Projeto de alunos da Unesp de Bauru é selecionado em competição da NASA

Saiba mais sobre o aplicativo que chamou a atenção da NASA

A imagem mostra o desenho de um smartphone com um desenho de fogo na tela. Acima do celular tem o desenho do planeta Terra com pequenos focos de queimadas e ao lado pequenos pontos de exclamação.
O projeto é uma iniciativa de estudantes de graduação. Arte: Julia Ruiz


Por Caio Machado

A Amazônia e o Pantanal atingiram recordes de queimadas em 2020. Em Bauru, um incêndio devastou a Estação Ecológica da cidade, conhecida por ser a única reserva de Mata Atlântica da região.

Pensando na necessidade de conter os incêndios, um grupo de estudantes da Universidade Estadual Paulista (UNESP) de Bauru teve a ideia para a criação de um aplicativo - o Fingertip Fire App - responsável pelo monitoramento e denúncia das queimadas em tempo real.

Reunidos na equipe GAIA Enterprise, os estudantes apresentaram o projeto durante a primeira fase do Nasa Space Apps, no hackathon - uma maratona de programação - promovido pela agência estadunidense.

O time é formado por Alessandra Goulart Custodio, estudante de Ciências Biológicas, Felipe Scola Froes e Paulo Henrique Rodrigues Sanchez, estudantes de Física, Pedro Luiz Cason Caldato, estudante de Ciência da Computação, e Bruno Henrique Conterato, formado em Ciência de Dados.

O aplicativo 


A imagem mostra os estudantes em vídeo chamada, a tela está dividida em quatro partes. O primeiro Felipe Rosa, ele é caucasiano, usa óculos quadrados, usa camiseta cinza, possui cabelo e barba pretos e está sorrindo. O segundo é Pedro Sanchez, ele é caucasiano, usa óculos quadrado, possui cabelos levemente loiros, usa camiseta preta e laranja e está segurando um cachorro amarelo. O terceiro é Pedro Caldato, ele é caucasiano, usa óculos retangulares, possui cabelo preto, usa camiseta azul e está com fones de ouvido. A quarta é Alessandra Custódio, ela é caucasiana, usa óculos redondos, tem cabelos pretos, usa regata vermelha, está sorrindo e fazendo o número dois com os dedos.
A equipe Gaia Enterprise (Foto: Social Bauru)


Em entrevista ao Impacto Ambiental, Pedro Caldato informou que a ideia surgiu como continuação de um trabalho, feito por Alessandra, durante a graduação, cujo objetivo era classificar se as queimadas ocorridas na região de Bauru eram espontâneas ou criminosas.

A classificação é feita através da análise de dados da NASA e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e pela comparação entre os dados climáticos de queimadas já ocorridas no Brasil com as que estão acontecendo no momento atual. Em seguida, é utilizada uma fórmula que determina a probabilidade da queimada ter acontecido de forma espontânea ou por meio de ações humanas.

Outra função do aplicativo é mostrar ao usuário um mapa onde estão acontecendo os incêndios, em tempo real, e um botão para efetuar as denúncias. Quando apertado, os dados da localização do usuário são coletados por meio do GPS e o aviso é enviado às autoridades locais. Também são oferecidas soluções rápidas para o combate aos incêndios.

Felipe Froes fala sobre o objetivo do Fingertip Fire App.
“Gerar uma consciência ambiental nas pessoas que irão utilizar o aplicativo, para que elas possam ter consciência do que estão fazendo e possam se reeducar ambientalmente. Observar e pensar ‘aqui tem uma queimada e eu preciso reportar isso’. Porque aquilo afeta não só a geração dela como as gerações futuras.”

O evento


A imagem mostra uma foto do símbolo da NASA. É um círculo azul, com estrelas brancas, escrito NASA em branco com um risco vermelho passando pela palavra.
O Nasa Space Apps deste ano reuniu mais de 26.000 participantes (Foto: Jessie Hodge | Flickr | Creative Commons)


A primeira fase do “NASA Space Apps” aconteceu nos dias 3 e 4 de outubro de forma totalmente remota. A equipe concorreu na região de Ribeirão Preto - SP contra outros 10 grupos.

“O nosso grupo se reuniu, por meio do Discord [plataforma de áudio em grupo], nos dois dias de evento, e nele a gente conversava e foi desenvolvendo o projeto”, relata Alessandra Custodio.

“Conseguimos criar o início da ideia e precisamos apresentá-la em vídeo, que seria um pitch [apresentar a ideia para despertar interesse em possíveis clientes]. Então, fizemos um pitch de 30 segundos e um de 2 minutos para a banca responsável pela seleção e nomeação dos grupos para a próxima fase. Assim, eles poderiam ter uma noção de como é a ideia, como ela funciona e qual seu impacto na sociedade”, conta ela.




                                               
Sobre a participação no evento, Custódio conta que “foi uma experiência incrível, de testar várias habilidades que cada um de nós do grupo tínhamos. Foi interessante ver como que é trabalhar em equipe sob pressão, porque a gente tinha 48 horas para desenvolver a solução e fazer a entrega das demandas como requisitos para poder, pelo menos, estar participando do hackathon.”

A GAIA Enterprise venceu em 1° lugar na região e foi classificada para a segunda fase, de disputa internacional, com outros 400 grupos. Entretanto, a equipe não passou para a terceira e última etapa, cujo resultado sairá somente em janeiro de 2021.

O time de alunos da UNESP receberá um certificado de participação e um prêmio, ambos enviados pela embaixada dos Estados Unidos. “O organizador de Ribeirão Preto comunicou a gente para avisar que haverá um prêmio, mas não sabemos o que é, e nem ele sabe”, explica Alessandra Custódio. 

Os classificados para a terceira fase e os vencedores também receberão certificados. As seis melhores equipes selecionadas pela NASA apresentarão suas ideias em uma base de lançamento de foguetes na base de Cabo Canaveral (Flórida), nos Estados Unidos. As três melhores colocadas receberão investimento financeiro da agência espacial para tirarem as ideias do papel. 

Próximos passos

Sobre o futuro do aplicativo, a equipe pretende continuar com o desenvolvimento e fazer com que chegue ao mercado. Porém, ainda estão estudando a melhor maneira de lançá-lo.

“A gente precisa desenvolver alguma coisa com um orçamento muito baixo. Pensamos em ir atrás de outros investidores, ir atrás de programas para nos ajudar a desenvolver o app, trabalhar com outras empresas possivelmente interessadas em disponibilizar força de trabalho para essa área, para que consigamos alcançar nosso objetivo da forma mais viável possível. Estamos buscando dar um passo de cada vez”, expõe Paulo Sanchez.

No entanto, a equipe está sempre aberta a investimentos. “Uma coisa que nunca vai faltar interesse é receber investidores de fato interessados em fazer com que esse trabalho gere frutos”, acrescenta Sanchez.


Revisão: Anna Araia, João Mateus Macruz e Maria Eduarda Vieira
Edição: Maria Eduarda Vieira

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