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Como destinamos o lixo nosso de cada dia

Você já parou para pensar no impacto do consumo individual? Confira a compostagem como alternativa sustentável na destinação de parte dos resíduos sólidos!


Arte: Isadora de Paula


Por: Isabella de Oliveira Facin e Isabela Garcia Moura


Todo ser vivo que passa pela Terra deixa rastros de sua existência. Alguns são lembrados por seus resíduos, como os dinossauros do Mesozoico que tiveram seus ossos fossilizados; vegetais soterrados tornaram-se carvão ao longo dos milhões de anos; e até mesmo seres microscópicos, como as cianobactérias: no momento de sua explosão populacional, foram responsáveis pela primeira extinção em massa - o oxigênio, produto de sua atividade basal, era um gás tóxico para os seres que coexistiam no Pré-Cambriano.


O mesmo ocorre com os seres humanos, porém de forma ainda mais drástica. Remetendo-se à Revolução Industrial, ocorrida em meados de 1850, a professora de geografia Maria José da Silva Fernandes coloca que: “os dois últimos séculos foram de profunda mudança da natureza, a apropriação da natureza pelo homem em função do lucro trouxe mudanças muito significativas”.


Entende-se que tais mudanças na natureza são processos realizados ao longo do tempo por populações. Ainda assim, é possível fazer o exercício de “olhar com uma lupa” para estes grupos, que, afinal de contas, são compostos por indivíduos que se comportam: cotidianamente, vestem-se, alimentam-se, fazem higiene pessoal, realizam atividades de lazer e de trabalho.


Cada seção desse modo de vida exige a transformação de recursos naturais através do trabalho, o qual é desempenhado individualmente por todos da sociedade. Da mesma forma, esses recursos transformados são consumidos, e, invariavelmente, geram resíduos que podem ser reaproveitados, reincorporados no processo produtivo, ou não – daí pra frente, são nomeados como lixo.


Em vista disso, desenvolveu-se um cálculo chamado “Pegada Ecológica”, o qual revela quanto nosso modo de vida (pode ser calculado individualmente, para uma cidade ou país) é “sustentável” em relação aos recursos disponíveis no Planeta – isto é, respeitando a capacidade regenerativa dos recursos naturais dos quais nossa sociedade se apropria para se reproduzir. Então é feita a proposta de reflexão:

"Se todas as pessoas levassem uma vida como a sua, de quantos Planeta Terra precisaríamos para suprir toda a humanidade?”.


Foto: Reprodução/WWF-Brasil

Foto: Reprodução/WWF-Brasil









Uma versão rápida da calculadora da Pegada Ecológica para conhecer o impacto de suas atividades cotidianas pode ser encontrada nesta [plataforma], desenvolvida pela World Wide Fund for Nature (WWF) em parceria com o Ministério do Meio Ambiente.


Através de dados sobre alimentação, moradia, tabagismo, transporte, serviços e bens, a plataforma mostra dentro desses setores quais são as opções mais ou menos desgastantes ao meio ambiente, vindo também a indicar possíveis alternativas.


COMPOSTAGEM: UMA ALETERNATIVA SUSTENTÁVEL


Nas últimas décadas, o debate sobre questões de “natureza e meio ambiente” vem ganhando cada vez mais espaço. Como relembra a professora Maria, “a década de 70 era um momento de ‘vamos desmatar’. Havia uma ideia de que o desenvolvimento implicava em não preservar a natureza, tanto que a gente hoje tem um trabalho mais forte nessa perspectiva, de pensar a preservação da natureza como condição da conservação da própria espécie humana”.

Indo em direção à fala da professora Maria, de forma a conciliar desenvolvimento com conservação, nascem iniciativas como a startup ambiental bauruense BioSinergia, que vê uma alternativa sustentável para uma parcela significativa do lixo: a orgânica.


Este tipo de lixo consiste em resíduos de origem animal ou vegetal (ex. restos de alimentos), que sofrem um rápido processo de decomposição natural, ou seja, “somem” da natureza em questão de meses. O idealizador Thiago Ramires sugere que este resíduo seja transformado em adubo para hortas ao invés de ser incinerado, visando diminuir a quantidade de lixo destinada aos aterros da cidade.


Atualmente, Bauru destina aos aterros 300 toneladas de lixo por dia, das quais metade é lixo orgânico. “Daria para diminuir 90% do resíduo que é levado para os aterros. Reduzir a quantidade de lixo aumentaria a vida útil desses lugares de 10 para 15 anos” explica Thiago.


Visando responsabilização e comprometimento a nível individual, o projeto traz uma alternativa para alguns moradores. A ideia é compostar: o contratante recebe um baldinho que deve preencher com resíduos orgânicos, tais como casca de verduras, legumes e ovos, borra e filtro de café, que vem a ser coletado em sua própria casa ao final de 7 dias.


Foto: Reprodução/WWF-Brasil

O resíduo passa por um processo de biodigestão, se transformando em biogás ou biofertilizante. No final de cada mês é enviado um relatório com a quantidade de lixo tratado e o total de gás carbônico que se evitou liberar na atmosfera, além de uma cesta de orgânicos fresquinhos.


"Talvez a próxima geração já tenha mais consciência sobre a finitude. Enquanto que a gente ainda não tem uma noção do fim das coisas. Penso que ainda assim é uma parcela pequena que tem essa preocupação ambiental” declara esperançosa a professora Maria quanto a expectativa da consciência coletiva para as próximas décadas.


Para entrar em contato com o projeto e “adotar um baldinho”, basta acessar o site da [BioSinergia] ou [redes sociais]. Lá são detalhados os processos e há mais informações de como participar e destinar o seu lixo de maneira correta, dando um passo em direção à redução da sua pegada ecológica.


Além da BioSinergia, a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (EMDURB) oferece um serviço gratuito de coleta seletiva de recicláveis para grande parte dos bairros, que acontece regularmente de segunda a sábado. Para informações sobre seu bairro, acesse o site da [EMDURB].






Edição: Isadora Araujo de Oliveira e Mateo Urquieta


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