• Vitor Comar

Verão extremo no Brasil: o que aconteceu nos últimos meses?


O verão é uma estação muito aguardada por grande parte dos brasileiros, sendo um período marcado pelas férias escolares, viagens à praia e passeios ao ar livre, porém, os últimos verões vêm trazendo uma realidade dura e muito diferente das expectativas positivas idealizadas pela população.


De acordo com uma matéria publicada no site da CNN Brasil, a cidade do Rio de Janeiro atingiu, no dia 18 de janeiro de 2022, a temperatura de 38,2ºC com a impressionante sensação térmica de 50,8ºC, marcando uma das maiores temperaturas já registradas na cidade durante este verão. Além da capital fluminense, outras grandes cidades brasileiras, como São Paulo e Florianópolis, também registraram recordes de temperatura durante a estação em questão.


Praia lotada no Rio de Janeiro devido ao calor. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil


Não apenas nos termômetros, mas também em seu dia a dia, os brasileiros estão vivenciando o aumento excessivo da temperatura de uma maneira cada vez mais direta em suas rotinas. “Eu estou sentindo que está ficando cada vez mais quente pela quantidade de roupas que a gente não está usando. Antes, quando a gente saía para trabalhar ou ir para a escola, a gente já saía com uma blusinha para usar no final da tarde, mas, ultimamente, não está mais acontecendo isso. A gente está sentindo muito calor", disse a estudante universitária Isabela Serra, residente na Capital Paulista.


Segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), já estamos vivendo uma situação de aumento da temperatura média global que continuará se estendendo pelas próximas décadas, agravando os extremos climáticos no mundo todo. Com esse agravamento, o desequilíbrio ecológico se torna cada vez maior, resultando em eventos climáticos extremos que já podem até mesmo ser observados no Brasil.


De acordo com o meteorologista Luiz Gozzo, não é possível afirmar com certeza os motivos das fortes chuvas que vêm ocorrendo no país devido à necessidade da realização de estudos especiais, mas, em sua concepção, tanto as mudanças climáticas, quanto o fenômeno “La niña”, estão influenciando as fortes chuvas ocorridas no Brasil. “Se falamos do verão 2021/2022, eu creio que seja o La Niña a principal forçante. Se falamos que o Brasil está vivenciando nos últimos anos e décadas chuvas mais fortes, podemos atribuir às mudanças climáticas.”, disse o meteorologista.


O verão de 2022 foi marcado por dois episódios de fortes deslizamentos ocorridos nas cidades de Franco da Rocha (SP) e Petrópolis (RJ), nos meses de janeiro e fevereiro deste ano. Ainda de acordo com o meteorologista Luiz Gozzo, “A atribuição de causas para os fenômenos da atmosfera é extremamente difícil, e raramente existe uma resposta pronta e fechada”, logo, não é possível explicar com total clareza esses acontecimentos, pois eles ainda estão sendo estudados e entendidos, mas, além das fortes chuvas, questões como ocupação desordenada, topografia do local e desmatamento, são outros fatores que também podem ter contribuído para os deslizamentos de Petrópolis, de acordo com a Folha de São Paulo.


Buscas a desaparecidos após o deslizamento em Petrópolis (RJ). Foto: Carl de Souza/AFP


Mesmo não sendo possível ter uma projeção exata para os próximos verões, devido à grande variabilidade climática e dos fatores atuantes, denota-se que o comportamento dos verões das próximas décadas deve contar com temperaturas mais altas e chuvas mais localizadas no tempo e intensas, assim, podemos esperar uma situação parecida, ou pior, do que já vivemos.


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