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Vazamento de esgoto compõe cenário habitual de Bauru

Descarte irregular de lixo é uma das razões da constante desobstrução do sistema no município


Arte gráfica quadrada com fundo de tijolos na cor roxa. Os rejuntes são pretos, no centro há um bueiro preto despejando uma água preta em um rio preto com detalhes em verde limão. No lado direito há uma pequena barata marrom na parede de tijolos.
Arte: Júlia Ruiz


Por Izabela Machado


Como se não bastasse o desabastecimento de água entre os bairros, Bauru voltou a colecionar reclamações sobre o vazamento de esgoto. Só neste ano, o Departamento de Água e Esgoto (DAE), por meio da Divisão Técnica, atendeu 3.756 ocorrências de desobstrução de rede de esgoto. Destes, 2.083 foram vazamento/entupimento em caixas de inspeção, 1.098 em poços de visita e 575 casos de retorno de esgoto para dentro do imóvel.


A situação também afeta o Rio Bauru, um dos principais rios da cidade. Mesmo a região tendo passado alguns anos sem sofrer impacto direto pela rede do município, o cenário atual é constantemente castigado pela obstrução da rede de esgoto.


Fotografia que mostra a parte de uma avenida do lado direito, nela é possível ver um motoqueiro ao longe. No centro há as duas bordas de um rio de cor marrom escura. Em ambas as bordas há um muro médio de concreto e em cima dele há mato e algumas árvores médias e pequenas e arbustos pequenos. O rio está raso e há muitas pedras nele.
O Rio Bauru é um dos destinos do lançamento de esgoto da cidade. Foto: Samantha Ciuffa

Conforme a reportagem do Jornal da Cidade, o leito do rio voltou a receber esgoto na segunda semana de maio de 2021, entre o cruzamento da Avenida Nuno de Assis com a Nações Unidas, até a ponte Ayrton Senna, entre a Mary Dota e o Distrito 1. Nos meses de julho e agosto, o vazamento foi maior após o rompimento da tubulação do DAE.



E quais são as causas do vazamento ?


Em nota, o DAE informou a razão dos vazamentos de esgoto no rio. A justificativa utilizada foi o descarte irregular de lixo. Segundo a autarquia, na semana do dia 10 de agosto, foram encontradas enormes quantidades de estopa em desobstrução realizada na Rua Rio de Janeiro.


O mesmo problema causou o entupimento no mês de maio, na Avenida Nações Unidas, altura da Rua Presidente Kennedy, que ocasionou despejo de esgoto no trecho urbano do Rio Bauru.


Grandes quantidades de absorventes, papel higiênico, fraldas, cartelas de remédios, preservativos, panos, plásticos, pontas de cigarro e até brinquedos foram encontrados pelas equipes de manutenção do DAE na maioria dos serviços de desentupimentos de esgotos pela cidade.


Fotografia que mostra dois profissionais trabalhando em um bueiro em uma rua de asfalto. É possível ver somente as pernas e pés dos trabalhadores que utilizam calças azuis de trabalho e botinas. Na frente deles há um bueiro aberto e ao lado está uma pilha preta de estopa retirada do bueiro. Ao lado esquerdo também é possível ver a parte de uma cancela laranja com listras brancas.
Acúmulo de estopa em desobstrução. Foto: Descrição Assessoria de Comunicação do DAE

Nos piores casos, foram encontrados também óleos e gorduras. Conforme atenta a autarquia, essas substâncias são as que mais prejudicam o entupimento dos tubos de esgoto, uma vez que no frio esses fluidos esfriam e solidificam com maior facilidade dentro da rede, aumentando ainda mais a chance de problemas.



Os problemas não param por aí!


Em entrevista ao Impacto Ambiental, a ecóloga e ex-consultora ambiental, Gabriela Rosa, informou que em 2019, a prefeitura de Bauru realizou um projeto em prol da conscientização ambiental da população.


Por meio da Secretaria do Meio Ambiente e da empresa de Consultoria Ambiental Vetiver, a campanha tinha como objetivo prestar serviços de educação ambiental antes que a estação de tratamento de esgoto fosse instalada na cidade. Os voluntários avaliaram o fluxo de água e esgoto e entrevistaram os moradores sobre o descarte do lixo.


No entanto, durante o projeto, foram descobertos diversos problemas nos encanamentos das construções mais antigas do município. Um deles é que as calhas da chuva destinavam a água limpa à rede de esgoto, o que levaria a sobrecarga desse sistema. Segundo a ecóloga, os munícipes construíram suas casas com esse tipo de tubulação sem a consciência de que isso prejudicaria o sistema.


“A água limpa da chuva deve ser coletada por uma rede independente para ser lançada na sarjeta”, comenta Rosa. No ano passado, o DAE multou 118 imóveis que estavam com os encanamentos irregulares.


O funcionamento adequado da rede de esgoto está diretamente ligado à conscientização da população quanto ao seu uso. Além da cidade ter apenas 2,75% do esgoto tratado, o restante é despejado inadequadamente junto com o lixo.


Chegando nos rios, como o Rio Bauru, esses materiais não só alteram toda a composição química da água, provocando eutrofização, como também causam inúmeros problemas para os próprios moradores e para o funcionamento das Estações de Tratamento de Esgoto (Candeia, Tibiriçá e a futura Vargem Limpa).



Edição: Nayara Delle Dono Revisão: Nayara Delle Dono