• Rhaida Bavia

Resenha – Bee Movie: A história de uma abelha

Em 2016, quatro espécies de abelhas entraram para a lista de animais em extinção


(Foto: Reprodução)

Por Rhaida Bavia


Imagine-se em uma sociedade perfeitamente harmônica, onde todos contribuem da melhor forma que podem para manter a ordem, dando seu melhor todos os dias, sem nenhum descanso. São todos familiares, que colaboram e trabalham uns para os outros. Dividem-se em funções, tendo cada um sua devida importância. Tudo isso regido por proteção e cuidado com cada membro dessa atmosfera na qual estão inseridos.


Estamos falando de uma colmeia: o mundo de Berry Benson, protagonista de “Bee Movie: A história de uma abelha”.


As semelhanças do mundo de Berry com o nosso mundo humano começam no momento em que, recém formado e sob a pressão dos pais, ele é obrigado a escolher uma única função para exercer durante o resto de sua vida dentro da colmeia.


Intrigado com o que poderia haver no “mundo lá fora”, indignado com a ideia de “viver para produzir” e, antes que fosse forçado a inserir-se no mercado de trabalho, a abelha decide aventurar-se e sair de sua sociedade perfeita para conhecer a nossa.


Após sobrevoar o Central Park, Berry, por conta de uma chuva, é obrigado a pousar no apartamento de sua futura amiga Vanessa, que o salva de ser esmagado por um sapato de seu namorado Ken. Tomado pela gratidão por ter sua vida salva, quebra as regras das abelhas e começa a falar com a humana.


Berry e Vanessa (Foto: Reprodução)

A amizade entre os dois cresce e a abelha passa a acompanhá-la em todos os lugares. Um destes, em especial, acaba despertando indignação e fúria no inseto. É o supermercado, mais especificamente, a prateleira onde estão vários potes de mel de diversas marcas. Berry se recusa a acreditar que os humanos são capazes de tirar das abelhas o que elas têm de mais precioso e decide investigar a situação pegando carona no para-brisas de um caminhão para as “Fazendas Mel”, onde se depara com o lado mais obscuro da apicultura. E, diante disso, a abelha decide processar a raça humana.


Vanessa é florista e decide apoiar a causa do amigo por entender a complexidade do processo de produção do mel e a importância dele para a manutenção da vida dos principais polinizadores naturais: os “primos” de Berry.


As abelhas vencem o julgamento depois de um processo contra os principais distribuidores de mel e outras celebridades, como Sting (ferrão em inglês) da banda The Police, acusados de usar sem permissão tudo o que era produzido pelos polinizadores.


Tudo parece resolvido, mas é aí que entra o problema. As abelhas então param de produzir mel, já que agora todo o mel do mundo pertence a elas por direito. A colmeia entra em colapso pela falta de trabalho das abelhas, que acabam adoecendo e morrem.


Flores começam a murchar pela falta de polinização, e é nesse momento que Berry percebe que o trabalho das abelhas não pode parar, mas deve ser tratado pelos humanos com muito mais respeito.


Essa é a história de uma animação da DreamWorks, porém, está mais próxima da realidade do que imaginamos.


(Foto: PixaBay)


Abelhas em extinção


O desaparecimento das abelhas é um assunto que tem preocupado ambientalistas cada dia mais. Em outubro, quatro espécies de abelhas entraram para a lista de animais em extinção, pelo U.S. Fish and Wildlife Service (FWS), um órgão americano de proteção animal.


Foram até criados projetos como o “Bee or not to be“, que tem como objetivo alertar a sociedade e conseguir cada vez mais apoio para proteção das abelhas, não somente no Brasil, mas no mundo inteiro, realizando petições e recolhendo assinaturas que são levadas a órgãos responsáveis pela manutenção da vida desses animais.


A campanha “Sem abelha, sem alimento”, tem como objetivo levar informação sobre a importância da proteção desses polinizadores, já contando com mais de 25 mil apoiadores da causa.


(Foto: PixaBay)


Mas afinal, por quê as abelhas estão desaparecendo?


Por ser um fenômeno mundial, a resposta para essa pergunta continua sendo, em partes, um mistério para os que se dedicam a estudar o assunto. Entretanto, algumas hipóteses já foram levantadas. Uma delas é a chamada Desordem do Colapso das Colônias (DCC), um processo de desaparecimento em massa das abelhas de dentro das colmeias, causado pelo uso de agrotóxicos (principalmente inseticidas), perda do habitat e doenças.


Nos Estados Unidos, por exemplo, foi registrado o sumiço de 30 a 60% desses insetos na Califórnia e mais de 70% em regiões da costa-leste e Texas.


Os agrotóxicos do tipo neonicotinoides, um dos mais populares no Brasil, é absorvido pela planta, espalhando-se pelas folhas e raízes e atingindo todo o sistema vascular, especialmente as flores e néctar, visitados pelas abelhas.


Depois de contaminados, esses insetos sofrem com problemas na sua memória de navegação, impedindo-os de retornar às colmeias.


O chamado Fipronil também é responsável por efeitos negativos nas colmeias e, geralmente, é lançado através de aplicação aérea sem cautela, o que faz com que os insetos tenham contato direto com o pesticida e se contaminem e morram.


(Foto: PixaBay)


A situação no Brasil


O país, campeão no uso de agrotóxicos, abriga mais de 3 mil espécies de abelhas.

Com o surgimento de diversos casos de DCC em 2012, o IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) proibiu o uso de quatro inseticidas do tipo neonicotinoide, assim como do fipronil.


Mas, após pressão de alguns setores envolvidos, a proibição foi tornando-se cada vez mais flexível. Isso levou a um caso ocorrido em 2013 no Mato Grosso do Sul: setenta colmeias, que seriam equivalentes à produção de mais de uma tonelada de mel por ano, entraram em colapso.


Berry sobrevoando a cidade pela primeira vez (Foto: Reprodução)

Apesar de apresentar falhas no quesito biológico – como o fato de que abelhas macho trabalham na animação enquanto na realidade são envolvidas apenas na fecundação da rainha e depois expulsas da colmeia – Bee Movie traz a importante lição de que o trabalho das abelhas deve ser respeitado e preservado, para que se mantenha os ecossistemas em equilíbrio.


O filme Bee Movie está disponível na Netflix. FICHA TÉCNICA: Título Original: Bee Movie Ano: 2007 Duração: 90 minutos Direção:  Simon J. Smith e Steve Hickner Classificação etária: livre


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