Conheça a BioSinergia, empresa que produz adubo através do seu lixo

Startup criada em Bauru ajuda o meio ambiente e ensina sobre o tipo de lixo mais desvalorizado, o orgânico.

Logo da empresa BioSinergia. Imagem: BioSinergia
De acordo com relatório da ONU divulgado em junho de 2019, o Brasil é o sexto país mais populoso do mundo. Com cerca de 211 milhões de habitantes, os números referentes a produção de lixo da população são alarmantes.Segundo dados da Associação Brasileira das Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), em 2018 o país produziu 37 milhões de toneladas de lixo orgânico.

Aterro sanitário em São Paulo. Foto: Divulgação
Mesmo podendo ser reutilizado se tratado, apenas 1% desse lixo foi reaproveitado. Todo o resto foi encaminhado para aterros, nos quais o material orgânico se decompõe, gera gás metano e prejudica nossa atmosfera.

Entre as diversas maneiras de mudar essa situação, o professor de Geografia do ensino médio do Colégio Alfa Sciens em Bauru, Thiago Ramires, resolveu adotar uma delas. Em 2019 fundou uma startup com o objetivo de incentivar a população da cidade a depositar seus resíduos orgânicos em local adequado.

A empresa recebeu o nome de BioSinergia e teve como inspiração um negócio social do Rio de Janeiro chamado, Ciclo Orgânico, responsável por coletar o lixo da capital carioca, passando-o pelo processo de compostagem.

A BioSinergia opera através de um sistema de baldes de coleta. Ao assinar os serviços a pessoa recebe um balde e uma sacola feita de amido de mandioca, onde deverá depositar restos de alimentos. Por ser uma iniciativa nova e que se limita a Bauru, é Thiago quem coleta todo o lixo e o leva para ser tratado e transformado em fertilizante.

A primeira coleta foi feita em janeiro deste ano e o tratamento era feito através de um biodigestor que Thiago possui. No entanto, com o aumento da procura pelo serviço, Thiago diz que adotaria o sistema de compostagem em local separado, mesmo que perdendo a primeira remessa de fertilizantes que segundo ele demoraria cerca de seis meses para produzir quantidades significativas.


Exemplo de sistema de compostagem dirigido pela Embrapa. Foto: Divulgação.
Como a coleta é feita sem contato entre os envolvidos, mesmo durante a epidemia do Coronavírus, a BioSinergia opera normalmente. Thiago vai até as casas e realiza a coleta das sacolas de lixo orgânico previamente separadas, utilizando máscara e luvas.

Para assinar os serviços da startup, é necessário preencher um formulário disponível no Instagram @biosinergiabauru. Para aqueles que não possuem a rede social, também é possível entrar em contato via e-mail biosinergiabauru@gmail.com.

Atualmente a assinatura custa R$60,00 e o assinante recebe o balde, assim como uma cesta de alimentos todo mês. Além da contribuição para que o lixo orgânico gerado seja devidamente tratado.

Thiago comenta que seu plano para o futuro é o início da venda do adubo produzido pela compostagem. Ele também deseja compartilhar uma parte desse adubo com alguns de seus assinantes que tenham jardins ou que possam fazer algum uso do produto.

Edição: Nayara Delle Dono.

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