
O projeto de extensão Muda Design, do curso de Design da Faculdade de Artes, Arquitetura e Comunicação Social (FAAC) da Unesp, tem como principal foco o desenvolvimento de projeto sustentáveis. Ele envolve alunos da graduação, professores, técnicos, alunos da pós-graduação e bolsista de iniciação científicas, atuando na maior parte na área de design do produto, porém se expandindo nas diversas áreas e desdobramentos do curso. A concretização de projetos e os benefícios a sociedade motiva esses jovens a dar o melhor e cada vez mais fazer a diferença.
Outro projeto engajado com o meio ambiente é a empresa júnior, Lótus Jr, formada por alunos do curso de ciências biológicas da Faculdade de Ciências (FC). A Lótus possui uma grande responsabilidade com o meio ambiente. "É nosso dever como estudantes de biologia e membros do Movimento Empresa Júnior impactar a região em que estamos através de projetos que promovam a mudança do meio envolvendo também a população”, explica Gabrielly Rauch, atual presidente da empresa. 
Os projetos desenvolvidos pela empresa júnior vão de educação ambiental, como o PGRS (Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos), em que são planejadas todas as etapas da gestão de resíduos sólidos gerados em eventos, condomínios, hospitais, construções, entre outros. Em uma parceria com a “Vetiver Consultoria e Projetos Ambientais”, que participou da construção do tratamento de esgoto da cidade esse ano, a Lótus levou educação ambiental de casa em casa através de questionários aplicados em determinados bairros de Bauru para falar da separação dos resíduos.
A geração atual de jovens está extremamente preocupada com o que vem pela frente e os especialistas vêm alertando sobre a crise climática há anos, mas o atual modelo de desenvolvimento global ameaça a sobrevivência humana. É preciso que essa juventude fale enquanto pode para impedir que o planeta se torne inabitado futuramente.

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Edição: Rafaela Thimoteo.

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