• Adriano Arrigo

Resenha – Food, Inc: A Sua comida não brota no supermercado

Você pode preferir não saber de onde sua comida vem, mas o documentário Food Inc te mostra


(Foto: Divulgação/Food, Inc)

Por Adriano Arrigo


Ao irmos ao supermercado, nem sempre estamos atentos ao que compramos. Os fatores que nos levam a escolher um produto e não outro são próprios de cada pessoa, mas o sabor, a facilidade e o preço são exemplo de fatores que frequentemente levamos em consideração.


Já parou para perceber que não importa em que época do ano estamos, o supermercado sempre parece ser a época de tudo: sempre é época de tomate, de laranjas e alface.


Além disso, somos levados a pensar que esse lugar mágico que os supermercados compram nossa comida é um lugar bonito, com pastos verdes e agricultores felizes. Será que esses lugares são realmente assim?


O documentário Food, Inc. (2009) nos leva a pensar sobre como essas ilusões são construídas e escondidos de nós, consumidores.


Qual a semelhança entre um Big Mac e um carro?

Food Inc mostra que os agricultores transformaram-se em corporações. E o Sol, que alimentava todos os seres vivos, é substituto por porões escuros. São corporações que controlam toda a cadeia de distribuição dos alimentos, desde a semente até o supermercado.


A industrialização dos alimentos iniciou-se com a “genial” ideia de criar alimentos padronizados, rápidos e baratos. Isso te lembra algum restaurante?


Na década de 30, os irmãos McDonald’s levaram a montagem industrial até os seus restaurantes. Eles faziam alimentos repetidos e montados da mesma forma que um carro é feito: peças separadas, movimentos simples, nenhuma qualificação entre os trabalhadores.


Assim, um x-burguer poderia ser produzido em menos tempo e vendido mais rápido, além de criarem produtos iguais, em qualquer parte do mundo. Então estava feito: a padronização dos alimentos havia dominado o mercado e perpetuaria até… bem, ainda vivemos nesse modelo.


Os hambúrgueres industrializados do Mc Donald's são inspirados na produção industrial em larga escala. (Foto: Reprodução/itv.com)


O milho como base


O documentário também mostra que grande parte dos produtos do mercado tem uma única origem: o milho. 90% dos alimentos do supermercado contém milho ou soja. Entre eles estão: pilhas, refrigerantes, molho de tomate, ketchup, carvão, fraldas e carne.


O preço do milho está relacionado a sua difusão do mercado. Devido a incentivos governamentais, produzir milho e soja é uma atividade muito facilitada nos Estados Unidos e em outros países, como o próprio Brasil.


As galinhas, por exemplo, são alimentadas com resto de milho. Os porcos, peixes e vacas foram modificados para poderem comer milho.


Segundo a Embrapa, a produção de milho nos Estados Unidos chegou a quase 308 milhões de toneladas.(Foto: Scott Gaulin)


Coloque o preço do alimento na vida de um animal


De acordo com o documentário, três ou quatro empresas dominam toda a venda de carne nos Estados Unidos. Para suprir essa demanda criada pela lógica industrial, não dá tempo de esperar os animais crescerem.


A saída que a indústria encontrou foi remodelar o crescimento de alguns animais, como as galinhas. Para que elas pudessem ter mais carne branca em menos tempo, hormônios e antibióticos são usados para acelerar o crescimento das partes mais valiosas no mercado.


Porém, seus órgãos internos e pernas não acompanham esse processo. Muitas delas desenvolvem insuficiência cardíaca, o que acaba fazendo com que elas morram.


Na imagem é possível ver a diferença estrutural que as aves de corte sofreram. (Foto: Reprodução/Food, Inc.)


Mas ser saudável é caro demais!


O filme também mostra o dilema de uma família norte-americana que tem 3 filhos. Com apenas 11 dólares (atualmente 35 reais), eles alimentam todos os seus filhos no almoço em um restaurante fast-food.


Ao irem ao mercado, eles percebem que comida “saudável” é cara. Com 1 dólar uma família americana não consegue comprar uma cabeça de brócolis, mas consegue comprar um hambúrguer no McDonald’s.


O preço da caloria de alimentos processados é mais caro do que a caloria encontrada em produtos naturais. Isso não é acidental.


As calorias de alimentos processados são mais baratas porque elas são altamente subsidiadas e estão diretamente relacionadas com o tipo de políticas agrícolas que é praticada em países como os Estados Unidos e Brasil.


O que podemos fazer?


O documentário também aborda assuntos muito interessantes como a situação das pessoas que trabalham nesse ramo, a legislação que favorece as grandes corporações e, é claro, os alimentos geneticamente modificados.


Mas a mensagem principal que o documentário traz é que o consumidor tem o direito de saber o que está em sua comida e como ela foi cultivada. E que comida é poder, e o que temos hoje é a centralização do poder e que isso tem sido usado contra as pessoas que realmente produzem alimentos, como os agricultores e os trabalhadores.


Ao irmos ao supermercado não estamos somente comprando alimentos, mas depositando um voto de confiança nas empresas das quais adquirimos os seus alimentos.

FICHA TÉCNICA:

Título Original: Food, Inc. Ano: 2008 Duração: 94 minutos Direção: Robert Kenner Classificação etária: Não informada no Brasil


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