• Vanessa Pinto Moraes

O grande poder dos pequenos negócios

Valorização de microempreendedores locais movimenta a economia e aumenta impacto ambiental positivo

Em Bauru, acontecem diversas feiras que reúnem artesãos, brechós e alimentação. Vale a pena acompanhar as redes sociais desses produtores para saber mais informações. Foto: Érika Turci/Jornalismo Especializado Unesp

Por: Vanessa Pinto Moraes


Dentro do mercado de consumo local existem muitos produtos menos prejudiciais ao meio ambiente que aqueles vendidos por grandes redes de supermercados. Em Bauru não é diferente: há brechós e lojas que vendem produtos de beleza naturais; feiras de alimentos orgânicos; negócios voltados para a diminuição da produção de lixo nas casas do município; e, até mesmo, alguns eventos que reúnem todas essas iniciativas em um único espaço.


Para Dandara, a cosmetologia natural é uma opção viável para quem deseja ter um estilo de vida mais leve e saudável, pois a natureza oferece elementos versáteis, que podem ser usados de diversas maneiras. Foto: Dandara Tierra Borges De Brunnis Ferreira

A geógrafa e artesã Dandara Tierra Borges De Brunnis Ferreira aproveitou conceitos da graduação e a paixão por produtos de beleza naturais para criar a Tierra Produtos, loja onde vende cosméticos veganos que produz de maneira caseira.


“Valorizar pequenos produtores é uma forma de valorizar a cultura local, criar vínculos e ajudar no sustento dos artistas, principalmente nas cidades pequenas”, explica.

“Desde sempre fui adepta dos meios naturais para cuidados do corpo e da pele, principalmente pela maneira que a indústria cosmética impõe que a ‘velhice’ é sinônimo de feiura”, conta Dandara. Foto: Dandara Tierra Borges De Brunnis Ferreira

Incentivar esses pequenos negócios, principalmente os que estão envolvidos com questões ambientais, de forma a priorizá-los no lugar dos atacadistas, afeta muito mais a vida do consumidor do que se imagina. Veja a seguir alguns exemplos de como esse retorno acontece.


Benefícios do consumo com pequenos produtores


1. Movimentação da economia local: ao incentivar um profissional autônomo ou pequena empresa, estes passam a ter uma renda e a aplicá-la no comércio local, para consumo próprio. Ou seja, a valorização de negócios independentes aumenta a quantidade de consumidores de serviços no geral.


Além disso, de acordo com o último Anuário do Trabalho nos Pequenos Negócios, publicado pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE), de 2016, mais da metade dos empregados com carteira de trabalho assinada atuam em micro e pequenas empresas. Assim, ao valorizar esses negócios, contribui-se para a geração de empregos na região.


Priorizar o comércio local não ajuda somente o meio ambiente, como também na manutenção das relações da comunidade, por meio da manutenção empregatícia e da circulação da renda dessas pessoas dentro do seu círculo social. Foto: Magnus Olsson/Unsplash.

2. Papel social: Para a fisioterapeuta Fabiana Araujo Silva, que vende produtos ecológicos na loja Terra Fecunda no Instagram, essa valorização também é uma forma de manter o dinheiro do consumidor nas mãos de quem se parece com ele, e não com a grande indústria.


“Eu acho que tem esse impacto financeiro e social de a gente colocar o nosso dinheiro, pouco ou muito, num projeto de sociedade em que a gente acredita, em pessoas que estão dispostas a construir esse projeto de sociedade, que é parecido com o que a gente acredita”, relata.


Fabiana explica que, mesmo que nem sempre o artesão consiga certificar 100% dos materiais que utiliza - como é a produção e o transporte dessa matéria prima -, pelo menos a criação tem o mínimo de impacto possível. Foto: Fabiana Araujo Silva.

3. Redução do lixo, do desperdício e da pegada de carbono: no transporte de alimentos de um grande produtor, por exemplo, a quantidade que poderá ser descartada por estragar é considerável se comparada a de produtores próximos ao cliente. A pegada de carbono deixada por esse transporte reduz significantemente quando o produto é feito em casa ou a poucos quilômetros da cidade, e não à distância de estados ou países. 


Diversos artesãos e microempreendedores dão preferência a embalagens que sejam recicláveis, biodegradáveis ou retornáveis  ao fazer negócio com eles, o cliente também colabora com uma menor produção de lixo para o planeta.


Ao comprar em brechós e bazares não se contribui com a poluição da indústria têxtil e o trabalho escravo que diversas lojas de fast fashion utilizam. Foto: Becca Mchaffie/Unsplash

4. Vida mais saudável: não é só a do consumidor, mas toda a vida da Terra. Muitos industrializados têm corantes e fragrâncias sintéticas ou conservantes que podem prejudicar o corpo humano. Produtos naturais e alimentos orgânicos, sem agrotóxicos, são livres ou quase isentos desses ingredientes.


Além disso, a quantidade de recursos poupada ao consumir de negócios locais, como o material para fabricação de embalagens de industrializados, o combustível utilizado no transporte e até recursos humanos, auxilia na preservação do planeta.



Edição: Nayara Delle Dono

Revisão: Anna Araia, Leonardo Scramin e Nayara Delle Dono