• Isabele Scavassa

Salles assina acordo com Suéllen para atuar na agenda ambiental urbana de Bauru

Documento assinado pelo ministro não indica previsão de orçamento ou prazo definido para implementação das medidas


A imagem mostra a prefeita de Bauru, Suéllen Rosim, junto do Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, segurando juntos um documento. Os dois usam máscaras.
Bauru recebe visita do ministro do Meio Ambiente. Foto: Reprodução/Jornal Dois

Por Isabele Scavassa


Um dia após ter sido alvo de investigações da Polícia Federal, o ministro Ricardo Salles seguiu sua agenda normalmente e na manhã de quinta-feira (20) compareceu a uma visita ao município de Bauru. Como resultado do encontro entre Salles e Suéllen Rosim (Patriota), prefeita da cidade, surgiu um acordo de cooperação na Agenda Ambiental Urbana.


Após a visita a pelo menos três pontos da cidade, ficou estabelecido que o governo federal disponibilizará ajuda para movimentar algumas ações com o objetivo de otimizar a gestão de resíduos de construção civil e melhorar tanto a área verde quanto o saneamento básico de Bauru.


Salles passou por pontos emblemáticos no município bauruense, que posteriormente foram contemplados pelo acordo que sugere melhorias. Entre eles, está o Rio Bauru, que recebe cerca de 600 litros por segundo de esgoto e, portanto, inspirou a questão do saneamento. Outro local vistoriado foi a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE), mais um dos pontos que foi incluído na mesma temática sobre saneamento e está em construção há pelo menos cinco anos, caminhando para o sexto.


O último lugar que passou pela avaliação do ministro foi o depósito de resíduos da construção civil não processados, localizado no Jardim Mendonça. A visita dessa região resultou na proposta firmada entre Salles e Suéllen que garante uma usina móvel com caminhão para que sejam processados os detritos de obras.


Ainda sobre as resoluções do documento, vale dizer que foi acordado o encargo do governo federal de mandar equipamentos, como dragas, para desassorear o Rio Batalha. Por fim, espera-se receber também máquinas para poda de árvores altas e capacitação de técnicos, de modo a treiná-los para gerir de forma adequada os resíduos sólidos.


Apesar de ter sido recebido por apoiadores, a visita do ministro também contou com ativistas socioambientais, como a ONG SOS Cerrado.



Protestante contra a vinda do ministro Ricardo Salles segura cartaz com os direzes "fora garimpo, agronegócio, madereiros, Salles e Bolsonaro".
Cartazes exibidos pelos ativistas durante a visita de Salles. Foto: Reprodução/Jornal Dois

Ministro investigado


A ação deflagrada pela Polícia Federal na quinta-feira (19) teve como objetivo investigar ações de Salles em conjunto com o presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Eduardo Bim. De acordo com a PF, há suspeitas de exportação ilegal de madeira para Estados Unidos e Europa envolvendo os dois nomes.


Eduardo Bim e outros nove agentes públicos tiveram afastamento preventivo determinado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Na contramão dos nomes afastados, o ministro teve somente quebra de sigilo fiscal e bancário.


A operação nomeada de Akuanduba também apreendeu documentos e objetos, tais como dispositivos eletrônicos que pudessem ajudar na investigação. Salles, por sua vez, recusou-se a entregar o celular.


As últimas movimentações do processo indicam quebra de sigilo da investigação, decidida pelo delator do caso, Alexandre de Moraes, e as declarações da PF que indicam haver “fortes indícios” da participação de Ricardo Salles no contrabando de madeira.



Edição: Anna Araia