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Supercomputador do Inpe deve ser desligado em agosto pela primeira vez

Computador Tupã, responsável por leituras meteorológicas, deve ser desligado devido a cortes de verba no Inpe



Fotografia de um supercomputador preto com estampas de raio e luzes azuis nas partes de cima e baixo. O supercomputador lembra uma cpu gigante e vai do chão até o teto, ao fundo uma pessoa borrada passa e nos dá a dimensão do equipamento, maior que um adulto de estatura média.
Supercomputador Tupã. Foto: Inpe/Divulgação


Por Gabriel Soldeira Regis


Supercomputador de previsão meteorológica pode ser desligado pela primeira vez na história, devido ao corte de verbas para o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Neste ano, o instituto teve o maior corte de verbas de sua história. Inicialmente, o orçamento previsto era de R$76 milhões, contudo houve um corte de mais de 30 milhões de reais.


A redução de recursos é a causa do desligamento do computador Tupã, que tem um gasto de 5 milhões ao ano com energia e resfriamento. Não houve uma justificativa oficial para o corte de verbas do Inpe, porém as consequências podem ser preocupantes no contexto atual.


O Brasil passa hoje por um intenso momento de estiagem que tem afetado as regiões Sudeste, Centro-Oeste e Sul do país. Em um momento tão delicado, um equipamento como o Tupã é imprescindível para se ter uma previsão clara da gravidade da situação. Dessa forma, os dados ajudariam na tomada de medidas necessárias para evitar o agravamento da crise hídrica, que já gera consequências na agricultura e na produção de energia elétrica.


Fotografia que mostra três faixas de terra com alguns galhos secos e entre elas há faixas de alagamento com água barrosa.
Barragem da hidrelétrica Marimbondo na divisa entre São Paulo e Minas Gerais durante período de estiagem Foto: Joel Silva/Reprodução

Para substituir o supercomputador, o Inpe fez a compra de um equipamento com rendimento inferior. A diferença de preço é gritante já que o Tupã foi adquirido por cerca de 23 milhões de reais, e o novo computador custou apenas 3,7 milhões. A substituição gerou críticas de Gilvan Sampaio de Oliveira, coordenador-geral de Ciências da Terra do Inpe, que revelou para a imprensa que outra máquina menos potente já havia sido adquirida pelo instituto em 2018 e está em uso desde então.


Oliveira também declara: “O que nós realmente precisamos é de recursos para adquirir uma máquina de grande porte, que permitirá que avancemos mais rapidamente em todo o sistema nacional de meteorologia”.



Edição: Nayara Delle Dono

Revisão: Anna Araia e Nayara Delle Dono

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