• Fulano

Como conhecer a história dos alimentos que vão até a sua mesa

Através da rastreabilidade você pode escolher os alimentos mais saudáveis no momento da compra

A imagem mostra um celular escaneando um QRCode em uma maça.
Representação de plantação rastreada. Imagem: ACCeasa

Por Gabriel Barbosa


A rastreabilidade segundo o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) “é a habilidade de se rastrear qualquer alimento por todas as etapas de produção, processo e distribuição até chegar ao consumidor final”.


O termo pode ser novo, mas em breve fará parte da rotina da população. A Associação Brasileira de Supermercados (Abras) pretende implantar até o final deste ano, em 30% dos supermercados, o Programa de Rastreabilidade e Monitoramento de Alimentos (RAMA), em frutas, legumes e verduras produzidas no país.


Nos últimos anos o rastreio de alimentos vem aumentando.
Evolução do programa de rastreabilidade e monitoramento de alimentos. Imagem: RAMA

Como é feita a rastreabilidade?


O rastreio das informações de produção, transporte e comercialização de alimentos tem seus padrões básicos definidos pela norma ISO 22005. A norma diz que todos os detalhes da cadeia produtiva devem ser informados.

Alguns exemplos de informações cobradas são:


Definição do produto e de seu lote;


Dados sobre fornecedores e clientes;


Etapas da produção do alimento e materiais utilizados no processo;


Detalhes sobre o transporte, como distância percorrida e protocolos de recuperação dessas informações.


De onde veio? Produtor (origem); O quê? Laranja (produto); Pra onde vai? Canal de distribuição (destino). Depois consumidor.
Cadeia de rastreabilidade. Imagem: Divulgação

Lasnaia Tavares, pós doutoranda em engenharia de alimentos declara que alimentos diferentes passam por processos de produção diferentes e mostram informações distintas. Carnes possuem informações sobre os animais que as originaram, como a alimentação; já vegetais contêm detalhes sobre adubos e agrotóxicos utilizados.


O surgimento de leis que determinam especificações no rastreio de certos alimentos, também influencia nas diferenças do processo de rastreabilidade, como a Instrução Normativa Conjunta n°02 de 2018, que tem como objetivo melhorar o rastreio do uso de agrotóxicos em vegetais frescos no país.


Os resultados desses rastreios chegam até o consumidor através de QR Codes, códigos de barras ou caracteres alfanuméricos nos alimentos como regulamentado pelo órgão responsável, a Associação Brasileira de Automação (GS1 Brasil).


A foto mostra melões e um certificado de rastreio.
Melões rastreados. Foto: Divulgação

Qual o impacto da rastreabilidade na vida do consumidor?


As informações trazidas pela rastreabilidade podem ajudar os consumidores no momento de escolha entre marcas e lotes, priorizando os alimentos bons para a saúde e para o planeta, como explica Lasnaia:

Com a rastreabilidade implantada no país, as pessoas vão poder ver todas as informações disponíveis sobre o produto na hora de comprá-lo, desde onde ele foi produzido até coisas específicas como a quantidade de agrotóxicos usada durante o plantio de um legume. Outro benefício é a facilidade das empresas em recolher lotes de alimentos com qualquer tipo de problema.

Um exemplo ocorreu em 2011 quando a Europa sofreu com um surto da bactéria Escherichia coli. A Alemanha afirmou que a bactéria provinha de pepinos infectados da Espanha, o que gerou embargos comerciais ao país e milhões de Euros de prejuízo.


Com o maior controle da cadeia de produção que a rastreabilidade traz, problemas como esse podem ser evitados ou tratados de forma mais simples no futuro.


Edição: Nayara Delle Dono


1 visualização