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Ativismo alimentar: hábitos que buscam frear as mudanças climáticas

Conheça mais sobre a dieta climatarian, que faz bem à saúde e ao meio ambiente, e busca uma revolução sustentável à alimentação


Arte: Bruno Mael/Julia Ruiz

Por Monique Marquesini


Muitos estudos associam diretamente o sistema alimentar moderno com a devastação do meio ambiente. A produção, distribuição e consumo dos alimentos evidenciam a industrialização do ato de se alimentar e intensificam a destruição ambiental. Essa produção em escala industrial traz diversas problemáticas com o uso de insumos químicos (agrotóxicos e fertilizantes), a plantação de sementes transgênicas, a degradação dos solos, o uso excessivo de água e as emissões de gases do efeito estufa.


A busca por um estilo de vida mais sustentável e que respeite a natureza, tem se tornado cada vez mais frequente. Com o agravamento das mudanças climáticas em todo o mundo e seus impactos ficando cada vez mais extremos, há muitos questionamentos e tentativas de mudanças de hábitos a fim de contribuírem para frear a situação.


A Dieta Climatarian


Uma alimentação baseada no climatarianismo, tem como intuito causar menos danos ao planeta através de hábitos que envolvem a alimentação. Ou seja, quem segue a dieta busca um consumo mais natural e sazonal, com baixa emissão de carbono, preza por saber a origem dos alimentos desde a plantação e até mesmo com a embalagem utilizada.


Alguns dos hábitos daqueles conhecidos como “Climatarianos” são: comer menos carne vermelha, diminuir o desperdício da comida, fazer escolhas sazonais, frescas e orgânicas, optar por produtores locais, evitar muitas embalagens e até mesmo plantar seu próprio alimento em casa.



Incluir mais alimentos naturais e vegetais na dieta podem mudar o rumo da saúde do planeta e dos seres humanos Foto: Alamy / Reprodução

Boa parte das pessoas já ouviu sobre o vegetarianismo e veganismo, nos quais os adeptos excluem a carne e produtos de origem animal. Porém, a dieta climatariana não exclui por completo o consumo animal, os adeptos buscam alternativas focadas em hábitos sustentáveis da atualidade e tentam minimizar a pegada ambiental que a sociedade tem deixado no planeta.


De acordo com o último relatório do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas), a atividade humana e a alimentação estão inquestionavelmente ligadas ao aquecimento global. Dentre as principais causas da destruição dos oceanos e de áreas verdes, a ciência mostra nitidamente que as monoculturas e a criação de gado na pecuária são as principais fontes de gases nocivos à atmosfera.


Como funciona o sistema alimentar?


Está cada vez mais difícil alimentar toda a população mundial, o estilo de vida social vem falhando com a saúde humana e com o meio ambiente. Segundo a FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura), cerca de até 811 milhões de pessoas passam fome no ano de 2020.


A indústria alimentícia é a maior causadora do desmatamento e perda de biodiversidade global. Além de não conseguir garantir comida para todos, esse sistema alimentar acaba gerando grande devastação, desde a plantação de sementes com uso transgênicos e agrotóxicos, a colheita feita com máquinas e a distribuição dos alimentos com transportes poluentes por todo o mundo.


O estilo de vida Climatariano, critica não só a dieta alimentar, mas também uma conduta de vida. Dado que a cadeia alimentar busca tornar a comida cada vez mais em um produto industrial, com o alto número de ultraprocessados e menor diversidade de culturas, a visão de mundo climatariana enxerga na alimentação uma estratégia de tentar mudar o mundo para melhor.


Em entrevista ao Impacto Ambiental, o coletivo de agricultores agroflorestais - Muvuca Agroflorestal, explica sobre formas de produção alimentar e fala mais sobre a dieta climatariana. “Precisamos muito educar os consumidores, para que possam entender sobre como os alimentos são produzidos, e para que assim consigam buscar escolhas realmente melhores. Se não, as grandes indústrias podem se aproveitar da boa vontade das pessoas em se preocupar com o planeta.”, afirmam Carlyle e Átila, fundadores do Muvuca.



O coletivo de agricultores do Muvuca Florestal trabalha para produzir comida através da agrofloresta, e contribui à comunidade com a agricultura sustentável e ligada a causas sociais Foto: Reprodução / @muvuca.agroflorestal

Sobre a dieta climatariana, Carlyle e Átila, que seguem esse estilo de vida, ao serem perguntados de seus hábitos alimentares destacam que: “ A dieta foca muito mais na forma de produção do que no produto final. Ao final das contas, se continuarmos a produzir como hoje, eliminando alguns alimentos, a destruição ambiental continua.”.


Novos costumes são uma perspectiva otimista para o futuro


Com o avanço de estudos, cada vez mais pessoas são impactadas pela produção predatória da indústria alimentícia, e explicita-se a necessidade de encarar a situação de forma multidisciplinar, com avanços para o meio ambiente e para os seres humanos.


É preciso mudanças para que se garanta uma distribuição mais equitativa com uma agricultura possível e sustentável. O surgimento de novas dietas, estilos de vida e modos de consumo, são uma forma de alertar a necessidade de repensar.



Revisão: Maria Clara Conceição

Edição: Maria Eduarda Vieira

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