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Universidades paulistas promovem desenvolvimento sustentável

Conheça as atuações universitárias em projetos socioambientais


Dois jovens regando as raízes do mundo
Foto: Designed by Freepik

Por Isabella de Oliveira Facin e Isadora Araujo de Oliveira


A universidade é uma instituição de ensino superior que forma profissionais capacitados para atuar nos mais diversos segmentos da sociedade. O conhecimento adquirido nessa instituição possibilita transformar a realidade por meio de ações pautadas num conhecimento histórico e socialmente produzido: a Ciência.


Na universidade esse conhecimento sobre o mundo é produzido, legitimado e difundido graças aos cientistas e pesquisadores, professores. Esses trabalhadores compõem a comunidade acadêmica, a qual deve estar em constante troca com “a comunidade fora dos muros da universidade”, a fim de conhecer suas necessidades e trabalhar para compreender suas questões mais latentes.


Em outras palavras, a universidade, assim como toda a educação formal, existe para e pela sociedade: o que sustenta a existência dessa instituição é que o seu produto - isto é, o conhecimento científico - é útil para o desenvolvimento da vida humana num mundo globalizado. Isso potencializa a capacidade humana de sobreviver e viver bem (vide os imensos esforços de cientistas brasileiros e de todo o mundo na concretização da vacina contra a Covid-19).


A Constituição Brasileira de 1988 dispõe no artigo 207 sobre uma característica fundamental da universidade, o tripé sobre o qual se assenta: ensino, pesquisa e extensão universitária. A extensão tem a função de expandir o acesso dos conhecimentos e tecnologias acadêmicas. Portanto, retorna à população os recursos públicos nela investidos através da socialização dos saberes por ela produzidos.


Vejamos, então, alguns projetos socioambientais e tecnologias mais sustentáveis que duas universidades públicas estaduais, a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Estadual de São Paulo (UNESP), estão desenvolvendo e aplicando em suas comunidades.




Sustentabilidade

Em sua definição mais aceita, sustentabilidade, no sentido de desenvolvimento sustentável, é “o desenvolvimento que satisfaz as necessidades presentes sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir suas próprias necessidades”.

Fonte: “Nosso Futuro Comum” (Our Common Future), Organização das Nações Unidas (ONU).




DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL NA USP


Tércio Ambrizzi, professor do departamento de Ciências Atmosféricas e superintendente na Superintendência de Gestão Ambiental (SGA) da USP, conta sobre o funcionamento deste órgão: através dele, “estimula-se a universidade a ter projetos ligados à parte de mitigação das mudanças climáticas e gases do efeito estufa, e também de projetos de conservação de reservas ecológicas”.


Com orçamento próprio para abrir editais e vinculado à reitoria da universidade, “o SGA fomenta projetos que são realizados pelos pesquisadores junto com estudantes”, discorre Tércio. A exemplo, no ano de 2020 foi lançado um edital em que “cada projeto poderia pedir até 100 mil reais para seu desenvolvimento, e foi um sucesso completo”: houveram temas em mobilidade urbana; resíduos químicos; energia renovável (painéis fotovoltaicos); reaproveitamento de árvores e madeira despejados na universidade, etc.


Painéis fotovoltaicos em garagens, ou “estacionamento solar”, no Campus de São Carlos. Foto: Elmer Cari/Arquivo pessoal

Além disso, Tércio chama a atenção ao fato de que “a partir do ano que vem, vamos ter ‘zero energy building’, ou seja, 100% da energia consumida vai ser produzida pela energia fotovoltaica - com o excedente indo para o sistema da USP”. Para além dos famosos painéis solares, há também biodigestores que funcionam reaproveitando o resíduo alimentar dos restaurantes universitários, que outrora teriam sido descartados em sua totalidade.


Quanto às reservas ecológicas: “queremos que essas florestas sejam utilizadas para estudos de pesquisa e de educação ambiental, e no fomento à extensão: que as pessoas possam entrar dentro delas”, esperança o superintendente. Para trilhas, os transeuntes poderão fazer identificação botânica a partir de QR codes nas árvores, assim como se informarem sobre a fauna presente por meio de um aplicativo.


Dessa forma, “A universidade fica com a responsabilidade de manter a floresta, e devolve para a sociedade um lugar que ela pode estar mais próxima do meio ambiente”, finaliza Tércio.


O PROJETO DE GESTÃO AMBIENTAL NA UNESP


O Impacto Ambiental entrou em contato com a Professora Pesquisadora Doutora Clauciana Schmidt Bueno de Moraes que ministra, entre outros feitos, um projeto chamado Universidade Sustentável (SGA) em uma das 34 unidades da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (UNESP).


Na UNESP de Rio Claro o projeto Universidade Sustentável (SGA) se baseia na norma internacional ISO 14001. Essa norma entende como foco principal a melhoria do sistema ambiental e não do desempenho da gestão. Assim, a ISO 14001 adota uma abordagem sistêmica, universalista, que estabelece as melhores práticas para gerenciar aspectos ambientais como emissões, efluentes e resíduos de determinado espaço.


Sobre a função do projeto, Clauciana afirma: “o SGA apoia a política ambiental e as intenções de uma organização relacionadas ao desempenho ambiental, e ainda auxilia a visualizar melhor os riscos e oportunidades tanto nas questões ambientais como melhorias no processo.”


Os objetivos do projeto Universidade Sustentável (SGA) se firmam na atuação ampla através do tripé universitário. Clauciana aponta que: “os alunos realizam até hoje auditorias ambientais com cases reais em instituições externas e setores da UNESP, a fim de auxiliar tais locais na adequação e melhores práticas ambientais; e isso é um aprendizado na prática para os próprios alunos”.


Biblioteca da Unesp Rio Claro adequada às normas da ISO 14001 pelo SGA. Fonte: Reprodução/Facebook Biblioteca Unesp Rio Claro

Além disso, o projeto conta com a criação de um “software SiGa – Sistema Integrado de Gerenciamento Ambiental, uma ferramenta administrativa computacional, cujo principal objetivo é promover e facilitar o gerenciamento ambiental a baixo custo nas instituições públicas e/ ou privadas", declara a professora.


Clauciana também afirma a importância da práxis, ou seja, de unir teoria e prática a partir de uma atuação que integre “questões ambientais, sociais e econômicas, buscando um equilíbrio em todo e qualquer processo”.


Por fim, a professora declara que “em todas as etapas e aplicações do projeto, foram trabalhadas as questões de educação e conscientização ambiental, seja através dos treinamentos das equipes, cursos de extensão e profissionalizantes ministrados para o público interno e externo da universidade, e ainda na oficina de empreendedorismo, envolvendo escolas e profissionais”.



Para saber mais sobre os projetos socioambientais desenvolvidos pelas universidades citadas acesse:

- <https://igce.rc.unesp.br/#!/unidade-auxiliar/ceapla/projetos/projeto-02/> (Projeto Universidade Sustentável (SGA) - UNESP)

- <http://www.sga.usp.br/> (Superintendência de Gestão Ambiental da USP)


Veja também os vários projetos de extensão que são oferecidos pela UNESP em seus 34 campi, acesse:

- <https://www2.unesp.br/portal#!/proex/apresentacao13159/mapa-da-extensao/>




Edição: Isabella de Oliveira Facin e Mateo Urquieta

Revisão: Mateo Urquieta