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Como a Década dos Oceanos almeja transformar a relação humana com os ecossistemas marinhos

O Dia Mundial do Oceano foi instituído no ano de 1992, durante a conferência Rio-92 no Rio de Janeiro

O dia Mundial do Oceano é comemorado em 8 de junho. Foto: Shifazz Shamoon/Unsplash

Por Victória Roberta


A ONU, Organização das Nações Unidas, declarou no ano de 2017, a Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável, durante os anos de 2021 até 2030, em todo o mundo. A iniciativa anseia tornar popular e promover a preservação dos oceanos.


Cientistas e ambientalistas desejam ampliar o conhecimento e necessidade de proteção a vida marinha e como ela está intrinsecamente ligada a toda a biosfera.


Segundo a diretora-geral da agência da ONU, Audrey Azoulay, os oceanos são os reguladores mais poderosos do clima, e segundo estimativas da Comissão Intergovernamental Oceanográfica (IOC) da UNESCO, o conhecimento investido em pesquisas oceanográficas ainda é baixo, apenas entre de 0,04 a 4% de gastos investidos nesta área. A Década dos Oceanos, contribui também para o alcance do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 14 (ODS 14), da Agenda 2030.


A Agenda 2030 é um plano de ação que busca fortalecer a paz através de medidas voltadas para pessoas, Planeta Terra, e a prosperidade através de medidas sustentáveis. Os países integrantes da ONU estão atuando para a implementação do plano, determinados a transformar o mundo em um lugar próspero e sustentável.


O propósito engloba 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e 169 metas, todos buscam a implementação dos direitos humanos, sendo assim integrados e indivisíveis, equilibrando as dimensões do desenvolvimento sustentável, a econômica, social e a ambiental.


Os ODS 14 buscam a conservação dos oceanos, mares e recursos marinhos para o desenvolvimento sustentável. Através das metas, os principais objetivos são:

  • minimizar a poluição marinha;

  • proteger os ecossistemas;

  • reduzir os impactos da acidificação dos oceanos;

  • regulamentar a pesca através de uma gestão sustentável orientando pescadores artesanais e combatendo a sobrepesca;

  • incentivar a pesquisa científica sobre o estudo dos oceanos.

As tartarugas marinhas são apenas alguns dos animais que fazem parte do ecossistema marinho. Foto por Olga Tsai/Unsplash

Os oceanos possuem um papel fundamental para a manutenção da vida em nosso planeta. São responsáveis por manter o equilíbrio da biosfera, da temperatura terrestre e também pela produção de grande parte do oxigênio. Além de ser um berço para tantas espécies marinhas e influenciar no controle climático sendo fundamental para todo o ecossistema terrestre.


Durante a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, ocorrida no ano de 2012, o então secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon destacou que:

Embora os oceanos pareçam infinitos, sua capacidade de resistir às atividades humanas é limitada, particularmente porque eles também enfrentam as ameaças colocadas pelas mudanças climáticas.


E o Brasil na Década da Ciência Oceânica?


O Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) criou o Programa Ciência no Mar, com o objetivo de disseminar conhecimento para o uso sustentável da exploração dos recursos oceânicos, promovendo atividades para o alcance dos objetivos da Década.


A organização do projeto visa o engajamento de todas as parcelas da sociedade, cientistas, educadores, estudantes e todas as pessoas que queiram preservar o oceano.



Parley for the Oceans: uma nova perspectiva de olhar o mundo


A Parley for the Oceans nasceu em 2012, após o seu fundador e CEO Cyrill Gutsch conhecer o capitão Paul Watson, um ativista pela conservação oceânica. Ao saber que o oceano poderia morrer dentro de poucas décadas, o que ocasionaria a extinção de milhares de animais, a Parley for the Oceans nasceu como uma forma de organização ambiental para capacitar líderes que se engajem em mudanças.


A Parley Global Cleanup Network é uma aliança de organizações que agem e lutam para a proteção do mar e a ameaça de poluição. Através de ações colaborativas, limpezas e recolhimento de resíduos plásticos em praias, ilhas, rios e alto mar, não se limitando a limpeza, visando educar e capacitar as comunidades sobre quão nociva é a poluição marítima.


A organização também é responsável pela biofabricação de materiais, como o Ocean Plastic®, uma vasta quantidade de materiais de qualidade para as indústrias como a do esporte e da moda, confeccionado através de detritos plásticos marinhos reciclados, podendo substituir novos materiais.


Tênis da marca Adidas em parceria com a Parley for the Oceans confeccionado com materiais plásticos retirados dos oceanos. Foto: Divulgação/Adidas

“O adidas Group se tornou um membro fundador da Parley e o primeiro a se comprometer com a Parley AIR Strategy. Juntos, implantamos e ampliamos nossos programas focados em educação e comunicação, pesquisa e desenvolvimento, impacto direto e ecoinovação, e desenvolvemos o Ocean Plastic® – um material catalisador feito de resíduos plásticos marinhos interceptados para substituir o plástico virgem, aumentando a conscientização e os fundos para soluções de longo prazo.”, explica a organização para o Jornal Impacto Ambiental.


Além do grupo Adidas, a Parley for the Oceans tem parcerias com a cervejaria Corona e American Express, colaborando e revolucionando a ciência, a moda e o design. O dever de preservar os oceanos é de todos nós. Sem o oceano, não há vida.


Todos juntos pelos oceanos!


Edição: Nayara Delle Dono

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