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O que o Impacto pensa? - O egoísmo que cerca a domesticação de animais exóticos

Animais exóticos transformados em pets são condenados a uma vida em gaiolas e espaços apertados


Arte: Bruno Mael

Por Nayara Delle Dono


Peludos, de quatro patas, exóticos e até mesmo silvestres... Embora uma pequena lista de animais seja de fato “domesticada”, muitos de nós humanos, insistimos em tentar alimentar a ideia errônea de um “pet”.


O uso do termo “pai” ou “mãe de pet” é cada vez mais comum nas redes sociais e embora seja uma forma carinhosa de demonstrar o quanto nos importamos com esses animais, muitas vezes pode auxiliar na “normalização” de uma criação inadequada.


De acordo com o Instituto PET Brasil, dos mais de 100 milhões animais domésticos contabilizados nos últimos anos, mais de 2 milhões deles são relativos a répteis e pequenos mamíferos exóticos.


Esse valor foi resultado do crescimento de quase 6% desses números desde 2013 até 2018. Mas, o preço por criar esses animais geralmente é pago por eles mesmos, que por não estarem acostumados com o contato humano ou estarem longe de seus habitats naturais, podem sofrer de estresse e ansiedade.


Enquanto os cães se adaptaram a nossa rotina e conseguem, na maioria das vezes, viver em diversos tipos de locais; pássaros, répteis e pequenos mamíferos exóticos não tem escolha, fora passar o resto de suas vidas em gaiolas ou apartamentos apertados.


Ainda que mesmo sem conclusões concretas, estima-se que a domesticação do cachorro tenha começado cerca de 20 ou 40 mil anos atrás na Alemanha ou Sibéria. Um processo que demorou tanto tempo foi o responsável pelo o que conhecemos hoje como cachorro doméstico.


Tal processo de adaptação não fez parte da história dos animais silvestres. Comercializados muitas vezes de forma ilegal e nociva, espécies silvestres possuem funções ecológicas em seu habitat e não devem ser utilizadas como um mero troféu de likes para as redes sociais.


As aves são algumas das vítimas do tráfico ilegal de animais com intuito de comercialização - Foto: Polícia Federal

Fora os pássaros que têm suas asas cortadas e são obrigados a viverem engaiolados, existem os pequenos mamíferos como furões e chinchilas que ganharam espaço como pets. No entanto, ambos carecem de cuidados específicos.

Os furões, ou ferrets por serem animais silvestres, se criados em casas ou apartamentos necessitam de supervisão constante, caso contrário, por serem curiosos podem adentrar locais perigosos.


As chinchilas por sua vez não podem ser molhadas e assim como os furões não devem ser criadas soltas pelo mesmo motivo. Aprisionar um animal apenas pelo “ter” enquanto ele apenas existe trancafiado em uma gaiola pelo resto de seus dias é apenas cruel e egoísta.


Furão na natureza - Foto: jurra8/Shutterstock.com

Para piorar, mesmo que a criação dos animais seja legalizada, ela nem sempre é humanizada. As fêmeas são forçadas a procriarem diversas vezes apenas com o intuito de suprir o luxo humano.


Além da distância de seu habitat natural, outra questão que deveria ser levada em conta é a alimentação adequada. Não são todas as rações disponibilizadas em pets shops que suprem a necessidade nutricional de animais que pertencem à natureza.


Entretanto é importante ressaltar a importância de ONGs e cuidadores que resgatam esses animais em situações de abandono e maus tratos, justamente por terem sido adquiridos por quem não tem a mínima capacidade de mantê-los.

Nestes casos os animais já estão “acostumados” com a criação em cativeiro e não possuem a capacidade de retomar a vida em natureza. Daí a importância de não financiar esse comércio abusivo de venda de animais.


Esquecemos muitas vezes do significado da palavra “admiração”. É preciso relembrar que para apreciar a beleza desses animais, é necessário entender também o papel que eles exercem naquele ecossistema.


O que é belo deve ser admirado de longe, enquanto apreciamos a capacidade da natureza de estabelecer que cada ser vivo tenha seu local adequado, reservado para cumprir seu papel ambiental.

Edição e revisão: Nayara Delle Dono

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