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Descarte incorreto de máscaras afeta a população marinha

Atualizado: Jun 17

Equipamentos de proteção individual descartados da maneira errada podem agravar problemas ambientais


Cerca de 129 bilhões de máscaras têm sido descartadas mensalmente nos oceanos Atlântico, Índico e Pacífico/Foto: Pixabay

Por Isabele Scavassa


Pouco mais de um ano desde o início da pandemia, alguns hábitos já fazem parte da rotina. O uso de máscaras ao sair de casa, por exemplo, é um deles. Esse equipamento de proteção pessoal reduz o contágio de Covid-19 por meio de gotículas e aerossóis, partículas bem pequenas que ficam espalhadas no ar.


Nesse cenário, existem algumas questões que despontam como consequências da conjuntura do mundo que enfrenta um vírus que até pouco tempo era desconhecido. O aspecto ambiental é uma das discussões que também têm sido pautadas, justamente por conta dos resultados da pandemia.


Em meados de 2020, era possível encontrar notícias de reações positivas da natureza como resultado do isolamento das pessoas, como foi o caso do Canal de Veneza, na Itália, um rio poluído que teve uma melhora durante o período de isolamento social.


Ainda nesse sentido, também é possível destacar pontos negativos, como o descarte indevido de máscaras faciais nesse contexto. Materiais que são jogados em locais não apropriados não é um assunto novo, visto que a discussão sobre a quantidade de lixo no meio ambiente é frequente. Entretanto, o descarte incorreto de máscaras, fruto da nova conjuntura, implica em possíveis contaminações ou contato perigoso com populações marítimas.


De acordo com uma ONG que opera em prol do consumo consciente, o Instituto Akatu, tem-se a previsão de que aproximadamente 13 bilhões de máscaras serão descartadas ao longo da pandemia. Dessa forma, é preciso atentar-se a formas para garantir que esse produto chegue da maneira correta ao lixo e até mesmo planejar possíveis ações para ter o melhor fim para as máscaras que não serão mais utilizadas.


As medidas para orientar o descarte ideal devem ser tomadas o quanto antes, uma vez que luvas e máscaras já têm sido encontradas em número significativo nos oceanos. Uma pesquisa divulgada pela ONG Ocean Conservancy indica que aproximadamente 129 bilhões de máscaras e 65 milhões de luvas são descartadas mensalmente nos oceanos Atlântico, Pacífico e Índico. Esses dados recuperam uma discussão também presente na temática ambiental: a da ingestão desses materiais pela população marinha.


Vale destacar que, assim como o plástico, algumas máscaras devem levar um tempo longo até completar a decomposição. Outro aspecto que pode ser considerado nessa discussão é a poluição ocasionada pela indústria têxtil, que, só no Brasil, descarta 170 mil toneladas de tecidos, dos quais só 20% é reciclado.



Tempo de decomposição


O processo de decomposição das máscaras de pano que usam tecidos de algodão dura cerca de seis meses e podem chegar a um ano. Outros materiais, como o TNT das máscaras cirúrgicas, pode levar até 400 anos para decompor-se completamente. Já os tecidos sintéticos, gastam de 100 a 300 anos para deixarem de existir.


Tendo em vista esses dados, é válido ressaltar que existe uma preocupação com a quantidade de material que será descartado ao longo da pandemia. Uma solução encontrada pelo designer sul-coreano Hanuel Kim foi a de construir móveis de plástico a partir da reciclagem das máscaras. O resultado são bancos coloridos que resultaram na coleção “Stack and Stack”. Esse é um exemplo que pode inspirar ações futuras como forma de contornar o problema da quantidade de resíduos gerados durante o período pandêmico.


Coleção de cadeiras feitas de máscaras recicladas desenvolvida pelo designer Hanuel Kim/Foto: Designboom

Além disso, também é preciso pensar no descarte correto das máscaras como forma de evitar uma contaminação posterior ao se livrar delas. Para impedir situações de risco, existem alguns protocolos que precisam ser seguidos antes de se desfazer de uma máscara facial, indicados a seguir.



Como descartar uma máscara corretamente


Para as máscaras de pano, recomenda-se que elas sejam lavadas antes de serem descartadas, evitando assim um possível contágio. Depois de realizar a higienização, e/ou no caso de serem máscaras cirúrgicas, a bióloga e especialista em educação ambiental Raquel Fiuza explica que


“as máscaras devem ser colocadas em saco plástico separado, bem fechado e, posteriormente, inseridas no lixo comum”. Ela ainda complementa que esses itens não devem seguir para reciclagem, principalmente por não fazerem parte dos itens recolhidos pela coleta seletiva. Outras medidas como deixar esses equipamentos de proteção pessoal separados por 72 horas antes de irem para o lixo, também podem ser adotadas. Os protocolos para o descarte, segundo Raquel, são uma forma para “cuidarmos da saúde dos profissionais de limpeza urbana e evitarmos que as máscaras poluam o meio ambiente”. A bióloga ressalta que o material, quando descartado de modo incorreto, pode causar grandes impactos ambientais, pois muitas vezes o resíduo chega nos rios ou mares, atingindo a biodiversidade. Em um pedido de conscientização, a especialista em educação ambiental alerta sobre as máscaras: “temos que nos atentar ao descarte correto para que algo tão benéfico não se torne prejudicial aos seres humanos e ao meio ambiente como um todo”, conclui. Portanto, dentre os hábitos do “novo normal”, deve continuar existindo um espaço para o cuidado com a natureza, principalmente com as novas demandas específicas do momento.


Post na rede social da Fiocruz orienta sobre o descarte correto de máscaras/Foto: Fiocruz

Edição: Maria Eduarda Vieira

Revisão: Anna Araia e Maria Eduarda Vieira